Carta

imagemA segunda diz respeito à luta ideológica. Num momento em que o PCB faz o seu XIV Congresso, num momento em que a Consulta Popular e outros pequenos instrumentos políticos estão fazendo as discussões que há muito tempo não fazíamos, num momento em que as greves e manifestações espontâneas dos trabalhadores e do povo em geral saem da gaveta e dão indicativos de que o ser humano já não está tão conformado assim com a barbárie do capital, num momento em que o imaginário comunista está, ainda que timidamente, lançando seus primeiros raios, precisamos fazer, principalmente nos setores mais avançados da consciência política revolucionária, a luta ideológica. Precisamos conhecer profundamente a nossa teoria e, com base nessa teoria, conhecer a realidade. É assim que faremos consequentemente a luta ideológica. Fomos, pelo nosso pouco entendimento das coisas e também pela nossa vacilação, muito enganados e atraídos pela ideologia da burguesia. Não soubemos distinguir aquilo que fortalecia a burguesia daquilo de que a revolução necessitava, que fortalecia a revolução. Com isso, abrimos um campo propício para a proliferação do oportunismo e, ao final, fomos envolvidos nos mais elementares erros que ajudaram no fortalecimento de um imaginário de utopias e, ao mesmo tempo, a nos destruir como proposta para a humanidade. Em 1989, cantamos e gritamos vivas à vitória do capital, enganados e com a ilusão de que estávamos fazendo a coisa certa. Apoiávamos o capital quando pensávamos estar criticando os desmandos da burocracia soviética. A partir daí, muitos de nós traíram a nossa ideologia, traíram a nossa classe por opção, traíram a nossa luta, traíram tudo e foram descaradamente formar com o inimigo, buscando nos jogar na lata de lixo da história. É claro que o capital se aproveitou disso. O capital é muito esperto e oportunista. Não deixa nada barato quando se trata de levar vantagem. Nós é que somos ingênuos ou igualmente oportunistas. Ou até ignorantes em matéria de luta de classes.

Hoje, estamos ainda na pré-história do despertar de nossa consciência. E ainda corremos grandes riscos pois a ideologia dominante não é dominante à toa. É nesse lodo que vivemos e é nele que temos de fazer a nossa luta. Fazer a luta ideológica é ter o conhecimento necessário para isso, passa pelo incentivo à formação político-ideológica intensa, principalmente, como afirmei acima, entre os setores ideologicamente mais avançados, que, dialeticamente, podem estar mais sujeitos à influência da ideologia burguesa e novamente tirar nosso carro do caminho e jogá-lo ribanceira abaixo em direção ao fortalecimento do sistema. Fazer a luta ideológica passa necessariamente pelo nosso fortalecimento político-ideológico para que tenhamos condições de cumprir a nossa parte, a nossa tarefa na luta de classes.

Desperdiçamos meio século de luta mas não perdemos a guerra. Que isso nos sirva de lição para ganharmos as batalhas necessárias para vencer a guerra.

Saudações companheiras.

Geraldo