{"id":9985,"date":"2015-12-03T13:59:13","date_gmt":"2015-12-03T16:59:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9985"},"modified":"2017-12-15T12:20:43","modified_gmt":"2017-12-15T15:20:43","slug":"a-revolta-comunista-de-1935","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9985","title":{"rendered":"A Revolta Comunista de 1935"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh5.googleusercontent.com\/-bDs7UZQdV58\/Vj1FUutiInI\/AAAAAAAALDQ\/i_AwfEmTWP8\/w371-h527-no\/pp6.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Diferentemente do que tem sido repetidamente afirmado pelos setores reacion\u00e1rios da sociedade brasileira h\u00e1 oito d\u00e9cadas, a revolta armada que explodiu em novembro de 1935 em algumas cidades do pa\u00eds, com destaque para a insurrei\u00e7\u00e3o popular em Natal, Rio Grande do Norte, n\u00e3o foi um golpe comunista maquinado em Moscou com a <!--more-->finalidade de sovietizar o pa\u00eds. A revolta aconteceu em rea\u00e7\u00e3o ao crescimento das for\u00e7as fascistas no Brasil e ao fechamento da Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL), movimento pol\u00edtico plural, que tinha objetivos nacionais e democr\u00e1ticos, anti-imperialistas e antilatifundi\u00e1rios.<\/p>\n<p>A ANL foi institu\u00edda em 30 de mar\u00e7o de 1935, em ato p\u00fablico realizado no Teatro Jo\u00e3o Caetano, no Rio de Janeiro. Agregou em torno de si personalidades, organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, partidos e movimentos de corte revolucion\u00e1rio, democr\u00e1tico e progressista e sua constru\u00e7\u00e3o contou com a participa\u00e7\u00e3o ativa dos comunistas, tendo em Luiz Carlos Prestes, militante do PCB desde 1933, um de seus principais dirigentes, aclamado como presidente de honra.<\/p>\n<p>Seu programa popular revolucion\u00e1rio continha reivindica\u00e7\u00f5es concretas das classes populares e camadas m\u00e9dias: n\u00e3o reconhecimento e n\u00e3o pagamento da d\u00edvida externa; den\u00fancia dos tratados desiguais assinados com os pa\u00edses imperialistas; nacionaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais e das empresas imperialistas; jornada m\u00e1xima de oito horas; seguro social; aposentadorias; aumento de sal\u00e1rios; isonomia salarial e garantia de sal\u00e1rio m\u00ednimo; fim do trabalho escravo; elimina\u00e7\u00e3o dos latif\u00fandios; amplas liberdades democr\u00e1ticas; supress\u00e3o dos privil\u00e9gios de cor e ra\u00e7a; total liberdade religiosa com a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado; oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s guerras imperialistas; estreitamento de rela\u00e7\u00f5es com as demais na\u00e7\u00f5es latino-americanas; solidariedade com todas as classes e povos oprimidos do mundo.<br \/>\nEm meio a um contexto internacional de ascens\u00e3o do fascismo e de crescimento do Partido Integralista no Brasil, o governo de Vargas fez aprovar a Lei de Seguran\u00e7a Nacional, que permitiu a repress\u00e3o em larga escala do movimento oper\u00e1rio, dos comunistas e seus aliados nas lutas populares. Em julho de 1935, Luiz Carlos Prestes divulgou manifesto conclamando o povo e os trabalhadores a reagirem contra a amea\u00e7a integralista e o governo Vargas e a lutar por um poder popular nacional revolucion\u00e1rio. Em resposta, a ANL foi fechada e seus militantes perseguidos. Dirigentes do PCB, militantes e l\u00edderes da ANL \u2013 muitos deles veteranos das lutas tenentistas de 1922 e 1924 \u2014 se engajaram ent\u00e3o na prepara\u00e7\u00e3o de uma insurrei\u00e7\u00e3o armada.<\/p>\n<p>Entretanto, os acontecimentos se precipitaram. No Rio Grande do Norte, uma mobiliza\u00e7\u00e3o de trabalhadores contra o governo do Estado resultou na destitui\u00e7\u00e3o do governador e na forma\u00e7\u00e3o de um governo nacional libertador. Em seguida, a lideran\u00e7a clandestina da ANL desencadeou revoltas militares em Recife e no Rio de Janeiro. Mal organizado e sem apoio popular, o movimento foi derrotado, e uma onda repressiva se abateu contra os trabalhadores, os setores populares e a intelectualidade progressista, culminando com a instaura\u00e7\u00e3o do Estado Novo, regime de forte influ\u00eancia fascista, a partir de 1937.<\/p>\n<p>Apesar de sua derrota e de seus erros, a ANL nos legou um exemplo de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0s causas dos trabalhadores e do povo, demonstrando que o caminho para a derrota das for\u00e7as da rea\u00e7\u00e3o e do imperialismo passa pela organiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e unifica\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e dos setores populares.<\/p>\n<p>1935<br \/>\nJacinta Passos<\/p>\n<p>Tenso como rede de nervos<br \/>\npressentindo ah! novembro<br \/>\nde esperan\u00e7a e precip\u00edcio.<br \/>\nFruto peco.<br \/>\nNovembro de sangue e de her\u00f3is.<br \/>\nGrito de assombro morto na garganta,<br \/>\nsolu\u00e7o seco dor sem nome. Ferido.<br \/>\nDe morte ferido. Como um animal ferido.<br \/>\nLuta de entranhas e dentes. Natal.<br \/>\nSangue. Praia Vermelha.<br \/>\nSangue.<br \/>\nSangue. \u00c9 quase um fio<br \/>\nescorrendo<br \/>\nsangrento<br \/>\ntenaz<br \/>\npor dentro dos c\u00e1rceres,<br \/>\nnas ilhas<br \/>\ne nos cora\u00e7\u00f5es que a esperan\u00e7a guardaram.<br \/>\n(Do livro Poemas pol\u00edticos, Rio de Janeiro: Livraria-Editora Casa do Estudante do Brasil, 1951)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Diferentemente do que tem sido repetidamente afirmado pelos setores reacion\u00e1rios da sociedade brasileira h\u00e1 oito d\u00e9cadas, a revolta armada que explodiu em novembro \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9985\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[140],"tags":[],"class_list":["post-9985","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c140-jornal-o-poder-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2B3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9985","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9985"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9985\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9985"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9985"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9985"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}