Toda solidariedade aos povos da América Latina!

Editorial do Jornal O Poder Popular nº 107 (julho 2026)
arte: Maurício Souza
Vivemos momentos de extrema preocupação na América Latina. A desesperadora tragédia resultante do recente terremoto na Venezuela ceifou a vida de mais de 4 mil e quinhentas pessoas e feriu cerca de 17 mil, sendo estimado pela ONU o desaparecimento de até 50 mil indivíduos. As dificuldades para enfrentar o grave problema são tratadas pela grande mídia burguesa como de exclusiva responsabilidade do governo venezuelano, não havendo uma linha de crítica à invasão do país provocada pelo imperialismo estadunidense, que sequestrou Nicolas Maduro e Cilia Flores, além de ter assassinado aqueles que tentaram impor alguma resistência, a exemplo dos 32 heróis cubanos. De igual modo nada se fala a respeito do bloqueio e das sanções promovidas pelo governo dos EUA, conhecidas como Medidas Coercitivas Unilaterais, que há anos sufocam a economia e afetam diretamente a estrutura venezuelana.
Vemos também o avanço do cerco dos EUA a Cuba, com o recrudescimento do bloqueio econômico, financeiro e comercial, o sufocamento energético e as ameaças de agressão contra o povo cubano. tendo o governo de Trump anunciado agora um novo pacote de “sanções” contra dez entidades cubanas, incluindo o Ministério do Turismo, o Grupo Empresarial de Comércio Exterior (Gecomex), o Grupo Empresarial de Transporte Portuário Marítimo (Gemar), as empresas de energia Enetec e Coreydan, as Milícias das Tropas Territoriais e a Associação de Combatentes da Revolução Cubana.
Paralelamente a isso, os recentes resultados eleitorais no Peru e na Colômbia, com a vitória, mesmo que apertada, de candidatos da extrema-direita e denúncias de fraudes e manipulação de votos, demonstram que o fascismo criou fortes bases na América Latina. Está se formando um conglomerado de governos associados aos interesses do imperialismo estadunidense, do qual já faziam parte os líderes reacionários da Argentina, Chile, Bolívia e Equador.
Em contrapartida, as grandes mobilizações convocadas pela Central Operária e organizações dos povos originários na Bolívia, em que pese todo o aparato repressivo do governo, apontam o caminho da resistência e das manifestações populares para barrar o crescimento da extrema-direita no nosso continente.
No Brasil, o bolsonarismo adota o mesmo papel vergonhoso de quinta coluna do imperialismo dos EUA. Enquanto posa de patriota diante das câmeras, conspira nos bastidores contra os interesses nacionais. Enquanto se enrola na bandeira brasileira, ajoelha-se diante da bandeira dos Estados Unidos. Enquanto discursa sobre soberania, trabalha para transformar o Brasil numa colônia subordinada aos interesses de Washington.
As ações do governo Trump contra o Brasil desmontam qualquer ilusão daqueles que acreditavam ser possível estabelecer uma relação de confiança com o imperialismo estadunidense. Como o PCB sempre alertou, o imperialismo não tem amigos, parceiros ou aliados permanentes. Tem apenas interesses, pelos quais busca impor a submissão dos povos, o controle dos mercados, a apropriação das riquezas estratégicas e a imposição de governos dóceis aos seus desígnios.
Washington classificou o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, criando um perigoso precedente para justificar futuras ingerências em assuntos internos brasileiros. Em seguida, anunciou novas barreiras comerciais e tarifas contra produtos nacionais, utilizando argumentos ridículos e arbitrários para atacar setores da economia brasileira e pressionar o governo Lula. As medidas anunciadas visam apenas criar pretextos para chantagear o país e saquear nossas riquezas.
Diante desse cenário, torna-se cada vez mais urgente a construção de uma Frente Anti-imperialista e Anticapitalista no Brasil e em toda Nossa América, capaz de reunir as forças revolucionárias, entidades sindicais, organizações populares, a juventude, os setores democráticos e todos aqueles/as dispostos/as a defender os interesses dos povos e da classe trabalhadora. Essa Frente será mais forte se conseguirmos formar Comitês Populares Anti-imperialistas nos locais de trabalho, estudo, moradia e nas comunidades, de forma a incorporar os/as ativistas nesta batalha em defesa da soberania nacional e popular.
Essa luta não pode se limitar à defesa abstrata da soberania. A defesa da nação está inseparavelmente ligada à defesa da pauta dos trabalhadores e das trabalhadoras. Não haverá independência nacional enquanto o sistema financeiro controlar a economia. Não haverá soberania enquanto nossas riquezas estratégicas estiverem submetidas ao capital estrangeiro. Não haverá democracia verdadeira enquanto a maioria do povo permanecer excluída das decisões políticas.
A hora exige organização, consciência e mobilização. Contra os ataques do imperialismo, vamos à luta, promover a resistência e construir o Poder Popular, no rumo do Socialismo!
TODA SOLIDARIEDADE A CUBA E AOS POVOS DA AMÉRICA LATINA!
CONTRA O IMPERIALISMO, AVANÇAR NA LUTA PELO SOCIALISMO!
Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB)
