{"id":9859,"date":"2015-11-13T17:32:19","date_gmt":"2015-11-13T20:32:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9859"},"modified":"2015-12-03T11:19:40","modified_gmt":"2015-12-03T14:19:40","slug":"biografia-restaura-trajetoria-politica-de-luiz-carlos-prestes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9859","title":{"rendered":"Biografia restaura trajet\u00f3ria pol\u00edtica de Luiz Carlos Prestes"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cartacapital.com.br\/cultura\/biografia-restaura-trajetoria-politica-de-luiz-carlos-prestes-4499.html\/luiz-carlos-prestes\/%40%40images\/62475641-3422-49fd-9d9b-889ce2194e5a.jpeg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Cultura CARTA CAPITAL<\/p>\n<p>Entrevista &#8211; Anita Leoc\u00e1dia Prestes<\/p>\n<p>A autora, filha do biografado, fez uma reconstitui\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do pol\u00edtico que passou pelo ex\u00e9rcito e se tornou comunista<br \/>\npor Tha\u00eds Barreto<!--more--><\/p>\n<p>Ap\u00f3s mergulhar por 32 anos em documentos e relatos, a historiadora Anita Leoc\u00e1dia Prestes concluiu a biografia do pai. A autora de Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro(Boitempo Editorial, R$ 48) afirma que a obra n\u00e3o \u00e9 definitiva. S\u00e3o, contudo, mais de 500 p\u00e1ginas de rigorosa apura\u00e7\u00e3o sobre a trajet\u00f3ria de um dos mais destacados pol\u00edticos brasileiros que aderiu ao comunismo. A preocupa\u00e7\u00e3o de Anita foi apresentar para as novas gera\u00e7\u00f5es a hist\u00f3ria de um personagem que \u201cfoi sempre caluniado ou silenciado pelos donos do poder\u201d.<\/p>\n<p>Filho de militares, Prestes foi criado pela m\u00e3e \u2013 o pai faleceu cedo, quando tinha 10 anos. Estudou em escola militar e, em 1920, aos 22 anos, tornou-se segundo-tenente e foi servir no sub\u00farbio do Rio de Janeiro. Foi quando teve a primeira imagem do povo brasileiro, segundo a autora. Via rapazes de 18 anos chegarem ao ex\u00e9rcito analfabetos, e acompanhava a rotina de humilha\u00e7\u00f5es que os superiores impunham aos mais novos. Prestes dedicou 70 anos \u00e0 vida pol\u00edtica e viveu at\u00e9 os 92 anos. Leia os principais trechos da entrevista com Anita Leoc\u00e1dia Prestes, filha de Prestes e Olga Ben\u00e1rio:<\/p>\n<p><strong>CartaCapital:<\/strong> <em>Como foi o processo para escrever a biografia de Luiz Carlos Prestes?<\/em><\/p>\n<p><strong>Anita Leoc\u00e1dia Prestes:<\/strong> Comecei o trabalho no in\u00edcio dos anos 1980, e \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o tinha certeza se ia conseguir escrever a biografia dele.<\/p>\n<p>Meu pai tinha uma excelente mem\u00f3ria, principalmente sobre a Coluna Prestes. Da\u00ed nasceu a preocupa\u00e7\u00e3o de gravar um depoimento dele. Entrei no mestrado e doutorado em Hist\u00f3ria e fui pesquisar a Coluna Prestes. Utilizei n\u00e3o s\u00f3 a entrevista dele, mas muitos outros arquivos listados no livro.<\/p>\n<p><strong>CC:<\/strong> <em>Como foi pesquisar o pr\u00f3prio pai?<\/em><\/p>\n<p><strong>Anita:<\/strong> Pesquisei a vida pol\u00edtica dele e tamb\u00e9m o Partido Comunista Brasileiro (PCB), pois se entrela\u00e7am. Tive que estudar profundamente a hist\u00f3ria do Brasil no s\u00e9culo XX e relacionar com a hist\u00f3ria mundial. Foram 11 livros publicados em diferentes per\u00edodos. Nesses \u00faltimos anos parti para escrever a biografia propriamente dita. No meu trabalho, a banca examinadora da minha tese de doutorado reconheceu que eu tinha conseguido alcan\u00e7ar objetividade. Fui criada na minha fam\u00edlia sem mitificar o meu pai.<\/p>\n<p><strong>CC:<\/strong> <em>Que pontos s\u00e3o essenciais para compreender a vida pol\u00edtica de Prestes?<\/em><\/p>\n<p><strong>Anita:<\/strong> A preocupa\u00e7\u00e3o de Prestes, desde muito jovem na Escola Militar, foi com os subordinados dele, o que n\u00e3o era comum. O que imperava no Ex\u00e9rcito era a viol\u00eancia, os castigos corporais por parte dos oficiais, extremamente autorit\u00e1rios e elitistas. Ele tinha a preocupa\u00e7\u00e3o que os soldados estudassem, queria uma vida digna para eles.