{"id":9884,"date":"2015-11-16T10:58:16","date_gmt":"2015-11-16T13:58:16","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9884"},"modified":"2015-12-03T11:16:55","modified_gmt":"2015-12-03T14:16:55","slug":"a-recuperacao-da-memoria-na-luta-dos-povos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9884","title":{"rendered":"A RECUPERA\u00c7\u00c3O DA MEM\u00d3RIA NA LUTA DOS POVOS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.alesc.sc.gov.br\/fotonoticia\/fotos\/2008\/Foto_02966_2008_M.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Por Miguel Urbano Rodrigues<\/p>\n<p>Os tempos que vivemos exigem um intenso combate tamb\u00e9m no terreno ideol\u00f3gico. As condi\u00e7\u00f5es desse combate s\u00e3o t\u00e3o duras e desiguais como em qualquer outro \u00e2mbito da luta de classes. E s\u00e3o agravadas pela forma como a classe dominante n\u00e3o s\u00f3 tenta reescrever a hist\u00f3ria como procura eliminar da mem\u00f3ria dos trabalhadores e dos povos a sua \u00e1rdua luta milenar, motor da hist\u00f3ria.<!--more--><\/p>\n<p>H\u00e1 mil\u00e9nios que as classes dominantes se esfor\u00e7am por modelar a mentalidade dos povos de acordo com os seus interesses.<\/p>\n<p>Essa tentativa j\u00e1 \u00e9 identific\u00e1vel nas velhas civiliza\u00e7\u00f5es do Mediterr\u00e2neo e do M\u00e9dio Oriente e na India e na China. E ao longo dos seculos foi uma constante. Manifestou-se nas guerras religiosas e nas monarquias de \u00abdireito divino\u00bb.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789, ao destruir a ordem tradicional, imp\u00f4s uma nova estrutura de classes. A rea\u00e7\u00e3o foi r\u00e1pida e demolidora. O Thermidor assinalou em Fran\u00e7a o fim da breve fase revolucion\u00e1ria que abalara o mundo.<\/p>\n<p>A burguesia, encastelada no poder, modernizou a sociedade, eliminando o feudalismo. Mas, ao assumir o papel de dire\u00e7\u00e3o antes detido pela nobreza e pelo clero, reprimiu com dureza todas as tentativas das massas populares para dar continuidade \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o travada e golpeada.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante o desenvolvimento galopante do capitalismo, as sementes do terremoto politico, social e econ\u00f3mico de 1789 sobreviveram. A burguesia n\u00e3o conseguiu destrui-las e o bin\u00f3mio antin\u00f3mico revolu\u00e7\u00e3o-contrarrevolu\u00e7\u00e3o marcou dramaticamente o rumo da Historia na Europa e noutros continente. Recorrendo a m\u00e9todos que variaram de pa\u00eds para pa\u00eds, foi permanente o esfor\u00e7o do capitalismo para impor a sua ideologia \u00e0s v\u00edtimas do sistema, anestesiando a sua combatividade.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia foi levada adiante com \u00eaxito maior ou menor em muitos casos; fracassou noutros, contida pela vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de Outubro de l917.<\/p>\n<p>Na segunda metade do seculo XX, o imperialismo, hegemonizado pelos Estados Unidos, ampliou o seu projeto de domina\u00e7\u00e3o mundial. Para o grande capital a tarefa de neutralizar o \u00edmpeto revolucion\u00e1rio das massas oprimidas tornou-se priorit\u00e1ria. Utilizando com habilidade a engrenagem medi\u00e1tica por ele controlada, tudo fez para reescrever a Hist\u00f3ria. Diabolizou aqueles que n\u00e3o se submetiam \u00e0s suas exig\u00eancias e destruidoras guerras de saque foram apresentadas como iniciativas humanit\u00e1rias em defesa das liberdades e da democracia.<\/p>\n<p>Transmutar as grandes maiorias numa massa amorfa e passiva passou a ser meta; a cria\u00e7\u00e3o do homem robotizado e inofensivo foi considerada imprescind\u00edvel \u00e0 sobreviv\u00eancia do capitalismo.<\/p>\n<p>O CHILE, LABORAT\u00d3RIO DA ESTRAT\u00c9GIA IMPERIAL<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os exemplos das consequ\u00eancias desastrosas dessa criminosa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>Os efeitos tr\u00e1gicos das guerras imperiais deste seculo s\u00e3o bem conhecidos.<\/p>\n<p>Um pouco esquecidos, mas n\u00e3o menos esclarecedores, s\u00e3o os resultados da atua\u00e7\u00e3o maquiav\u00e9lica &#8211; \u00e9 a palavra adequada &#8211; dos EUA em pa\u00edses que Washington encarou como cobaias para a transforma\u00e7\u00e3o da atitude perante a vida de uma sociedade.<\/p>\n<p>O caso do Chile \u00e9 paradigm\u00e1tico.<\/p>\n<p>Acompanhei com absorvente interesse no \u00faltimo meio seculo a evolu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e do seu povo.<\/p>\n<p>Estava em Santiago no dia da investidura de Salvador Allende na Presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Estive ali em 1971 e 73, assumindo como minha a luta das for\u00e7as progressistas em defesa da Unidade Popular amea\u00e7ada pela cadeia ininterrupta de conspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Voltei 15 anos depois, ainda durante o consulado de Pinochet para participar em Chile Crea uma iniciativa internacional de duzentos amigos do povo chileno que a ditadura n\u00e3o ousara proibir. Foi triste o reencontro com o povo da capital.