{"id":9836,"date":"2015-11-09T16:57:07","date_gmt":"2015-11-09T19:57:07","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9836"},"modified":"2015-12-03T11:18:19","modified_gmt":"2015-12-03T14:18:19","slug":"mais-um-rastro-de-destruicao-e-morte-na-historia-da-mineracao-e-da-empresa-vale-s-a-nota-da-articulacao-internacional-dos-atingidos-e-atingidas-pela-vale-s-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9836","title":{"rendered":"Mais um rastro de destrui\u00e7\u00e3o e morte na hist\u00f3ria da minera\u00e7\u00e3o e da empresa Vale S.A. \u2013 Nota da Articula\u00e7\u00e3o Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A."},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/atingidospelavale.files.wordpress.com\/2015\/11\/nota-avs-barragem.jpg?w=747&#038;h=300&#038;fit=300%2C300\" alt=\"imagem\" \/>Ontem, dia 05 de novembro de 2015, mais uma not\u00edcia chocante e terr\u00edvel envolvendo a grande minera\u00e7\u00e3o e a empresa Vale S.A. nos assola.<!--more--><\/p>\n<p>Duas barragens da mineradora Samarco Mineradora S.A.,\u00a0joint venture\u00a0da Vale S.A (50%)\u00a0e da BHP Billiton Brasil Ltda (50%), e tamb\u00e9m recebedora de rejeitos de outras minas da Vale S.A na regi\u00e3o, dentre as quais a mina de Alegria, se romperam no estado de Minas Gerais, no distrito de Bento Rodrigues, entre as cidades de Mariana e Ouro Preto.<\/p>\n<p>O Distrito encontra-se completamente soterrado por lama t\u00f3xica, sendo o acesso ao local apenas poss\u00edvel por helic\u00f3ptero. H\u00e1 in\u00fameros desabrigados e at\u00e9 o momento foram contabilizados ao menos 16 mortos, 45 desaparecidos e in\u00fameros soterrados.\u00a0 A situa\u00e7\u00e3o no local continua muito grave e h\u00e1 riscos de novos desmoronamentos. Inicialmente, somente o distrito de Bento Rodrigues havia sido afetado, mas a enxurrada de rejeitos segue atingindo outros distritos e munic\u00edpios, tendo chegado a 60 km do local.<\/p>\n<p>O rompimento de uma barragem de rejeitos \u2013 estrutura que tem a finalidade de reter os res\u00edduos s\u00f3lidos, que possuem elevado grau de toxicidade e \u00e1gua dos processos de beneficiamento de min\u00e9rio \u2013 n\u00e3o se d\u00e1 de forma aleat\u00f3ria e n\u00e3o \u00e9 uma novidade nem para o estado de Minas Gerais nem para o setor miner\u00e1rio. A gravidade do caso exige severa investiga\u00e7\u00e3o sobre o ocorrido, rigorosa responsabiliza\u00e7\u00e3o dos culpados e repara\u00e7\u00e3o integral e indeniza\u00e7\u00e3o a todos os afetados e afetadas.<\/p>\n<p>O que ocorreu foi um CRIME.\u00a0 Os \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores e as empresas t\u00eam total responsabilidade sobre a trag\u00e9dia ocorrida. A quantidade de rejeitos prova que as empresas tinham ultrapassado, e muito, a capacidade da barragem. O laudo t\u00e9cnico realizado pelo Instituto Pr\u00edstino, a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico durante o licenciamento do projeto, j\u00e1 identificava problemas, tais como: a barragem do Fund\u00e3o e a pilha de est\u00e9ril Uni\u00e3o da Mina de F\u00e1brica Nova da Vale fazem limite entre si, caracterizando sobreposi\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de influ\u00eancia direta, com sinergia de impacto; a condicionante de monitoramento geot\u00e9cnico e estrutural dos diques e da barragem deveria ser realizada periodicamente, com intervalo inferior a um ano, indicando risco de acidentes. Esses dois pontos j\u00e1 anunciavam a trag\u00e9dia e comprovam a pol\u00edtica cruel da Samarco, Vale S.A. e dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela licen\u00e7a do projeto.<\/p>\n<p>A Vale S.A. \u00e9 uma empresa amplamente conhecia por movimentos sociais, comunidades, sindicatos, acad\u00eamicos, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e demais segmentos sociais, por seu constante desprezo aos direitos socioambientais. O que mais esta trag\u00e9dia nos evidencia \u00e9 o desrespeito a quest\u00f5es fundamentais, como a seguran\u00e7a, tanto dos seus trabalhadores, quanto das comunidades pr\u00f3ximas, frente a crescente intensidade da extra\u00e7\u00e3o mineral e a busca desenfreada pelo lucro das grandes mineradoras.