Pela paz mundial, contra a cúpula da guerra

Jornal AVANTE! – Partido Comunista Português (PCP)

 

A ci­meira da OTAN re­a­li­zada nos dias 07 e 08 de julho em An­cara, na Tur­quia, in­ten­si­ficou a po­lí­tica de con­fron­tação e guerra deste bloco po­lí­tico-mi­litar agres­sivo e apontou a ainda mai­ores des­pesas mi­li­tares, para be­ne­fício da in­dús­tria do ar­ma­mento e da es­tra­tégia de do­mi­nação do im­pe­ri­a­lismo estadunidense. Em Lisboa e no Porto, como no país an­fi­trião e em muitos ou­tros, o mo­vi­mento da paz fez-se ouvir de­nun­ci­ando os ob­jetivos be­li­cistas da ci­meira e re­a­fir­mando a exi­gência de dis­so­lução da OTAN.

En­quanto na Tur­quia se de­batia a in­ten­si­fi­cação da guerra e se fe­chavam ne­gó­cios mi­li­o­ná­rios com a in­dús­tria ar­ma­men­tista, eram muitos os que fa­ziam ouvir a sua voz em de­fesa da paz e de um mundo mais justo e pa­cí­fico, cons­ci­entes de que a dis­so­lução deste bloco po­lí­tico-mi­litar agres­sivo é fun­da­mental para esse ob­jetivo. De Lisboa e do Porto saiu, ao final da tarde de dia 08, uma sau­dação a «todos os que, em Por­tugal e por todo o mundo, no­me­a­da­mente na Tur­quia, pro­testam contra a po­lí­tica be­li­cista da OTAN e lutam pela paz, em par­ti­cular para os que em An­cara foram alvo de brutal re­pressão».

Nas ações pro­mo­vidas pelo CPPC e a CGTP-IN no Largo José Sa­ra­mago, em Lisboa, e na Pra­ceta da Pa­les­tina, no Porto, es­ti­veram muitos da­queles que todos os dias as­sumem a luta em de­fesa dos di­reitos, das con­di­ções de vida, da de­mo­cracia e da paz. Pelas vozes de Isabel Ca­ma­rinha e Ma­nuela Branco, do CPPC; de Dinis Lou­renço e Paulo Car­valho, da CGTP-IN; dos jo­vens João Queirós e Joana Ma­chado; de Su­sana Ca­nato e Da­niela Costa, que apre­sen­taram; e do co­ronel e mi­litar de Abril José Bap­tista Alves, foi de­nun­ciada a po­lí­tica be­li­cista da OTAN, o papel desta or­ga­ni­zação en­quanto ins­tru­mento de guerra e agressão, braço ar­mado do im­pe­ri­a­lismo dos EUA, e o rastro de des­truição dei­xado pelo mundo.

A guerra, re­cordou-se, pre­ju­dica os tra­ba­lha­dores e os povos – em­bora haja quem ganhe e muito com elas: a vender armas, a des­truir países (como a re­cons­truí-los), a apo­derar-se de re­cursos na­tu­rais, mer­cados e rotas co­mer­ciais. Foi também de­nun­ciado que o au­mento dos gastos mi­li­tares, que a Cúpula de­cidiu in­cre­mentar ainda mais, tem im­pli­ca­ções ime­di­atas na di­mi­nuição do in­ves­ti­mento pú­blico na Saúde, na Edu­cação, na Cul­tura, no Des­porto, na Pro­teção So­cial, na Ha­bi­tação e também nos sa­lá­rios e pen­sões. Lutar por uma vida me­lhor para o nosso povo, por um Por­tugal so­be­rano e de­sen­vol­vido, é também lutar pela paz!

Re­a­firmou-se igual­mente o ca­minho que se impõe: a de­fesa da paz, do de­sar­ma­mento, da co­o­pe­ração, da so­li­da­ri­e­dade com os povos que en­frentam a agressão e a ameaça, o cum­pri­mento dos prin­cí­pios ins­critos na Carta das Na­ções Unidas, na Ata Final da Con­fe­rência de Hel­sin­que e na Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa. A ati­tude as­su­mida em An­cara pelo Go­verno por­tu­guês vai ao ar­repio de tudo isto: total ali­nha­mento com a po­lí­tica de guerra e con­fron­tação e toda a dis­po­ni­bi­li­dade para con­ti­nuar a des­viar re­cursos para ar­ma­mento, que tanta falta fazem em áreas fun­da­men­tais. Daí o com­pro­misso, ali uma vez mais re­a­fir­mado, de que a luta vai con­ti­nuar!

