50 anos depois, cá está a Festa do Avante!

Grandiosa, solidária e carregada de futuro – Festa do Avante ocorrida em 4, 5 e 6 de Setembro deste ano
Jornal Avante! – Partido Comunista Português (PCP)
Para os construtores do futuro, as efemérides não são meros atos de memória ou autossatisfação. E se 50 anos são sempre 50 anos, carregados de histórias e memórias, o que verdadeiramente impressiona é a vitalidade que a Festa mantém, a capacidade que teve e tem de se reinventar, a quantidade e diversidade de pessoas que atrai, a presença marcante da juventude, a oferta cultural que apresenta e o que demonstra acerca das possibilidades ilimitadas da ação e construção coletivas.
«Há muito tempo que não via uma Festa com tanta gente», diziam uns; «nunca vi nada assim», garantiam outros, mais jovens. Contabilidade difícil, esta, perante a massa humana que passou pela Quinta da Atalaia no fim de semana. Certo é que a 50ª Festa foi imensa, enorme, vibrante – uma força imensa. E se isto seria sempre digno de registo, mais ainda o é num momento, como salientou o Secretário-Geral do PCP no comício de domingo, «em que alguns promovem o ódio e a violência, em que procuram impor a agenda xenófoba e racista, nos querem divididos, indiferentes ao sofrimento dos outros e a procurar naquele que é diferente o culpado pela nossa situação difícil, quando querem que os jovens marchem para a guerra, quando nos querem conformados, desesperançados e vergados às injustiças e desigualdades».
A Festa enfrenta tudo isto, mostrando outros caminhos possíveis: ainda nas palavras de Paulo Raimundo, ali esteve uma «força imensa a resgatar a solidariedade, a fraternidade, a amizade e a paz», a «confiança no futuro, a construção coletiva, o ideal e o projeto, o sonho tornado realidade, a esperança que não fica à espera (…), a coragem e a alegria de viver e de lutar».
Memória com futuro dentro
Dentro dessa grande efeméride que foi a 50ª Festa houve outras a assinalar: os 100 anos de Artur Ramos, militante comunista e «um dos nomes maiores da encenação e da realização televisiva em Portugal», como se lia no painel evocativo colocado no Espaço Central, onde também se lembrava os 90 anos de José Santa-Bárbara, «uma das figuras mais marcantes do design e das artes plásticas» no país, autor de capas de discos de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira e do logotipo da CP, participante em várias bienais da Festa.
Naquele mesmo espaço eram ainda evocados os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, que urge afirmar e defender, e os 90 anos do “poeta da Revolução”, José Carlos Ary dos Santos, homenageado em meia dúzia de painéis e numa instalação em que dava para ouvir a sua voz poderosa a recitar alguns dos seus mais conhecidos poemas: a história de um deles, “A Bandeira Comunista”, era contada num painel próprio, que remete para o terrorismo a bomba de 1975-76, dirigido fundamentalmente contra o Partido. E, então como hoje, «A cada novo assalto, cada escalada fascista, subirá sempre mais alto, a bandeira comunista».
Num Espaço Central particularmente original ao nível das técnicas construtivas foi sobretudo do presente e do futuro que se falou. A exposição política, “Combater o custo de vida, aumentar salários e pensões, melhores serviços públicos”, denunciava as consequências de uma política ao serviço do grande capital, que acumula lucros crescentes ao mesmo tempo que a maioria faz contas à vida para pagar a renda ou prestação da casa, os alimentos, a energia ou os combustíveis.
Dividida por temas, cada um desenvolvido numa “casinha” própria, ficámos a saber que «quatro em cada 10 famílias em Portugal não conseguem pagar uma semana de férias fora de casa», que «quase 5% dos orçamentos familiares são gastos em Saúde, em medicamentos, óculos, dentista, especialistas», que «48% dos pensionistas da Seguridade Social recebem até 500 euros»; que «300 mil crianças em Portugal vivem em privação material e social»; ou que Portugal é o sexto país que vende o combustível mais caro. Mas dizia-se mais: que a EDP e a GALP amealharam cada uma perto de 3 bilhões de euros em três anos.
Em todas as áreas afirmava-se a alternativa que o PCP propõe: o reforço dos direitos e dos serviços públicos e a construção de uma política patriótica e de esquerda.
Como sempre e mais ainda!
Sendo o que sempre foi, a Festa deu especial atenção à solidariedade internacionalista, talvez um pouco mais ainda do que noutros anos, dada a exigência – e os perigos – dos tempos em que vivemos: com a Palestina, naturalmente, mas também com Cuba, que resiste ao bloqueio genocida do imperialismo norte-americano. Um emocionante momento de solidariedade no sábado à tarde, junto ao Espaço Internacional, e a mensagem do Presidente da República e Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba, Miguel Díaz-Canel, transmitida no comício, foram momento altos dessa solidariedade, que urge prosseguir e alargar.
Da 50ª Festa falaremos demoradamente nas páginas que se seguem – certos de que não há palavras nem imagens capazes de relatar com precisão todas as emoções ali vividas. Leia mais: https://avante.pt/pt/2754/Festa_do_Avante/185045/Grandiosa-solid%C3%A1ria-e-carregada-de-futuro.htm
O próximo encontro ficou já marcado para 2027, nos dias 3, 4 e 5 de setembro, no mesmo sítio, aquele em que todos os anos se demonstra que os sonhos podem se tornar realidade.
Até lá!
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) se fez representar na 50ª Festa do AVANTE! com uma delegação, composta pelos seguintes camaradas: Edmilson Costa (Secretário Geral e candidato a Presidente do Brasil), Sofia Manzano (Secretária de Relações Internacionais), Milton Pinheiro (Secretário Nacional de Formação Política), Leonardo Andrada, Raquel Azevedo e Leonardo Segura, militantes do PCB de Minas Gerais.
