{"id":9942,"date":"2015-11-26T13:59:26","date_gmt":"2015-11-26T16:59:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9942"},"modified":"2015-12-16T19:59:28","modified_gmt":"2015-12-16T22:59:28","slug":"ex-agente-duplo-conta-como-a-cia-promove-guerras-nao-violentas-para-implodir-governos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9942","title":{"rendered":"Ex-agente duplo conta como a CIA promove \u2018guerras n\u00e3o violentas\u2019 para implodir governos"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/u2029\/20151028-jornal-sul21-gs-281015-8866-12.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Marco Weissheimer<\/p>\n<p>Cuba procura normalizar as rela\u00e7\u00f5es com os EUA. Mas conhece bem o interlocutor com que est\u00e1 a lidar. Esta hist\u00f3ria \u00e9 uma de muitas outras poss\u00edveis: entre 2004 e 2011, o escritor e professor cubano Ra\u00fal Antonio Capote Fern\u00e1ndez actuou, a pedido dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es cubanos, como agente duplo infiltrado na CIA. Foi contactado muito jovem por<!--more--> pessoas ligadas \u00e0 ag\u00eancia norte-americana e convidado a participar de um projecto que pretendia criar uma \u201coposi\u00e7\u00e3o de novo tipo\u201d em Cuba, capaz de, ap\u00f3s o desaparecimento de Fidel Castro, iniciar uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o suave\u201d que acabasse por derrubar o governo de Havana.<\/p>\n<p>Entre 2004 e 2011, o escritor e professor cubano Ra\u00fal Antonio Capote Fern\u00e1ndez atuou, a pedido da intelig\u00eancia cubana, como agente duplo infiltrado na CIA. Ra\u00fal Capote foi contatado muito jovem por pessoas ligadas \u00e0 ag\u00eancia de intelig\u00eancia norte-americana e convidado a participar de um projeto que pretendia criar uma \u201coposi\u00e7\u00e3o de novo tipo\u201d em Cuba, capaz de, ap\u00f3s o desaparecimento de Fidel Castro, iniciar uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o suave\u201d que acabasse por derrubar o governo de Havana. A sua miss\u00e3o era formar l\u00edderes universit\u00e1rios e criar o projeto \u201cGenesis\u201d, com o objetivo de estabelecer em Cuba a estrat\u00e9gia do \u201cgolpe suave\u201d, elaborada por autores como Gene Sharp.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Sul21, Ra\u00fal Capote conta essa experi\u00eancia, relata como ela fracassou em Cuba e diz que ela j\u00e1 foi aplicada em pa\u00edses como Venezuela, Ir\u00e3 e L\u00edbia e que segue sendo implementada em diversas regi\u00f5es do mundo. \u201cA ideia da guerra n\u00e3o violenta consiste em ir solapando os pilares de um governo at\u00e9 que ele imploda. O objetivo n\u00e3o \u00e9 fazer com que um governo renuncie. Se isso acontecer, o projeto fracassou. A ideia \u00e9 que o governo imploda e que isso cause caos. Com o pa\u00eds em caos, \u00e9 poss\u00edvel recorrer a meios mais extremos\u201d, assinala.<\/p>\n<p>Ra\u00fal Capote veio a Porto Alegre a convite da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Jos\u00e9 Mart\u00ed\/RS para participar de uma s\u00e9rie de encontros e debates. Ele mant\u00e9m o blog El Advers\u00e1rio Cubano, onde conta outros detalhes sobre essa hist\u00f3ria e sobre outras \u201cguerras n\u00e3o violentas\u201d em curso no planeta.<\/p>\n<p>Sul21: Como \u00e9 que voc\u00ea come\u00e7ou a trabalhar com assuntos de seguran\u00e7a em Cuba e sob que circunst\u00e2ncias se tornou um agente duplo, atuando infiltrado na CIA?