A Nakba Palestina Continua

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)
No dia 15 de maio é lembrada a data que marcou profundamente a memória de milhares de famílias palestinas, as quais foram obrigadas a deixar suas terras após a criação do Estado de Israel em 1948, no episódio que ficou conhecido como NAKBA ou grande catástrofe. Parte do povo palestino foi levado a um êxodo forçado, expulso pelas forças militares israelenses, em uma diáspora de cerca de 760 mil palestinos à época. Hoje são mais de 6 milhões de refugiados/as palestinos/as distribuídos/as em diversos países da região e outras partes do mundo.
A partir dessa expulsão das famílias palestinas, o Estado de Israel se consolidou e avançou seus domínios através de uma política colonialista e autoritária contra a população palestina, sobretudo na região da Cisjordânia, promovendo todo tipo de abuso e desrespeito às resoluções da ONU, tais como prisões arbitrárias e a expansão de colônias ilegais em regiões consideradas parte do território palestino.
Esse processo tem acentuado as tensões locais, que levaram a diversas escaladas de violência do Estado terrorista de Israel contra a população civil palestina ao longo dos últimos 78 anos, culminando no recrudescimento do conflito a partir de outubro de 2023.
O mundo tem assistido a uma desproporcional e injustificada ação militar israelense, que deve ser caracterizada como genocídio pelos massacres sistemáticos da população civil palestina na Faixa de Gaza e também de etnocídio, ou seja, limpeza étnica de um povo, configurando crimes contra a humanidade promovidos pelo Estado sionista e seu governo de ultradireita.
Não bastassem as inúmeras atrocidades cometidas pelo Estado de Israel contra o Povo Palestino, o Parlamento israelense (Knesset) aprovou, em 11 de maio de 2026, uma lei estabelecendo a criação de um tribunal especial com autoridade para impor a pena de morte a palestinos acusados de envolvimento nos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. A lei confere amplos poderes para esse tribunal julgar coletivamente mais de 400 prisioneiros palestinos.
Em todo o mundo milhares de manifestações vêm ocorrendo no sentido de pressionar seus países a cortar relações diplomáticas com o governo neofascista de Benjamin Netanyahu e sua política belicista, que até aqui já assassinou mais de 65 mil palestinos/as, em sua grande maioria mulheres, crianças e pessoas com mais de 65 anos na Faixa de Gaza. Também se verificam os efeitos destas ações na Cisjordânia ocupada por colonos sionistas, que promoveram massacres de civis palestinos com a complacência do governo israelense, o qual inclusive estimula o armamento desses colonos.
O PCB sempre adotou uma posição de irrestrita solidariedade para com o povo palestino em sua luta de resistência heroica contra o apartheid social e o autoritarismo militarizado que os governos israelenses, ao longo de décadas, submetem por meio de seu domínio na região, parte da estratégia de dominação imperialista estadunidense no Oriente Médio. Estamos comprometidos com a construção dos Comitês de Solidariedade à Palestina e com o fortalecimento das campanhas de denúncia do genocídio em curso, assim como a necessária condenação do governo sionista de Benjamin Netanyahu e de seus aliados por crimes contra a humanidade.
Entendemos que campanhas internacionais como o Movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) por liberdade, justiça e igualdade de condições do povo palestino e os movimentos de ocupação das universidades pela ruptura das relações e dos contratos de cooperação cientifica e tecnológica com Israel são importantes exemplos de resistência e unidade de ação em nível internacional, visando pressionar os respectivos governos pela suspensão das relações diplomáticas com o Estado genocida de Israel, que além da Faixa de Gaza e Cisjordânia, avança seus ataques contra o Líbano, mesmo estando em negociações de cessar-fogo.
O Governo Brasileiro não pode ficar apenas nos discursos e notas diplomáticas. É preciso medidas concretas começando pelo rompimento das relações econômicas, militares, acadêmicas e institucionais com o Estado sionista de Israel.
Neste mês de maio estendemos nossa total e irrestrita solidariedade militante à causa palestina, pela autodeterminação do povo palestino e pelo fim do etnocídio em curso promovido pelo governo sionista de Israel, com a cumplicidade da burguesia árabe e apoio das grandes potências capitalistas, especialmente do governo imperialista de Trump.
Toda solidariedade ao povo palestino!
Palestina Livre do Rio ao Mar!
COMISSÃO POLÍTICA NACIONAL
PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO – PCB
