{"id":9888,"date":"2015-11-16T11:40:17","date_gmt":"2015-11-16T14:40:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9888"},"modified":"2015-12-03T11:16:56","modified_gmt":"2015-12-03T14:16:56","slug":"o-horror-em-paris-e-diferente-ao-da-siria-iraque-palestina-e-libano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9888","title":{"rendered":"O horror em Paris \u00e9 diferente ao da S\u00edria, Iraque, Palestina e L\u00edbano?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"167\" width=\"300\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/unnamed82-300x167.jpg?resize=300%2C167\" alt=\"imagem\" \/><em>Nota dos Editores (p\u00e1gina do PCB): O autor levanta uma hip\u00f3tese fact\u00edvel sobre os atentados em Paris, interpretando-os como uma ofensiva jihadista. Mas n\u00e3o podemos descartar tratar-se de auto-atentados, sob falsa bandeira, expediente fartamente utilizado pelo colonialismo e o imperialismo em s\u00e9culos de saque, viol\u00eancia e explora\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0s consequ\u00eancias, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas: independente da autoria, o verdadeiro Eixo do Mal (EUA e OTAN, com seus aliados Israel, Ar\u00e1bia Saudita e Turquia) se valer\u00e1 dos atentados para promover mais guerras, mais repress\u00e3o, xenofobia e fascistiza\u00e7\u00e3o.<\/em><!--more--><\/p>\n<hr \/>\n<p>Por Carlos Azn\u00e1rez<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano\/ 14 de novembro de 2015 \u2013\u00a0Outra vez Paris se converteu em um campo de batalha. Dezenas de mortos, centenas de feridos e os discursos de resposta do governo franc\u00eas frente ao ataque jihadista s\u00e3o os mesmos escutados nos Estados Unidos e na Espanha quando a\u00e7\u00f5es similares geraram id\u00eanticos massacres. Frente ao horror se quer responder com mais horror. Fala-se nas manchetes dos principais meios com total clareza que, \u201cagora sim come\u00e7ou a guerra\u201d, ou se alimenta a ideia (em forma direta ou dissimulada) de que o mundo \u00e1rabe e mu\u00e7ulmano atenta contra a sacrossanta democracia francesa, mesmo sabendo que quase a totalidade dessa coletividade repudia o ISIS e seus protetores.<\/p>\n<p>Tem muita raz\u00e3o o presidente s\u00edrio Bashar Al Assad quando, depois de declarar pesar pelas v\u00edtimas dos atentados, lembra que \u201ca Fran\u00e7a conheceu ontem o que vivemos na S\u00edria h\u00e1 cinco anos\u201d. E diz precisamente que em in\u00fameras ocasi\u00f5es tentou \u2013 como antes tinha dito o l\u00edder l\u00edbio Kadaff \u2013 convencer os governantes franceses a n\u00e3o armarem, equiparem logisticamente e financiarem com milh\u00f5es de d\u00f3lares os ex\u00e9rcitos mercen\u00e1rios que semeiam o terror, a morte e o desesperado desterro de centenas de milhares de s\u00edrios e iraquianos. Em cada ocasi\u00e3o que esta mensagem ressoava nos f\u00f3runs internacionais, a posi\u00e7\u00e3o francesa sempre foi a mesma: ratificar sua cren\u00e7a de que exportando a guerra, aliando-se \u00e0 OTAN e subordinando-se ante o mandato imperial monitorado por Washington, \u201co problema s\u00edrio\u201d, ou seja, o t\u00e3o alentado enfraquecimento de Al Assad, ia ser resolvido.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que, como ocorreu com os governantes direitistas espanh\u00f3is em 11 de mar\u00e7o de 2004, o tiro saiu pela culatra. Nessa ocasi\u00e3o, o jihadismo, ao qual a Espanha e sua alian\u00e7a com a OTAN quiseram combater mediante sua presen\u00e7a no Iraque e Afeganist\u00e3o, decidiu responder com o mesmo rem\u00e9dio, e como em Paris agora, os que pagam pelas a\u00e7\u00f5es dos poderosos sempre s\u00e3o os cidad\u00e3os comuns, cuja \u00fanica culpabilidade, se \u00e9 que podemos dizer assim, talvez seja votar e catapultar \u00e0 presid\u00eancia esses assassinos seriais que depois os condenam \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Agora, como ocorreu no mesmo cen\u00e1rio com o massacre de Charlie Hebdo, volta a se sentir as t\u00e3o repetidas considera\u00e7\u00f5es hip\u00f3critas. Mais uma vez, os chef\u00f5es europeus prometem mais medidas repressivas, mais censura, mais fabrica\u00e7\u00e3o de armamento para alimentar interven\u00e7\u00f5es b\u00e9licas. Juram que \u201choje somos Fran\u00e7a\u201d, em vez de prometer ante as v\u00edtimas: \u201cN\u00f3s sairemos da OTAN\u201d.