<br \/>\nRa\u00fal Capote:\u00a0Isso come\u00e7ou em 1986. Eu era um jovem inquieto e rebelde que fazia parte de uma organiza\u00e7\u00e3o chamada Associa\u00e7\u00e3o Hermanos Saiz, que agrupava jovens poetas, pintores e escritores. Esse esp\u00edrito rebelde para n\u00f3s era algo muito natural. Fomos ensinados a ser assim. Creio que os servi\u00e7os especiais norte-americanos confundiram esse esp\u00edrito de rebeldia com um esp\u00edrito de poss\u00edvel oposi\u00e7\u00e3o ao sistema. Eles come\u00e7aram a se aproximar de n\u00f3s. Eu vivia em Cienfuegos, no centro-sul de Cuba, uma cidade que tinha uma import\u00e2ncia estrat\u00e9gica nesta \u00e9poca porque a revolu\u00e7\u00e3o queria convert\u00ea-la num centro industrial para o pa\u00eds. Havia muitas obras em constru\u00e7\u00e3o, entre elas uma central Eletronuclear e f\u00e1bricas de todo tipo. Era uma cidade muito jovem e onde trabalhavam muitos cubanos que tinham se formado na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e em outros pa\u00edses do campo socialista. Creio que essa conjuntura de ser uma cidade jovem e industrial, com muitos jovens interessados em temas da cultura, da pol\u00edtica e da economia, chamou a aten\u00e7\u00e3o da CIA.<\/p>\n<p>Eles come\u00e7aram a se aproximar de n\u00f3s por meio de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais. A primeira pessoa que veio falar conosco foi Denis Reichler, um jornalista freelancer da revista Paris Match, que para n\u00f3s era uma esp\u00e9cie de \u00eddolo do jornalismo esportivo. O que admir\u00e1vamos nele era sua atua\u00e7\u00e3o como jornalista que havia estado na \u00c1frica e em muitos outros lugares. Era uma refer\u00eancia positiva para se aproximar de um grupo de jovens t\u00e3o rebelde. Ele nos colocou em contato com organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais que, supostamente, estavam interessadas em financiar projetos art\u00edsticos em Cuba. Nos colocou em contato com pessoas que come\u00e7aram a planejar ajuda econ\u00f4mica e a trabalhar conosco, em um processo de aproxima\u00e7\u00e3o que buscava ganhar a nossa confian\u00e7a. \u00c9ramos jovens e est\u00e1vamos come\u00e7ando a fazer literatura ou artes pl\u00e1sticas. Ainda n\u00e3o t\u00ednhamos nenhuma obra, s\u00f3 tentativas.<\/p>\n<p>Era um processo de aproxima\u00e7\u00e3o feito com muita cautela e sem pressa. Neste per\u00edodo, a Seguran\u00e7a de Estado cubana entrou em contato comigo, me explicou o que estava acontecendo, que aquelas pessoas n\u00e3o pertenciam, de fato, a organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e quais eram as suas reais inten\u00e7\u00f5es. Isso me dava tr\u00eas possibilidades. A primeira era seguir trabalhando com eles. A segunda era interromper o trabalho e o contato com eles. E a terceira possibilidade, que me foi proposta pela seguran\u00e7a cubana, era seguir trabalhando com eles, converter-me em um agente da seguran\u00e7a cubana e tratar de decifrar quais eram os planos dessas pessoas no mundo da cultura e das artes, especialmente junto \u00e0 juventude.<\/p>\n<p>Sul21: Esse contato com a ag\u00eancia de seguran\u00e7a cubana e o trabalho que se seguiu da\u00ed aconteceram ainda em 1986?<br \/>\nRa\u00fal Capote:\u00a0Sim, em 1986. Para mim era algo extraordin\u00e1rio. Nos anos 80, existia na sociedade cubana toda uma m\u00edstica sobre o trabalho da seguran\u00e7a cubana, que sempre foi muito popular. Havia uma hist\u00f3ria legend\u00e1ria sobre ela, que tinha frustrado planos da CIA contra Cuba. Pertencer a essa organiza\u00e7\u00e3o me pareceu algo maravilhoso. N\u00e3o avaliava, ent\u00e3o, o qu\u00e3o complicado seria o trabalho que eu teria que enfrentar nem a quantidade de ren\u00fancias que eu teria que fazer. Eu tinha 20 anos quando comecei esse trabalho. Foi um longo processo. Houve um momento em que ocorreu uma interrup\u00e7\u00e3o desse movimento de aproxima\u00e7\u00e3o feito pelos inimigos de Cuba. Em 1987, houve uma grande den\u00fancia p\u00fablica. Mais de 30 agentes da seguran\u00e7a cubana expuseram o trabalho de quase 96 oficiais da CIA que estavam atuando dentro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Isso fez com que a CIA se tornasse mais cautelosa e tomasse algumas precau\u00e7\u00f5es. Passaram-se ent\u00e3o alguns anos de contato muito leve por meio de algum jornalista ou de um representante de uma ong. Em 1994 eu fui morar em Havana e passei a trabalhar como organizador do sindicato de trabalhadores da cultura na cidade. Era uma mudan\u00e7a radical em muitos sentidos. At\u00e9 ent\u00e3o eu trabalhava com um universo de 3 ou 4 mil jovens e passei a dirigir 40 mil trabalhadores da cultura. Isso me tornou um alvo ainda mais interessante para a CIA. Eu era l\u00edder de um sindicato onde estavam praticamente todos os trabalhadores da cultura \u2013 artistas, m\u00fasicos, escritores. Era um sindicato muito forte. A\u00ed os contatos voltaram.