{"id":9926,"date":"2015-11-23T13:46:53","date_gmt":"2015-11-23T16:46:53","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9926"},"modified":"2015-12-16T19:58:57","modified_gmt":"2015-12-16T22:58:57","slug":"morre-zilda-xavier-pereira-revolucionaria-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9926","title":{"rendered":"Morre Zilda Xavier Pereira, revolucion\u00e1ria brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/UtMANLuFsfCCdr5pT6Q47FwNInOv8-_frnqOYvg27k4=w1366-h768\" alt=\"imagem\" \/>Faleceu em Bras\u00edlia no dia de ontem (22\/11\/2015), Zilda Xavier Pereira, justamente quando completaria 90 anos de idade. Zilda foi uma das mais destacadas militantes da luta contra a ditadura, a mais importante dirigente mulher da ALN, A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional. Segundo o jornalista M\u00e1rio Magalh\u00e3es, bi\u00f3grafo de Marighella, Zilda foi um dos tr\u00eas dirigentes mais poderosos da ALN, ao lado de Marighella e Joaquim C\u00e2mara Ferreira.<!--more--><\/p>\n<p>Zilda nasceu, em 22 de novembro de 1925, em Recife. Seu pai era ferrovi\u00e1rio e sua m\u00e3e, dona de casa. Foi para o Rio de Janeiro, aos 16 anos, em companhia de suas duas irm\u00e3s mais novas, para morar com a irm\u00e3 mais velha, que ali j\u00e1 residia. A exemplo de muitos jovens de sua gera\u00e7\u00e3o, filiou-se ao Partido Comunista (PCB), em maio de 1945, momento em que os comunistas lideravam as lutas dos trabalhadores e das camadas populares contra o Estado Novo, a ditadura de Vargas que vivia seus instantes finais.<\/p>\n<p>Quando o PCB foi declarado ilegal em fun\u00e7\u00e3o dos efeitos da Guerra Fria e do acirramento da luta de classes no Brasil, Zilda passou a adotar o nome de guerra \u201cZ\u00e9lia\u201d, em homenagem \u00e0 camarada Z\u00e9lia Magalh\u00e3es, assassinada pela pol\u00edcia em maio de 1946, durante manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica convocada para o Largo da Carioca, Centro do Rio. Ativa militante na c\u00e9lula do Partido em Bento Ribeiro, Zilda foi fichada, pela primeira vez, em 1948, no Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS).<\/p>\n<p>Ela foi uma das fundadoras da Liga Feminina do antigo Estado da Guanabara, organiza\u00e7\u00e3o feminista ligada ao PCB, onde assumiu a secretaria executiva. Foi tamb\u00e9m dirigente do Comit\u00ea Estadual do PCB, quando ent\u00e3o conheceu Carlos Marighella. A Liga foi invadida e fechada pelos agentes da ditadura imposta pelo Golpe de 1964. Temendo pela seguran\u00e7a de sua fam\u00edlia, Zilda encaminhou cada um de seus tr\u00eas filhos (Iuri, Alex e Iara) para casas diferentes e passou a viver na clandestinidade.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da ruptura de Carlos Marighella com o PCB, Zilda e outros militantes acompanham o revolucion\u00e1rio baiano na funda\u00e7\u00e3o da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional em 1966, organiza\u00e7\u00e3o na qual assumiu papel protagonista, sendo respons\u00e1vel pela estrutura dos grupos guerrilheiros enviados para treinamento em Cuba e pela estadia dos militantes que retornavam ao Brasil. Tamb\u00e9m fizeram parte da organiza\u00e7\u00e3o o ex-marido de Zilda, Jo\u00e3o Batista, e os filhos.<\/p>\n<p>Ela foi presa no Rio, em 20 de janeiro de 1970, sendo levada inicialmente ao 1\u00ba Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, na Rua Bar\u00e3o de Mesquita, Tijuca, onde funcionava o DOI-CODI e, depois, transferida para o Batalh\u00e3o dos Ca\u00e7adores. Foi muito torturada, mas nenhuma informa\u00e7\u00e3o lhe foi arrancada pelos torturadores, como comprova a leitura de seu depoimento no Ex\u00e9rcito. Segundo entrevista concedida por ela mais tarde, nada disse para n\u00e3o trair a mem\u00f3ria de Marighella, assassinado pela repress\u00e3o no anterior \u00e0 pris\u00e3o de Zilda.<\/p>\n<p>Simulou um surto de loucura e conseguiu ser transferida para o Hospital do Ex\u00e9rcito e, em seguida, para o Pinel, em Botafogo. Os m\u00e9dicos e os enfermeiros a ajudaram, mantendo-a ali, mesmo depois de descobrirem que ela n\u00e3o era louca. Quando as autoridades anunciaram sua transfer\u00eancia para o Hospital Psiqui\u00e1trico Pedro II, arquitetou e concretizou, em 1\u00ba de maio de 1970, sua fuga do Pinel, contando mais uma vez com a ajuda de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Exilada, soube das mortes de seus filhos Alex, com 22 anos, e de Iuri, 23. Logo em seguida, foi assassinado o tamb\u00e9m guerrilheiro Arnaldo Cardoso Rocha (23 anos), companheiro da filha Iara, que estava gr\u00e1vida. Zilda orgulhava-se de n\u00e3o ter entregado nenhum militante durante o per\u00edodo em que ficou presa. Disse certa vez: \u201cComo \u00e9 que eu ia mostrar a cara para os meus filhos e para os meus companheiros que tamb\u00e9m estavam lutando contra a ditadura? Se aparecer algu\u00e9m dizendo que entreguei algu\u00e9m, vou at\u00e9 hoje l\u00e1 para desmentir. Sofri, mas com dignidade revolucion\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Em rever\u00eancia \u00e0 dignidade de Zilda Xavier Pereira, o PCB se une a todos os militantes revolucion\u00e1rios brasileiros, prestando justa homenagem \u00e0 mem\u00f3ria desta lutadora, exemplo de coragem no enfrentamento \u00e0 sanguin\u00e1ria ditadura brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Faleceu em Bras\u00edlia no dia de ontem (22\/11\/2015), Zilda Xavier Pereira, justamente quando completaria 90 anos de idade. 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