<\/p>\n<p>No momento atual, em que est\u00e1 em jogo a aprova\u00e7\u00e3o de um Novo C\u00f3digo Mineral para o pa\u00eds, que permitir\u00e1 o avan\u00e7o ainda maior da minera\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio nacional, deve-se considerar as chances reais do crescimento em escala e n\u00fameros do cen\u00e1rio de mortes, desrespeito de direitos, apropria\u00e7\u00e3o ilegal de terras, contamina\u00e7\u00e3o de mananciais de \u00e1gua e trag\u00e9dias como a ocorrida ontem.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais est\u00e1 para ser votado o Projeto de Lei n\u00ba 2.946\/2015, de autoria do atual governador Fernando Pimentel (PT), que fragiliza ainda mais o licenciamento ambiental\u00a0no estado. O referido projeto permitir\u00e1 reduzir o tempo para a concess\u00e3o do licenciamento ambiental no estado, fato que beneficiar\u00e1 empreendimentos considerados estrat\u00e9gicos pelo Governo, ampliando ainda mais a inseguran\u00e7a jur\u00eddica, os danos ambientais e os conflitos sociais associados a grandes projetos.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia de ontem mais uma vez nos alerta para o constante impacto socioambiental da minera\u00e7\u00e3o. Esse desastre pede de forma urgente um debate p\u00fablico sobre a minera\u00e7\u00e3o em grande escala no pa\u00eds e os mecanismos de responsabiliza\u00e7\u00e3o das empresas. A pol\u00edtica das mineradoras para com os trabalhadores e as comunidades \u00e9 a mais perversa poss\u00edvel. Essas empresas lucram bilh\u00f5es todos os anos e investem muito pouco em seguran\u00e7a, nos trabalhadores e nas cidades.<\/p>\n<p>V\u00e1rias s\u00e3o as den\u00fancias de irregularidades na constru\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de barragens de rejeitos, citando-se a t\u00edtulo de exemplo as irregularidades estruturais nas obras que envolvem a barragem da mina Casa de Pedra em Congonhas\/MG, da Companhia Sider\u00fargica Nacional, bem como as ilegalidades no processo de outorga referente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da barragem de rejeitos do sistema Minas-Rio, a ser instalada entre os municipios de Alvorada de Minas e Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro, de responsabilidade da mineradora Anglo American.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s da Articula\u00e7\u00e3o Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A. o que ocorreu no distrito de Bento Rodrigues n\u00e3o \u00e9 um caso isolado e sim mais uma trag\u00e9dia do setor. Grandes empresas como a Vale S.A. possuem a pr\u00e1tica de terceirizar suas opera\u00e7\u00f5es ou criar\u00a0joint-ventures\u00a0 escondendo seu nome e omitindo compromissos e responsabilidades. N\u00e3o podemos deixar que os respons\u00e1veis pela trag\u00e9dia saiam impunes.<\/p>\n<p>Exigimos investiga\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o c\u00edvel, ambiental e criminal das empresas Samarco, Vale S.A. e BHP Billiton Brasil Ltda, responsabilizando-se, tamb\u00e9m, seus dirigentes de forma pessoal, al\u00e9m de repara\u00e7\u00e3o integral e indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Bento Rodrigues.<\/p>\n<p>N\u00f3s da Articula\u00e7\u00e3o Internacional enviamos toda a solidariedade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Mariana e regi\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos permitir nem mais uma morte!<\/p>\n<p>BASTA!<\/p>\n<p>Articula\u00e7\u00e3o Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A.<\/p>\n<p>https:\/\/atingidospelavale. wordpress.com\/2015\/11\/06\/mais- um-rastro-de-destruicao-e- morte-na-historia-da- mineracao-e-da-empresa-vale-s- a-nota-da-articulacao- internacional-dos-atingidos-e- atingidas-pela-vale-s-a\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ontem, dia 05 de novembro de 2015, mais uma not\u00edcia chocante e terr\u00edvel envolvendo a grande minera\u00e7\u00e3o e a empresa Vale S.A. nos \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9836\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-9836","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2yE","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9836\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}