<\/p>\n<p>Eles passaram a me visitar com um plano mais complicado. Come\u00e7aram a falar em dar informa\u00e7\u00f5es sobre como se movia esse mundo da cultura, sobre como os jovens viam a Revolu\u00e7\u00e3o naquele momento, etc. Esse processo vai se incrementando com o passar dos anos at\u00e9 2004. Neste per\u00edodo, entramos em contato com associa\u00e7\u00f5es e funda\u00e7\u00f5es mais vinculadas com o governo dos Estados Unidos como a Usaid e a Funda\u00e7\u00e3o Panamericana para o Desenvolvimento. Em 2004 come\u00e7ou ent\u00e3o o processo do meu recrutamento pela CIA. Neste ano, conheci muitos oficiais da ag\u00eancia, inclusive aquele que seria meu chefe mais tarde.<\/p>\n<p>Sul21: Conheceu esses oficiais da CIA em Cuba mesmo?<br \/>\nRa\u00fal Capote:\u00a0Sim, em Cuba. Em 2004, ent\u00e3o, eles me recrutam e eu me converto em um agente da CIA com uma tarefa muito espec\u00edfica. Minha tarefa n\u00e3o era fazer espionagem, at\u00e9 porque eu n\u00e3o tinha acesso mesmo a informa\u00e7\u00f5es muito importantes, ou praticar a\u00e7\u00f5es encobertas ou atos terroristas, como normalmente faziam em Cuba. O meu trabalho era promover a guerra cultural, a guerra no terreno das ideias, que eles definem muito bem ao chamar de guerra cultural. N\u00f3s usamos express\u00f5es complicadas para isso como subvers\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica ou algo do g\u00eanero. Eles simplificam. \u00c9 guerra cultural mesmo. O que eu n\u00e3o imaginava era chegar a conhecer o quanto de verdade havia no controle real que a CIA tem sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o e a ind\u00fastria cultural nos Estados Unidos e no mundo inteiro. Descobri que isso existe de fato, n\u00e3o \u00e9 teoria da conspira\u00e7\u00e3o como alguns acreditam.<\/p>\n<p>A CIA utiliza o cinema, as r\u00e1dios, as televis\u00f5es os jornais e outros canais a partir de um plano pr\u00e9vio. A ag\u00eancia criou um departamento que se especializou neste tipo de guerra cultural. Eu entrei neste mundo e conheci muitas pessoas que trabalhavam nele. Em 2005, eu me converti em chefe de um projeto espec\u00edfico da CIA em Cuba, chamado de Projeto G\u00eanesis.<\/p>\n<p>Sul21: Voc\u00ea chegou a ir aos Estados Unidos para fazer algum tipo de treinamento especial ou para reuni\u00f5es?<br \/>\nRa\u00fal Capote:\u00a0Sim, tive contato direto com eles. O G\u00eanesis era um projeto muito bem pensado e que me permitiu conhecer tamb\u00e9m como a CIA estava trabalhando na Am\u00e9rica Latina com a mesma ideia de guerra cultural. Esse projeto n\u00e3o foi uma novidade cubana, mas sim o resultado de um trabalho realizado pelos Estados Unidos em muitas regi\u00f5es da Am\u00e9rica Latina. Ele come\u00e7ou a ser implementado no processo de transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na Am\u00e9rica Latina, no Chile e em muitos outros lugares. Essa experi\u00eancia partiu da constata\u00e7\u00e3o de que as universidades latino-americanas tinham sido nas \u00faltimas d\u00e9cadas um foco de insurrei\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o de militantes de esquerda. Eles decidiram mudar isso e converter a universidade latino-americana em um centro de produ\u00e7\u00e3o do pensamento da direita e n\u00e3o da esquerda. Eles pensavam que o fato de essas universidades terem atravessado um per\u00edodo de repress\u00e3o muito grande, quando muitos professores e estudantes militantes de esquerda foram