<\/p>\n<p>A universidade fora destru\u00edda, os sindicatos fechados, a comunica\u00e7\u00e3o social enaltecia o regime, os genocidas, instalados no poder, orgulhavam-se dos crimes cometidos.<\/p>\n<p>Reencontrei um povo que tinha perdido a alegria de viver.<\/p>\n<p>Voltei em l989 para acompanhar as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Pinochet esperava que o seu candidato, apoiado pela m\u00e1quina oficial, seria eleito. Mas perdeu.<br \/>\nVivi feliz, em Santiago, ao lado de Volodia Teitelboim &#8211; gigante da literatura que n\u00e3o recebeu o Nobel por ter sido secret\u00e1rio-geral do Partido Comunista &#8211; a jornada da derrota de uma ditadura que agonizava.<\/p>\n<p>Voltei outras vezes. A \u00faltima em 2003, a convite de Gladys Marin, ent\u00e3o secret\u00e1ria-geral do PC do Chile, para participar no Semin\u00e1rio Allende Vive, promovido para uma reflex\u00e3o coletiva tr\u00eas d\u00e9cadas apos a morte do grande revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Visitei diferentes cidades, falei com dirigentes pol\u00edticos e sindicais, com escritores, oper\u00e1rios, acad\u00e9micos, jovens e mulheres comunistas.<\/p>\n<p>Conclui que a combativa, mas pequena vanguarda que se mantinha fiel aos princ\u00edpios e valores do socialismo tinha uma influ\u00eancia muito limitada sobre e a massa da classe operaria.<\/p>\n<p>Repetiu-se a sensa\u00e7\u00e3o de mal-estar. Senti que Volodia \u2013 com quem mantive uma longa conversa- enunciava uma evid\u00eancia muito dolorosa ao afirmar que o povo chileno perdera a mem\u00f3ria e tardaria a recuper\u00e1-la.<\/p>\n<p>A democracia fora formalmente restabelecida. Mas somente a fachada era democr\u00e1tica. O Chile vivia ent\u00e3o sob um regime que era na pr\u00e1tica um \u00abpinochetismo sem Pinochet\u00bb.<\/p>\n<p>O antigo Partido Socialista, instalado no governo no quadro da Concertaci\u00f3n, coliga\u00e7\u00e3o que inclu\u00eda a Democracia Crist\u00e3 e outros partidos conservadores, apoiava a pol\u00edtica do presidente Ricardo Lagos, um socialista que governava como neoliberal.<\/p>\n<p>Impressionou-me a apatia da nova gera\u00e7\u00e3o. Quando chamava a aten\u00e7\u00e3o para a desigualdade social e a pobreza de milh\u00f5es de chilenos respondiam\u00ad-me que a taxa de crescimento da economia era elevada e o PIB per capita o mais alto da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Jovens licenciados com quem falei desconheciam a hist\u00f3ria recente do pa\u00eds. E n\u00e3o mostravam interesse por ela. Encontrei uma gera\u00e7\u00e3o sem mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>O imperialismo e a ditadura militar ar por ele tutelada atingiu no Chile um dos seus grandes objetivos.<\/p>\n<p>Michele Bachelet, a atual presidente, mascarada de socialista, pratica tamb\u00e9m uma pol\u00edtica neoliberal.<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria \u2013 sem o conhecimento do passado n\u00e3o se pode entender o presente &#8211; ser\u00e1 certamente lenta e dif\u00edcil.<\/p>\n<p>O Chile \u00e9, repito, um paradigma dos efeitos catastr\u00f3ficos da estrat\u00e9gia do imperialismo.<\/p>\n<p>Mas a perda de mem\u00f3ria hist\u00f3rica de uma ou duas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o ocorreu somente no Chile.<\/p>\n<p>A ofensiva do grande capital para criar uma juventude robotizada, inofensiva, submissa, atinge dezenas de pa\u00edses.<\/p>\n<p>Na Europa comunit\u00e1ria as exce\u00e7\u00f5es s\u00e3o poucas.<\/p>\n<p>Lenine lembrava que a ideologia da classe dominante marca decisivamente o comportamento global de uma sociedade.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida tamb\u00e9m para Portugal. As novas gera\u00e7\u00f5es tem pouco de comum com aquela que tornou poss\u00edvel Abril e as suas conquistas revolucion\u00e1rias (odiario.info,7,10.15). A ideologia do capitalismo contaminou ali\u00e1s em maior ou menor grau, independentemente da idade, muitos portugueses que n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia dessa realidade.<\/p>\n<p>Ajuda-los a recuperar a mem\u00f3ria hist\u00f3rica \u00e9 uma tarefa revolucion\u00e1ria. Porque, sobretudo \u00e0 juventude, cabe a constru\u00e7\u00e3o de um futuro que responda \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es profundas do nosso povo tao exemplarmente assumidas por \u00c1lvaro Cunhal e Vasco Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p><em>Vila Nova de Gaia,12 de Novembro de 2015<\/em><\/p>\n<blockquote data-secret=\"wsklIaq0C1\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3829\">Roda de imprensa em Havana: As FARC falam mais de pol\u00edtica do que nunca<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3829\/embed#?secret=wsklIaq0C1\" data-secret=\"wsklIaq0C1\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Roda de imprensa em Havana: As FARC falam mais de pol\u00edtica do que nunca&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Miguel Urbano Rodrigues Os tempos que vivemos exigem um intenso combate tamb\u00e9m no terreno ideol\u00f3gico. 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