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro ele criou tr\u00eas escolas: uma de alfabetiza\u00e7\u00e3o, outra para soldados e outra para sargento. Ele mesmo era o professor e dava aulas. Ningu\u00e9m fazia isso no Exercito na \u00e9poca. Quando ele foi transferido para o Rio Grande do Sul fez a mesma coisa, tanto que isso foi muito importante na prepara\u00e7\u00e3o at\u00e9 do levante da Coluna Prestes.<\/p>\n<p><strong>CC:<\/strong><em> No livro voc\u00ea detalha como surgiu o movimento tenentista nos anos 1920, o qual pretendeu, entre outras coisas, tirar do poder o presidente Artur Bernardes, que representava exclusivamente a oligarquia brasileira. A partir da\u00ed foi formada a Coluna Prestes&#8230;<\/em><\/p>\n<p><strong>Anita:<\/strong> A palavra de ordem do movimento tenentista era o voto secreto, pois a elei\u00e7\u00e3o no Brasil era totalmente fraudada. Quando Prestes participou da Coluna, na medida em que ele conheceu o interior do Brasil, se convenceu de que aquele programa n\u00e3o ia resolver os problemas do pa\u00eds, pois a mis\u00e9ria era assustadora.<\/p>\n<p>Ele achou que era preciso encontrar uma solu\u00e7\u00e3o. Encerrou a Coluna e foi para o exterior. Primeiro ficou um ano na Bol\u00edvia, depois foi para Buenos Aires, o grande centro do movimento comunista. Veio ao Brasil para dois encontros muito r\u00e1pidos, por insist\u00eancia dos tenentes que queriam que ele apoiasse o Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Era muito duro para ele n\u00e3o conseguir convencer os colegas para suas posi\u00e7\u00f5es comunistas. Ele veio com o objetivo de desmascarar Get\u00falio, mostrar que ele n\u00e3o queria fazer revolu\u00e7\u00e3o nenhuma, mas Get\u00falio era muito h\u00e1bil, prometeu at\u00e9 armas e dinheiro para o movimento.<\/p>\n<p><strong>CC:<\/strong> <em>Como est\u00e1 no livro, Prestes deixou claras suas posi\u00e7\u00f5es para Get\u00falio e este fingiu concordar?<\/em><\/p>\n<p><strong>Anita:<\/strong> Exatamente. Prestes ficou isolado, um general sem soldado. Os tenentes aderiram ao movimento liberal, depois se tornam marionetes. Alguns at\u00e9 viraram marechais, ministros de Get\u00falio e at\u00e9 da Ditadura ap\u00f3s 1964.<\/p>\n<p><strong>CC:<\/strong><em> Essa constata\u00e7\u00e3o do Prestes sobre as necessidades do povo foram a semente para o que ele se tornou dali em diante?<\/em><\/p>\n<p><strong>Anita:<\/strong> Ele chegou \u00e0 conclus\u00e3o que n\u00e3o era poss\u00edvel assistir tudo aquilo e ficar de bra\u00e7os cruzados. A partir da\u00ed, estudou o marxismo e constatou que a teoria permitiria realizar essa transforma\u00e7\u00e3o. Essa ruptura que ele faz em 1930 com os tenentes \u00e9 algo que as classes dominantes do Brasil nunca perdoaram.<\/p>\n<p>Foi um momento em que o Prestes saltou sobre a trincheira da luta de classes, abandonou qualquer possibilidade de ser uma lideran\u00e7a a servi\u00e7o da classe dominante, e se colocou ao lado dos trabalhadores, dos explorados. Ele nunca quis voltar para o Ex\u00e9rcito, tinha uma avalia\u00e7\u00e3o muito negativa e nunca aceitou a Anistia. Prestes encerrou a carreira de militar e passou a ser um pol\u00edtico revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>http:\/\/www.cartacapital.com.br\/cultura\/biografia-restaura-trajetoria-politica-de-luiz-carlos-prestes-4499.html<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cultura CARTA CAPITAL Entrevista &#8211; Anita Leoc\u00e1dia Prestes A autora, filha do biografado, fez uma reconstitui\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do pol\u00edtico que passou pelo \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9859\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-9859","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2z1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9859\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}