mortos, facilitava um pouco esse trabalho de convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, come\u00e7aram a implementar em toda a Am\u00e9rica Latina um milion\u00e1rio plano de integra\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Muitos estudantes e professores foram fazer esse interc\u00e2mbio nos Estados Unidos, onde realizaram diversos cursos, entre eles o famoso curso de lideran\u00e7a. A ideia era criar uma nova classe dirigente dentro das universidades e, por consequ\u00eancia, nos seus respectivos pa\u00edses. A quantidade de l\u00edderes mundiais hoje que s\u00e3o fruto desses programas \u00e9 impressionante. Esse processo foi aplicado na Venezuela, por exemplo, com uma \u00eanfase muito forte, a partir de 2009.<\/p>\n<p>Entre 2003 e 2004 se enviava, mensalmente, um grupo de dez estudantes com um professor para cursos de forma\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7a na antiga Iugosl\u00e1via, atual S\u00e9rvia, sob a coordena\u00e7\u00e3o do antigo grupo de resist\u00eancia s\u00e9rvio, onde estava Srdja Popovic e uma s\u00e9rie de jovens que contavam a experi\u00eancia da derrubada de Milosevic.<\/p>\n<p>Participavam desses cursos tamb\u00e9m o Instituto Albert Einstein, o Instituto de Luta pela Guerra N\u00e3o Violenta, criado pelos s\u00e9rvios, o multimilion\u00e1rio h\u00fangaro George Soros que colocou muito dinheiro neste projeto, e o Instituto Republicano Internacional que recebia fundos do governo norte-americano e o aplicavam nestes cursos. A\u00ed se formaram muitos dos l\u00edderes da chamada Primavera \u00c1rabe e muitos l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria. Criou-se toda uma estrutura para fomentar o uso da chamada luta n\u00e3o violenta e do golpe suave. Estudantes venezuelanos, acompanhados de alguns professores, come\u00e7aram a fazer esses cursos de forma peri\u00f3dica. O objetivo era repetir esse processo em Cuba, para formar ativistas especializados no manejo da guerra n\u00e3o violenta.<\/p>\n<p>Eu recebi uma prepara\u00e7\u00e3o intensa de como se organiza um golpe suave para derrubar um governo, quais s\u00e3o as medidas fundamentais para construir essa estrat\u00e9gia. \u00c9 claro que, dentro de Cuba, seria muito mais dif\u00edcil fazer essa forma\u00e7\u00e3o. A alternativa encontrada foi usar o sistema de bolsas de estudo para promover o interc\u00e2mbio de estudantes. A ideia era propor, por exemplo, uma bolsa de estudos de seis meses ou mais em Jerusal\u00e9m para um estudante de hist\u00f3ria ou ci\u00eancias sociais. Ou ent\u00e3o oferecer para uma jovem estudante de arte uma bolsa em Col\u00f4nia, na Alemanha. Escolheu-se universidades muito pontuais, que n\u00e3o fossem norte-americanas e que pudessem ser atrativas para determinadas \u00e1reas de interesse. Mas os cursos oferecidos nestas universidades n\u00e3o eram exatamente sobre arte ou sobre hist\u00f3ria, mas sim sobre forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as, com cursos de ingl\u00eas, cursos de t\u00e1ticas de guerra n\u00e3o convencional, sobre como funcionavam as organiza\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. O objetivo era que, mais tarde, esses estudantes se transformassem em elementos de mudan\u00e7a em Cuba.<\/p>\n<p>Sul21: E os estudantes que recebiam essas bolsas, sabiam da real natureza desse interc\u00e2mbio?<br \/>\nRa\u00fal Capote:\u00a0N\u00e3o sabiam. O truque da bolsa era que, em geral, oferecia um curso de seis meses. As pessoas supunham que o curso era relacionado com a sua especialidade. Por que n\u00e3o passar seis meses em Jerusal\u00e9m, Col\u00f4nia ou outro local, com tudo pago, recebendo um curso de ingl\u00eas, entre outras coisas? \u2013 pensavam. A ag\u00eancia estimava que, se cada dez estudantes, um se convertesse em um futuro opositor, j\u00e1 seria um grande lucro.