<\/p>\n<p>Com essas e outras atitudes similares, deixam exposto que junto com os assassinos de um jihadismo que n\u00e3o representa de nenhuma maneira o isl\u00e3, eles \u2013 os Hollande, Sarkozy, Rajoy, Merkel e aqueles que patrocinam a partir do Pent\u00e1gono, s\u00e3o os principais respons\u00e1veis por estas a\u00e7\u00f5es b\u00e1rbaras. Alimentam-nas perseguindo at\u00e9 a exaust\u00e3o os mu\u00e7ulmanos da periferia de Paris e das diversas cidades francesas, negando a eles o uso de recintos para fazer suas ora\u00e7\u00f5es ou gerando invas\u00e3o das mesquitas, onde era comum praticar pacificamente seu direito \u00e0 reza. Ali, s\u00e3o exemplo as leis que pro\u00edbem desde 2011 o uso do v\u00e9u e tamb\u00e9m da saia isl\u00e2mica e da burca nos espa\u00e7os p\u00fablicos, n\u00e3o obrigando da mesma maneira cidad\u00e3os franceses que comungam o juda\u00edsmo, segregando o mundo isl\u00e2mico e exibindo-o ante a sociedade francesa como \u201co inimigo\u201d, da mesma maneira que Israel faz com os palestinos h\u00e1 mais de seis d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 segredo para ningu\u00e9m e menos para os desvalorizados Servi\u00e7os da Intelig\u00eancia francesa, que muitos dos humilhados, desempregados e perseguidos por leis draconianas e racistas que habitavam na \u201cBanlieue\u201d parisiense, foram cooptados primeiro pela Frente Al Nusra e, depois, diretamente pelo ISIS para que participassem da experi\u00eancia de semear o terror na S\u00edria e Iraque. O mais paradoxal \u00e9 que sa\u00edram do territ\u00f3rio franc\u00eas em in\u00fameras ocasi\u00f5es com a aprova\u00e7\u00e3o de um governo que os sentiu como seus \u201csoldados avan\u00e7ados\u201d. Nesse momento, os massacres que esses mercen\u00e1rios empreendiam em Mossul, Raqqa, Aleppo, Homs ou em Palmira, n\u00e3o preocupavam Sarkozy nem Hollande. Eram \u201cdanos colaterais\u201d distantes da comodidade parisiense que at\u00e9 esse momento parecia blindada, inviol\u00e1vel. Tamb\u00e9m nada disseram de importante sobre o sangrento atentado cometido esta semana no L\u00edbano e certamente muito festejado em Tel Aviv e na Casa Branca, j\u00e1 que nessa ocasi\u00e3o a matan\u00e7a ocorria em um bairro controlado pelo Hezbolah. Neste caso, os mortos eram t\u00e3o \u00e1rabes como os palestinos assassinados nestes dias na Cisjord\u00e2nia ou em Gaza, cujos nomes n\u00e3o contam para as grandes m\u00eddias, como tampouco a dor de seus familiares ou as imagens dantescas de suas casas arrasadas.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o tem outro nome: duas medidas, pr\u00e1xis mentirosa, \u00f3dio ao diferente.<\/p>\n<p>O que agora ocorreu em Paris tem tamb\u00e9m outra explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o menos importante. Nos \u00faltimos meses no cen\u00e1rio s\u00edrio ocorreu um fato que mudou a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. A R\u00fassia decidiu intervir, a pedido de um governo e um povo assediados pelo terror, e o fez \u00e0 sua maneira, obtendo \u00eaxitos imediatos na luta contra o ISIS e demonstrando que todas as a\u00e7\u00f5es anteriores, propagandeadas pela OTAN e os Estados Unidos, tinham sido uma farsa gigantesca.<\/p>\n<p>Golpeado em suas principais bases, destru\u00eddos muitos de seus dep\u00f3sitos de armas e sentindo-se tra\u00eddos por aqueles que os acolheram na Ar\u00e1bia Saudita, Turquia e pa\u00edses ocidentais, muitos dos mercen\u00e1rios optaram por retornar a seus locais de origem, entre eles os europeus. Tanto \u00e9 assim, que esse \u201cretorno\u201d foi antecipado por alguns analistas franceses, que asseguravam que \u201cagora o perigo pode estourar em nossos pr\u00f3prios p\u00e9s\u201d.<\/p>\n<p>Disso se trata precisamente esta repudi\u00e1vel vingan\u00e7a jihadista, que mais al\u00e9m do falso pranto daqueles que os governam, deveria ser um chamado urgente para que a sociedade francesa, como outras do continente europeu, decida question\u00e1-los e exigir que abandonem suas ideias expansionistas, intervencionistas e autorit\u00e1rias. Que cessem os comportamentos xen\u00f3fobos, como os que a poucas horas de ocorrer estes atentados, j\u00e1 geraram o inc\u00eandio de um campo de imigrantes refugiados em Calais. Que olhem aqueles que fogem das guerras provocadas pela OTAN, como irm\u00e3os e n\u00e3o como inimigos. Que se voltem para os comportamentos humanit\u00e1rios e n\u00e3o busquem desculpas, entendendo que somente existem homens e mulheres que querem ser tratados como tais e n\u00e3o como cidad\u00e3os de segunda classe.<\/p>\n<p>Talvez estas circunst\u00e2ncias marcadas pela dor possam servir de ponto de inflex\u00e3o, a fim de buscar um ponto de in\u00edcio diferente. Se isto n\u00e3o acontecer, como parece prov\u00e1vel pelo visto, ningu\u00e9m, absolutamente ningu\u00e9m ter\u00e1 direito de se perguntar, quando o horror se repetir: \u201cPor que n\u00f3s&#8230;?\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/11\/14\/especial-atentados-en-francia-el-horror-en-paris-es-diferente-al-de-siria-iraq-palestina-y-el-libano-por-carlos-aznarez-y-otras-informaciones-sobre-lo-ocurrido-en-paris\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nota dos Editores (p\u00e1gina do PCB): O autor levanta uma hip\u00f3tese fact\u00edvel sobre os atentados em Paris, interpretando-os como uma ofensiva jihadista. 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