{"id":9994,"date":"2015-12-07T15:03:47","date_gmt":"2015-12-07T18:03:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9994"},"modified":"2016-01-05T12:24:35","modified_gmt":"2016-01-05T15:24:35","slug":"camarada-elson-costa-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9994","title":{"rendered":"Camarada Elson Costa, presente!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh5.googleusercontent.com\/-bDs7UZQdV58\/Vj1FUutiInI\/AAAAAAAALDQ\/i_AwfEmTWP8\/w371-h527-no\/pp6.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Elson Costa nasceu em 26 de agosto de 1913, na cidade de Prata, Minas Gerais. Foi militante do Partido Comunista (PCB) desde os 17 anos at\u00e9 completar 61 anos, idade que tinha quando foi sequestrado por agentes da ditadura. Iniciou sua milit\u00e2ncia em Uberl\u00e2ndia, onde liderou uma greve de caminhoneiros. Trabalhou na divulga\u00e7\u00e3o do jornal A Classe Oper\u00e1ria, integrou o Comit\u00ea Central e era o respons\u00e1vel pelo setor <!--more-->de Agita\u00e7\u00e3o e Propaganda quando foi preso em 1975. Como indicou o seu sobrinho Jos\u00e9 Miguel em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade do Estado de S\u00e3o Paulo, desde os anos do Estado Novo, Elson j\u00e1 atravessara per\u00edodos de pris\u00f5es e torturas pelo aparato repressivo do Estado.<\/p>\n<p>Com o golpe de 1964, teve seus direitos pol\u00edticos cassados e passou a atuar na clandestinidade com outro nome. Em 1966, foi condenado a dois anos de reclus\u00e3o pela Justi\u00e7a Militar. Cumpriu a pena em Curitiba e, ap\u00f3s ser solto, voltou \u00e0 clandestinidade. Na manh\u00e3 do dia 15 de janeiro de 1975, foi preso no bar ao lado de sua casa, onde tinha ido tomar caf\u00e9. Alguns vizinhos tentaram protestar contra a ordem de pris\u00e3o dada por seis homens que chegaram numa veraneio, pois, para eles, quem estava sendo preso era o aposentado Manoel de Souza Gomes, que vivia na Rua Timbiras, 199, bairro de Santo Amaro, em S\u00e3o Paulo. O crime foi noticiado como tendo sido o sequestro de um rico comerciante da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Elson foi levado para um centro clandestino da repress\u00e3o ligado ao DOI-CODI\/SP, onde foi submetido a todo tipo de tortura. Seu corpo foi banhado em \u00e1lcool, queimado e afogado no rio Avar\u00e9, segundo os depoimentos prestados \u00e0 revista VEJA, em 18\/11\/1992, por Marival Dias Chaves do Canto, ex-sargento e agente dos \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, que relatou terr\u00edveis e esclarecedores fatos sobre a barb\u00e1rie cometida nos por\u00f5es da ditadura. Segundo ele, um dos centros clandestinos usados para execu\u00e7\u00f5es foi uma casa onde funcionava antes a boate Querosene, alugada pelo Ex\u00e9rcito durante dois anos na cidade de Itapevi, munic\u00edpio da Grande S\u00e3o Paulo. A boate foi transformada em centro de torturas e assassinatos, por onde passaram militantes do PCB cujos corpos foram depois jogados num rio, sob a ponte localizada na estrada que liga Avar\u00e9, no interior de S\u00e3o Paulo, \u00e0 Rodovia Castelo Branco. Nas palavras do ex-agente, \u201cexiste ali um cemit\u00e9rio debaixo d\u2019\u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>O camarada Dinarco Reis Filho lembra quando conheceu Elson Costa:<\/p>\n<p>\u201cMeu pai, Dinarco Reis, tinha recebido a tarefa do Partido para, junto com Elson Costa e Orlando Bonfim, organizar o jornal Tribuna do Povo em Belo Horizonte. Elson me chamou a aten\u00e7\u00e3o pelo modo de vestir, com o palet\u00f3 pendurado no dedo da m\u00e3o esquerda e jogado por cima do ombro, de camisa social de punho duplo, sem abotoadura. Na sua casa fomos apresentados a uma das figuras mais meigas que conheci, que falava baixo e manso, sua esposa Agla\u00e9. Ela o chamava pelo apelido carinhoso de Man\u00e9, com o qual passamos tamb\u00e9m a cham\u00e1-lo. A \u00faltima vez que o vi foi quando eu tinha marcado um encontro com um membro do Partido na Petrobr\u00e1s. O Elson apareceu e me disse que tinha um encontro com um camarada, que estava com pouco dinheiro e n\u00e3o tinha lugar para dormir. Depois de encontrar o petroleiro, dei ao \u2018Man\u00e9\u2019 parte da grana e a chave do meu apartamento em Niter\u00f3i. Depois fiquei sabendo de sua pris\u00e3o atrav\u00e9s do meu pai. Sabia que iriam desaparecer com ele, como j\u00e1 tinham feito com outros presos da Ditadura.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Elson Costa nasceu em 26 de agosto de 1913, na cidade de Prata, Minas Gerais. 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