<\/p>\n<p>Esse plano come\u00e7ou a ser implementado em Cuba com muita for\u00e7a a partir de 2005, 2006, sem muitos resultados. Para surpresa da CIA, n\u00e3o houve muitos interessados pelos cursos, que n\u00e3o tiveram o impacto esperado junto aos jovens cubanos. Al\u00e9m disso, eu \u00e9 que estava dirigindo a opera\u00e7\u00e3o\u2026Era poss\u00edvel que n\u00e3o tivesse \u00eaxito\u2026(risos). Outro plano envolvendo a minha atua\u00e7\u00e3o como agente era fazer com que eu ocupasse uma posi\u00e7\u00e3o elevada dentro do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Pretendiam me dar todo o apoio poss\u00edvel para tanto, apoio acad\u00eamico e inclusive monet\u00e1rio. A ideia era me converter em uma pessoa imprescind\u00edvel no sistema de educa\u00e7\u00e3o cubano por minhas rela\u00e7\u00f5es e contatos no mundo acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Uma das coisas mais importantes para eles nesta \u00e9poca era o tempo que lhes restava. Estavam muito preocupados com essa quest\u00e3o temporal, pois aguardavam o momento do desaparecimento de Fidel. Avaliavam que muitos dos l\u00edderes hist\u00f3ricos da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana n\u00e3o estariam mais em condi\u00e7\u00f5es de assumir o posto de comando quando isso acontecesse. Trabalhavam com um per\u00edodo de dez ou quinze anos, no qual se formaria em Cuba uma nova oposi\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o teria nada a ver com a oposi\u00e7\u00e3o anterior, que eles pr\u00f3prios consideravam desprestigiada e sem base social. Queriam criar uma oposi\u00e7\u00e3o de novo tipo.<\/p>\n<p>Sul21: Como pretendiam fazer isso?<br \/>\nRa\u00fal Capote:\u00a0A estrat\u00e9gia utilizada em Cuba se diferenciou um pouco daquela usada em outros lugares. Eles queriam formar uma oposi\u00e7\u00e3o de esquerda, pois avaliavam que uma oposi\u00e7\u00e3o de direita n\u00e3o teria \u00eaxito em Cuba, pelo enraizamento da tradi\u00e7\u00e3o e do pensamento revolucion\u00e1rio e tamb\u00e9m pelo fato que a direita nunca teve uma posi\u00e7\u00e3o muito significativa junto ao povo cubano. Passaram a tentar criar, ent\u00e3o, organiza\u00e7\u00f5es que fossem supostamente de esquerda. Essa era a estrat\u00e9gia central do projeto Genesis. Para nos auxiliar nesta tarefa, nos deram acesso a modernos meios eletr\u00f4nicos de comunica\u00e7\u00e3o que nos permitiram acessar a internet, as redes sociais e outros espa\u00e7os. A ideia era nos dotar de uma grande capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o e come\u00e7ar a gerar conte\u00fado dentro do pa\u00eds. Isso tudo seria feito em segredo, em baixo perfil, nos treinando no uso dessas novas tecnologias.<\/p>\n<p>Em 2007, me entregaram um equipamento de comunica\u00e7\u00e3o que se conectava por sat\u00e9lite com o Departamento de Defesa e que n\u00e3o podia ser rastreado. Esse equipamento permitia que eu tivesse comunica\u00e7\u00e3o direta com meu chefe em Washington e tamb\u00e9m criar uma rede em Cuba indetect\u00e1vel. De forma concomitante com isso, se come\u00e7ou outro projeto por meio do qual come\u00e7aram a introduzir telefones celulares no pa\u00eds. Em fun\u00e7\u00e3o do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, Cuba n\u00e3o tinha muitos celulares. Eles come\u00e7aram a distribuir celulares de maneira gratuita, por diferentes meios, e criaram o programa ZunZuneo, que pretendia ser uma esp\u00e9cie de twitter cubano.<\/p>\n<p>Essa rede come\u00e7ou a distribuir mensagens de texto principalmente e not\u00edcias relacionadas ao esporte, \u00e0 cultura e \u00e0s artes. A ideia era criar dentro do pa\u00eds um h\u00e1bito de consultar essa rede e fazer com que as pessoas confiassem nela. Assim, no momento necess\u00e1rio, ela come\u00e7aria a enviar mensagens para mobilizar a\u00e7\u00f5es contra a revolu\u00e7\u00e3o. Fizeram alguns testes no pa\u00eds, em determinados momentos, que n\u00e3o deram resultado, mas seguiram implementando o projeto. Mais tarde, fizeram alguns aperfei\u00e7oamentos e criaram outro sistema que se chamou Piramideo, parecido com o ZunZuneo, mas com alguns acr\u00e9scimos fruto de experi\u00eancias no Oriente M\u00e9dio, especialmente no Ir\u00e3, onde foi utilizado como ferramenta de mobiliza\u00e7\u00e3o em determinadas situa\u00e7\u00f5es dentro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sul21: Qual foi o impacto dessas iniciativas na sociedade cubana, especialmente junto \u00e0 juventude? Elas tiveram visibilidade?