«Nem pre­ci­samos de ir mais atrás no tempo, na his­tória deste bloco po­lí­tico-mi­litar be­li­cista, que contou na sua cri­ação com a di­ta­dura fas­cista por­tu­guesa, a que deu su­porte para 13 anos de guerra co­lo­nial. Basta re­cordar as guerras da OTAN contra a Iu­gos­lávia, o Afe­ga­nistão ou a Líbia e o seu apoio à in­vasão e ocu­pação do Iraque. Basta olharmos para o seu si­lêncio, cum­pli­ci­dade, ou mesmo ativo e pre­pon­de­rante apoio para com a con­ti­nu­ação do ge­no­cídio do povo pa­les­ti­no por parte de Is­rael; a agressão de Is­rael ao Lí­bano; a agressão dos EUA e de Is­rael ao Irã; a ins­ti­gação e pro­lon­ga­mento da guerra na Ucrânia e o afas­ta­mento de uma so­lução pa­cí­fica para este con­flito; o brutal agra­va­mento do blo­queio dos EUA contra Cuba; a agressão mi­litar dos EUA à Ve­ne­zuela bo­li­va­riana e do se­questro do seu pre­si­dente; entre muitos ou­tros exem­plos.» Con­selho Por­tu­guês para a Paz e Co­o­pe­ração

«É com a paz, a re­so­lução pa­cí­fica e po­lí­tica dos con­flitos que é pos­sível efetivar os di­reitos que os tra­ba­lha­dores con­quistam e uma mais justa dis­tri­buição da ri­queza. Aos tra­ba­lha­dores in­te­ressa a so­li­da­ri­e­dade entre os povos, que exige o fim das agres­sões sobre o Lí­bano, o fim da ocu­pação is­ra­e­lense da Pa­les­tina e do ge­no­cídio do seu povo e a garantia de uma Pa­les­tina livre, in­de­pen­dente e so­be­rana, con­dição ne­ces­sária para a paz no Ori­ente Médio; o fim das agres­sões e in­ge­rên­cias sobre os povos da Amé­rica La­tina e do cri­mi­noso blo­queio sobre Cuba. Aos tra­ba­lha­dores e ao povo por­tu­guês só o cum­pri­mento da Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa, no­me­a­da­mente do seu ar­tigo 7.º – que pre­co­niza a abo­lição dos blocos po­lí­tico-mi­li­tares como é a OTAN – in­te­ressa. É dever do Go­verno por­tu­guês cum­prir a Cons­ti­tuição.» Con­fe­de­ração Geral dos Tra­ba­lha­dores Por­tu­gueses – In­ter­sin­dical Na­ci­onal

«A paz não é apenas a au­sência de guerra. Não existe ver­da­deira paz quando mi­lhões de jo­vens vivem sem acesso à ha­bi­tação, quando a pre­ca­ri­e­dade im­pede a cons­trução de um pro­jeto de vida, quando os sa­lá­rios não chegam até o fim do mês, quando se de­grada a es­cola pú­blica, quando se en­fra­quecem os ser­viços pú­blicos ou quando se li­mitam di­reitos con­quis­tados por ge­ra­ções in­teiras de tra­ba­lha­dores e de jo­vens. En­quanto au­mentam a verbas para a guerra, con­ti­nuam a faltar in­ves­ti­mentos na Edu­cação, na Saúde, na Ci­ência, na Cul­tura e na Ha­bi­tação. En­quanto se fala em “se­gu­rança”, eu­fe­mismo para guerra e in­ge­rên­cias mi­li­tares, es­quecem-se da se­gu­rança de quem tra­balha, de quem es­tuda e de quem luta di­a­ri­a­mente para viver com dig­ni­dade. Se há algo que a his­tória nos en­sina é que ne­nhum di­reito nos foi dado.» Comitê Na­ci­onal Pre­pa­ra­tório do 20.º Fes­tival Mun­dial da Ju­ven­tude e dos Es­tu­dantes

