Intervenção de Nikos Seretakis, delegado do Partido Comunista Grego (KKE), no XIV Congresso do PCB

imagemO 18º Congresso do KKE, celebrado em Atenas entre 18 e 22 de fevereiro de 2009, deu um significativo passo adiante na discussão teórica sobre as razões da contra-revolução na União Soviética e em outros países socialistas – iniciada, em nosso Partido, em 1995, com uma conferência nacional sobre o tema e nas pesquisas que seguiram.

A opinião do KKE é que a revitalização da perspectiva socialista é diretamente ligada à interpretação científica da derrota temporal do socialismo no século passado, um esforço necessário para todos os partidos comunistas.

Hoje em dia não é possível para um partido comunista agir efetivamente, ter uma estratégia revolucionária cientificamente elaborada e dar respostas adequadas às grandes perguntas sem tomar em conta a experiência negativa e positiva da construção socialista no século passado.

A nossa avaliação crítica sobre a construção socialista na União Soviética e nos demais países socialistas da Europa não tem nada em comum com a crítica burguesa, com o niilismo e a recusa aos princípios revolucionários.

Ao contrário, defendendo a contribuição histórica do socialismo afirmamos o socialismo como a alternativa única realista e necessária para os povos.

No período depois de 1995, onde tínhamos abordado pela primeira vez estas questões numa conferência nacional, o nosso partido adquiriu novas fontes de informação. Recolheu, estudou e publicou debates e polêmicas entre acadêmicos e economistas soviéticos. Organizou simpósios teóricos sobre questões da economia socialista e, antes do 18º Congresso, realizamos uma intensa discussão interna em três rodadas consecutivas sobre essas questões do socialismo.

Em nosso ultimo 18º Congresso, aprovamos uma resolução especial sobre o tema. Aí defendemos a contribuição histórica do sistema socialista e afirmamos as posições teóricas dos clássicos do marxismo-leninismo sobre o socialismo como fase primeira do comunismo.

Caracterizamos os acontecimentos de 1989-1991 como uma vitória da contrarevolução,como um retrocesso social. Rejeitamos a noção do colapso, porque subestima a ação contra-revolucionária e ignora o fato de que sempre é a luta de classes que determina o movimento histórico.

Não é por acaso que os acontecimentos contra-revolucionários foram apoiados pela reação internacional; que a construção do socialismo, e em particular o período da abolição das relações capitalistas e da criação das bases do socialismo, quer dizer operíodo até à II Guerra Mundial, tem sido alvo dum ataque ideológico e político feroz de parte do inimigo de classe e do imperialismo internacional.

Em nossas análises, damos prioridade aos fatores internos porque a vitória da contrarevolução, não foi fruto de uma intervenção militar externa por parte do imperialismo, mas veio de dentro e a partir do topo, através das políticas dos Partidos Comunistas no poder.

O ponto de partida é a consideração de que o socialismo constitua a primeira fase da formação econômico-social comunista e não uma formação econômico-social autônoma. É comunismo imaturo.

Os meios de produção concentrados são socializados, mas inicialmente ainda persistem formas de propriedade individual e de grupo que constituem a base da existência das relações monetárias e mercantis.

No socialismo, ainda existem desigualdades sociais, diferenças, estratificação social, ou mesmo contradições.

A crescente inserção de elementos de mercado na produção social estava a enfraquecero socialismo. Levou a uma queda da dinâmica do socialismo, fortaleceu interesses individuais e de grupo opostos aos interesses globais da sociedade.

Assim, com o tempo, criaram-se condições sociais para desvios oportunistas, para que a contra-revolução florescesse e por fim vencesse, usando a perestroika como veículo.

Examinamos também o papel dos partidos comunistas no processo da construção socialista, bem como questões relativas à estratégia e à situação do movimento comunista internacional. Analisamos o posicionamento num espírito de autocrítica do KKE, clarificando ao mesmo tempo que a defesa da contribuição do socialismo no século XX é uma opção consciente do nosso Partido tanto no passado como atualmente. Há questões que exigem mais investigação. Temos feito também um esforço de generalizarestas conclusões e enriquecer a nossa percepção programática sobre o socialismo.

É um esforço que achamos valioso para a luta contra o capital e as várias correntes pequeno burguesas, contra a social-democracia, o chamado Partido da Esquerda Europeia e outras manifestações do oportunismo e anticomunismo; contra as velhas receitas reformistas e oportunistas de socialismo “com a liberdade e democracia” que surgem de novo, contra a recusa do internacionalismo e das leis que governam atransição ao socialismo em nome das chamadas “particularidades nacionais do socialismo”

O nosso Partido continuará essa investigação, incluindo as questões que não foram completamente tratadas. Esta tarefa é imperativa para o desenvolvimento da capacidade dos comunistas de ligar sua estratégia com a luta diária, de formular e apresentar reivindicações em torno dos problemas imediatos dos trabalhadores ligadasà luta estratégica para a conquista do poder e para a construção do socialismo.