<br \/>\nRa\u00fal Capote:\u00a0Tudo era feito pensando em um determinado momento no futuro de Cuba onde deveria ocorrer uma mudan\u00e7a de governo. Eles pensavam que isso ocorreria entre 2015 e 2016, que \u00e9 exatamente o momento que estamos vivendo agora. Neste momento, segundo o planejamento feito, j\u00e1 deveria estar formada uma oposi\u00e7\u00e3o social de novo tipo, sa\u00edda da universidade e integrada principalmente por estudantes e professores, mas tamb\u00e9m por artistas, pequenos comerciantes e representantes de outros setores que apoiassem essa ideia. O surgimento p\u00fablico desse novo movimento pol\u00edtico se daria atrav\u00e9s do lan\u00e7amento da organiza\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Genesis para a Liberdade, que deveria se dar em um ano em que ocorressem elei\u00e7\u00f5es em Cuba (que ocorrem a cada cinco anos).<\/p>\n<p>Essa organiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 poderia ser considerada uma funda\u00e7\u00e3o, mas de \u201cgenesis\u201d n\u00e3o tinha nada e de liberdade muito menos. Em primeiro lugar, porque o l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o, eu no caso, era um agente da CIA. Em segundo lugar, eu n\u00e3o podia tomar nenhuma decis\u00e3o sem ouvir o grupo consultivo que era constitu\u00eddo por oficiais da CIA. Ent\u00e3o, de liberdade n\u00e3o tinha nada. Por meio dessa funda\u00e7\u00e3o, se esperava criar um ou mais de um partido pol\u00edtico supostamente de esquerda. O discurso desse novo partido consistiria em dizer que era preciso reformar e modernizar o socialismo cubano. A nossa principal palavra de ordem era esta: modernizar. \u201cPrecisamos colocar o socialismo \u00e0 altura do tempo\u201d, \u201ca \u00e9poca heroica j\u00e1 passou\u201d, \u201cningu\u00e9m mais faz isso no mundo\u201d\u2026dir\u00edamos coisas assim.<\/p>\n<p>Eles acreditavam que, com o desaparecimento de l\u00edderes hist\u00f3ricos carism\u00e1ticos da Revolu\u00e7\u00e3o como Fidel, esse novo movimento pol\u00edtico teria um grande impacto na sociedade cubana levando inclusive a uma fratura na unidade interna do pa\u00eds. O nascimento da Funda\u00e7\u00e3o Genesis como organiza\u00e7\u00e3o seria acompanhado por uma grande campanha midi\u00e1tica. Haveria uma coletiva de imprensa com alguns dos mais importantes meios de comunica\u00e7\u00e3o do mundo. O passo seguinte seria organizar a\u00e7\u00f5es de rua, manifesta\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos de maneira pac\u00edfica com o objetivo de causar impacto na sociedade.<\/p>\n<p>Sul21: Qual era a meta principal dessa t\u00e1tica?<br \/>\nRa\u00fal Capote:\u00a0Em resumo, aplicar a cartilha de Gene Sharp, te\u00f3rico do golpe suave. A ideia da guerra n\u00e3o violenta consiste em ir solapando os pilares de um governo at\u00e9 que ele imploda. O objetivo n\u00e3o \u00e9 fazer com que um governo renuncie. Se isso acontecer, o projeto fracassou. A ideia \u00e9 que o governo imploda e que isso cause caos. Com o pa\u00eds em caos, \u00e9 poss\u00edvel recorrer a meios mais extremos. A meta em Cuba era esta: causar um caos tal no pa\u00eds que fizesse desabar todos os pilares da revolu\u00e7\u00e3o. Neste cen\u00e1rio, v\u00e1rias possibilidades eram consideradas, entre elas, uma \u201cinterven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria\u201d dos Estados Unidos no pa\u00eds. Outra era a instala\u00e7\u00e3o de um governo de transi\u00e7\u00e3o que levasse a um governo de direita.