Embargo dos EUA contra Cuba é ação genocida

Gustavo Carneiro – ODIARIO.INFO

O imperialismo dos EUA decidiu subir mais um degrau na escalada de agressão contra Cuba que sustenta há mais de seis décadas. O objetivo é abertamente genocida: um bloqueio que mata, privando de alimentos, medicamentos, energia. Como uma “Gaza silenciosa”, na expressão do Presidente Diaz-Canel. Um dos países com melhor assistência médica do mundo vê aumentar a mortalidade infantil por impossibilidade de assistência, vê milhares de cirurgias não realizadas devido aos cortes de energia, vê toda a ordem de dificuldades de abastecimento. Por muito silencioso que possa parecer. Um massacre é um massacre. Apenas a solidariedade, material e política, de todos os povos do mundo face à ilha heroica poderá deter a criminosa agressão ianque.

Numa entrevista recente, o Presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel, referiu-se à situação que se vive no seu país, sujeito a uma brutal guerra econômica por parte dos EUA, como a de uma “Gaza silenciosa”. Sem bombas (pelo menos para já), mas com a mesma intenção genocida contra todo um povo insubmisso, à semelhança do palestino, não poupando ninguém – nem crianças, nem grávidas, nem doentes, nem idosos.

Que o bloqueio mata – e mata sobretudo os mais frágeis – provam-no os próprios números: habituada por mérito próprio a figurar nos primeiros lugares mundiais ao nível da mortalidade infantil (situada durante anos entre as 4 e as 5 mortes por mil nascidos vivos), a revolução cubana vê hoje esses valores duplicarem, fruto dos apagões constantes, que afetam também as maternidades e hospitais, e das carências de medicamentos, vacinas, seringas e outros equipamentos, cada mais difíceis – e caros – de adquirir nos mercados internacionais devido à apertada teia de medidas coercivas imposta pelos EUA. A isto acrescem os 117 mil doentes oncológicos, 1200 dos quais menores, atualmente privados de tratamento pelas mesmíssimas razões.

Apesar de tudo isto, os médicos cubanos continuam todos os dias a salvar vidas, mesmo que à luz das lanternas dos celulares, e Cuba continua a formar profissionais de Saúde, muitos dos quais estrangeiros (dezenas são palestinos), e a criar tratamentos inovadores e eficazes para vários tipos de câncer – dos quais muita gente não beneficiará fora do país pelas restrições impostas pelo bloqueio.

Em vários portos de países vizinhos estão 7.000 contentores com alimentos destinados a Cuba – e que não chegam lá devido às ameaças dos EUA sobre as empresas transportadoras. Na própria Ilha da Liberdade há toneladas de alimentos e medicamentos armazenados à espera de combustível para poderem chegar às pessoas. Os apagões afetam a produção alimentar, a distribuição de água potável, o setor dos transportes e todos os aspectos da vida cotidiana, até os aparentemente mais simples: «Conseguiria viver com 20 horas de apagão?», questionou Díaz-Canel na referida entrevista. Dificilmente, respondemos.

Porém, mesmo com todas estas limitações, um milhão e meio de crianças e jovens cubanos começaram no dia 1º mais um ano letivo.

Não, Cuba não é um “Estado fracassado” nem o socialismo é responsável pelas graves carências que afetam hoje os cubanos. Digam o que disserem os criminosos de Washington e calem o que calarem os “nossos” meios de comunicação domesticados, a verdade é só uma: o objetivo do bloqueio é submeter Cuba e o seu povo, acabando com um exemplo particularmente duradouro de independência, dignidade e justiça social, ali mesmo às portas da maior potência imperialista do mundo. É que os exemplos são isso mesmo e este sempre teve o dom de contagiar outros a segui-lo…

Fonte: https://www.avante.pt/pt/2753/opiniao/184944/Gaza-silenciosa.htm?tpl=179