«Quem não vai deixar de ga­nhar com tudo isto é a in­dús­tria do ar­ma­mento mi­litar. Qual­quer guerra serve os seus in­te­resses, “quente” ou “fria”, tanto faz. O que im­porta é pro­duzir cada vez armas mais so­fis­ti­cadas, com mais ca­pa­ci­dade de matar e des­truir. (…) A dis­so­lução da OTAN de­veria estar na ordem do dia de qual­quer país eu­ropeu que se preze e preze a sua iden­ti­dade e so­be­rania. O futuro tem que ser cons­truído no res­peito pela Carta das Na­ções Unidas, que aco­lheu todo o imenso pa­tri­mônio ci­vi­li­za­ci­onal de então, cal­deado no res­caldo do mais brutal e san­grento con­flito que a Huma­ni­dade já co­nheceu, a Se­gunda Guerra Mun­dial. A Or­ga­ni­zação das Na­ções Unidas (ONU), criada em ou­tubro de 1945, com o ob­jetivo de pre­venir outro con­flito in­ter­na­ci­onal, propôs-se ga­rantir a ma­nu­tenção da paz, a so­lução pa­cí­fica dos con­flitos, a igual­dade entre na­ções, sejam elas grandes ou pe­quenas, e a pro­moção do pro­gresso so­cial.»
Co­ronel Bap­tista Alves, mi­litar de Abril

 

PCP so­li­dário

O PCP juntou-se aos que con­de­naram os ob­jetivos da Cúpula da OTAN e a pos­tura de su­bor­di­nação aí as­su­mida (sem sur­presa) pelo go­verno por­tu­guês. Re­a­firmou que o país deve dis­so­ciar-se da po­lí­tica agres­siva e das guerras dos EUA, da OTAN e da União Europeia, e afirmar a sua so­be­rania e in­de­pen­dência. Isso mesmo foi as­su­mido pelo Se­cre­tário-Geral, Paulo Rai­mundo, que es­teve pre­sente no ato pú­blico em Lisboa, e no co­mu­ni­cado emi­tido pelo Par­tido no dia 13, do qual su­bli­nhamos al­gumas ideias cen­trais.

Re­jei­tando o ca­minho da pro­moção da paz, da se­gu­rança co­letiva, da co­o­pe­ração, a Cúpula da OTAN reforçou a po­lí­tica be­li­cista.

São os EUA e os seus ali­ados os pri­meiros e prin­ci­pais res­pon­sá­veis pelo de­sen­freado au­mento das des­pesas mi­li­tares, a es­ca­lada ar­ma­men­tista, a ins­ti­gação da con­fron­tação, do mi­li­ta­rismo e da guerra.

A con­ver­gência no in­cre­mento do mi­li­ta­rismo e da guerra – em que se in­sere a ace­le­rada mi­li­ta­ri­zação da União Eu­ro­peia, en­quanto pilar eu­ropeu da OTAN – não apaga con­tra­di­ções, di­ver­gên­cias e di­fi­cul­dades.

A OTAN é res­pon­sável por dé­cadas de cor­rida aos ar­ma­mentos, apoio a guerras co­lo­niais, cum­pli­ci­dade com golpes de Es­tado, pro­moção da acção ter­ro­rista e guerras. Os seus países-mem­bros têm apoiado e sido cúm­plices do ge­no­cídio do povo pa­les­ti­no, das agres­sões mi­li­tares de Is­rael a ou­tros países do Ori­ente Médio ou da guerra dos EUA e Is­rael contra o Irã.

A OTAN con­tinua a ins­tigar e a im­pul­si­onar o pro­lon­ga­mento da guerra na Ucrânia – de­sen­ca­deada com o golpe de Es­tado de 2014 e agra­vada em 2022 –, assim como a ex­pandir a sua pre­sença e es­tru­tura mi­litar para o Leste da Eu­ropa, com os sé­rios riscos de um con­flito de ca­tas­tró­ficas pro­por­ções.

Nota com­pleta em https://pcp.pt/ci­meira-da-nato-ci­meira-do-ar­ma­mento-da-guerra

679 mil mi­lhões de dó­lares
Re­ceitas re­gis­tradas em 2024 pelos 100 mai­ores pro­du­tores de armas – um re­corde (no mesmo ano, o PIB por­tu­guês – em dó­lares – foi de 330,03 bi­lhões)

20%
Foi o au­mento re­gis­trado em apenas um ano das des­pesas mi­li­tares dos mem­bros eu­ro­peus da OTAN mais o Ca­nadá

43 mil mi­lhões de euros
Valor dos novos con­tratos ar­ma­men­tistas anun­ci­ados na Cúpula de An­cara

55%
Pro­porção das des­pesas mi­li­tares mun­diais já hoje as­su­mida pelos 32 países mem­bros da OTAN, ou seja, mais do que a soma dos res­tantes 161 Es­tados-mem­bros da ONU. Os EUA, so­zi­nhos, ul­tra­passam os 30%

1,61 bi­lhões de euros
Au­mento dos gastos mi­li­tares de Por­tugal em apenas um ano, re­pre­sen­tando já mais de 2% do PIB