<br \/>\nO truque fundamental do projeto Genesis era que tinha supostamente um discurso de esquerda, mas as propostas reais que defendia consistiam em privatizar praticamente tudo, inclusive a sa\u00fade e a seguridade social. Era um socialismo anti-socialista e anti-social, com terr\u00edveis medidas de austeridade. Eles diziam para n\u00e3o nos preocuparmos, pois o Banco Mundial, o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e a comunidade cubana no exterior iriam apoiar a \u201creconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds\u201d. Mas esse projeto nunca conseguiu ter base social nem conseguiu formar estudantes como pretendia\u2026<\/p>\n<p>Sul21: E voc\u00ea, na condi\u00e7\u00e3o de agente duplo, se esfor\u00e7ava na implanta\u00e7\u00e3o do projeto ou trabalhava contra ele?<br \/>\nRa\u00fal Capote:\u00a0Fazia tudo o que podia para que n\u00e3o tivesse resultado. Era um jogo de xadrez muito interessante. Eu tinha que fazer com que eles acreditassem que estava funcionando e, na pr\u00e1tica, fazer com que n\u00e3o funcionasse. Era bem dif\u00edcil. Mas o projeto tinha muitos pontos d\u00e9beis. Um deles era a cren\u00e7a de que a revolu\u00e7\u00e3o dependia de uma \u00fanica pessoa. Acreditar que a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana \u00e9 Fidel \u00e9 um erro. Outro erro era acreditar que os cubanos s\u00e3o pessoas ing\u00eanuas.<br \/>\nEm 2006, Fidel anunciou que estava se afastando de suas fun\u00e7\u00f5es por problemas de sa\u00fade e que seria substitu\u00eddo por Raul (seu irm\u00e3o, Raul Castro). Esse era um momento prop\u00edcio para aplicar a estrat\u00e9gia da Funda\u00e7\u00e3o Genesis e eles precipitaram um conjunto de a\u00e7\u00f5es. Acreditavam que poderia ocorrer um levante no centro de Havana.<\/p>\n<p>Para tanto, usaram um m\u00e9dico chamado Darsi Ferrer, um contrarrevolucion\u00e1rio desconhecido. No dia 13 de agosto de 2006, data de anivers\u00e1rio de Fidel, ele deveria provocar um levante em Havana e convocar uma coletiva para dizer que o pa\u00eds estava mergulhado no caos, que havia militares sublevados e que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o queria Raul no governo. Planejaram gravar em um est\u00fadio, de modo muito parecido com o que fizeram na L\u00edbia onde filmaram a\u00e7\u00f5es que, na verdade, n\u00e3o estavam acontecendo. O plano era filmar cen\u00e1rios de repress\u00e3o como se os militares cubanos estivessem reprimindo a popula\u00e7\u00e3o, e transmitir essas imagens para todo o mundo. A mim me surpreendeu muito que um oficial da CIA em Cuba tivesse o poder de pautar e subordinar os mais importantes meios de comunica\u00e7\u00e3o do mundo. Era isso que estava se planejando ali.<\/p>\n<p>Sul21: E qual era o seu papel neste plano?<br \/>\nRa\u00fal Capote:\u00a0Quando essas imagens do \u201ccaos\u201d em Cuba tivessem sido transmitidas ao mundo, eu deveria convocar uma coletiva de imprensa e pedir uma interven\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos para conter as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Eu n\u00e3o era um contrarrevolucion\u00e1rio ou opositor, mas um professor e acad\u00eamico conhecido no pa\u00eds. A credibilidade da minha apari\u00e7\u00e3o seria maior. Fiquei com um grande conflito interno neste per\u00edodo. Eu jamais iria fazer aquele pedido de interven\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Sul21: O que aconteceu, ent\u00e3o?<br \/>\nRa\u00fal Capote: As coisas come\u00e7aram a dar errado para eles muito rapidamente. Depois do an\u00fancio do afastamento de Fidel, passaram-se alguns dias e n\u00e3o houve nenhum caos no pa\u00eds, que seguiu funcionando normalmente. N\u00e3o houve manifesta\u00e7\u00f5es, protestos, nada. As pessoas seguiram com suas vidas. O outro problema que ocorreu \u00e9 que o m\u00e9dico escolhido para desencadear o levante ficou sabendo que os principais canais de Miami estavam dizendo que um opositor cubano chamado Darsi Ferrer iria se imolar pela democracia. Aquilo foi uma surpresa total, pois n\u00e3o estava em seus planos colocar fogo no pr\u00f3prio corpo e morrer. Ele ficou convencido que iam mat\u00e1-lo e, no dia 13 de agosto, ao inv\u00e9s de ir ao lugar escolhido para a execu\u00e7\u00e3o do plano, sai de casa e inventa uma desculpa para n\u00e3o ir at\u00e9 l\u00e1. E o projeto fracassa.<\/p>\n<p>Sul21: Quando voc\u00ea abandona a condi\u00e7\u00e3o de agente duplo?<br \/>\nRa\u00fal Capote: Em 2010, quando a L\u00edbia entrou em situa\u00e7\u00e3o de guerra civil, o governo cubano me pediu para participar de uma den\u00fancia p\u00fablica para que as pessoas ficassem sabendo como esse tipo de golpe \u00e9 tramado. Era uma decis\u00e3o muito dif\u00edcil, pois trazia riscos para mim e para minha fam\u00edlia. Mas aceitei a proposta e come\u00e7amos a gravar um conjunto de programas chamado \u201cAs raz\u00f5es de Cuba\u201d, onde um grupo de agentes como eu vai \u00e0 televis\u00e3o contar o que tinham vivenciado. O programa foi dividido em cap\u00edtulos. O meu foi ao ar em 4 de abril de 2011, onde contei tudo isso na televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Sul21: Fora de Cuba, se fala muito da situa\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0 internet e \u00e0s redes sociais na ilha, que haveria controle e a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria livre acesso \u00e0 rede. Qual \u00e9 mesmo a situa\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 internet em Cuba?<br \/>\nRa\u00fal Capote: Sim, constantemente se acusa o governo cubano de n\u00e3o permitir o livre acesso \u00e0 internet. \u00c9 uma grande mentira. Se formos olhar os discursos de Fidel nos anos 90, veremos que a revolu\u00e7\u00e3o cubana sempre defendeu o acesso livre \u00e0 internet. O problema \u00e9 que os donos da internet s\u00e3o os norte-americanos, Cuba est\u00e1 cercada de cabos submarinos de fibra \u00f3tica, mas n\u00e3o pode us\u00e1-los por causa do bloqueio. Cuba n\u00e3o tem acesso \u00e0 tecnologia necess\u00e1ria para garantir o acesso \u00e0 internet para todos os seus cidad\u00e3os por que as empresas s\u00e3o proibidas, pelos Estados Unidos, de negociar com Cuba. Em fun\u00e7\u00e3o desse quadro, o acesso \u00e0 internet tornou-se muito caro para Cuba. E ela \u00e9 lenta porque \u00e9 preciso uma infraestrutura que garanta que o sinal chegue em todos os lugares do pa\u00eds. N\u00f3s acreditamos que a internet \u00e9 uma ferramenta para defender e propagar a revolu\u00e7\u00e3o. Os Estados Unidos n\u00e3o querem que Cuba tenha livre acesso \u00e0 internet, porque sabem isso significaria que poder\u00edamos divulgar muito mais nossas ideias tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel no mundo hoje que uma sociedade se desenvolva sem a internet. N\u00f3s temos a Universidade de Ci\u00eancias Inform\u00e1ticas, que \u00e9 uma das maiores da Am\u00e9rica Latina e forma todos os anos milhares de engenheiros criadores de softwares e t\u00e9cnicos nesta \u00e1rea. \u00c9 uma universidade que se auto-financia com a venda desses softwares. Temos escolas t\u00e9cnicas em todas as prov\u00edncias que formam milhares de jovens para o uso das redes sociais e das novas tecnologias. Apesar do alto custo que ainda representa, a acesso e uso da internet em Cuba tem aumentado enormemente, apesar de todos os bloqueios que ainda sofremos.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"D7R3r9bYd9\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3840\">Ind\u00fastria permanece em queda livre<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3840\/embed#?secret=D7R3r9bYd9\" data-secret=\"D7R3r9bYd9\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Ind\u00fastria permanece em queda livre&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Marco Weissheimer Cuba procura normalizar as rela\u00e7\u00f5es com os EUA. 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