Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Construir o movimento anti-imperialista e avançar a luta da classe trabalhadora!

O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) avalia que o sistema imperialista, quanto mais intensifica seu declínio, mais abusa da violência e da agressividade. O que estamos assistindo não são fatos isolados, mas parte da ofensiva global de um sistema em decadência que tenta, com mais agressões e ataques, manter sua hegemonia sobre os povos. Após a invasão da Venezuela e a escalada permanente contra as nações que não se submetem às ordens de Washington, os Estados Unidos, em aliança com Israel, atacaram o Irã no momento em que estavam em negociações.

Trump e seu aliado sionista apostaram numa rápida capitulação, imaginando o mesmo cenário que ocorreu na Venezuela, mas foram surpreendidos pela brava resistência do Irã, que conseguiu atingir todas as bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, além de provocar graves danos no interior de Israel, desmoralizado o chamado “Domo de Ferro”, um sistema de defesa aérea que não foi capaz de deter os mísseis iranianos, praticamente quebrando o mito de invencibilidade do imperialismo estadunidense e de Israel.

Ao mesmo tempo em que saúda a resistência do povo e das forças armadas do Irã, o PCB denuncia e repudia com veemência essa guerra de agressão. O Irã demonstrou bravura mediante a enorme capacidade de realizar uma guerra assimétrica, envolvendo uma dura resposta militar, aliada ao fechamento do estreito de Ormuz, fato que ganhou uma enorme dimensão política e econômica no mundo inteiro. O povo iraniano e suas forças armadas demonstraram que uma resistência organizada é capaz de enfrentar as maiores potências militares.

Mesmo diante das contumazes fanfarronices de Trump, ameaçando destruir a civilização iraniana, não se pode subestimar o poder destrutivo do imperialismo dos EUA e do sionismo. Essas duas forças seguem sendo brutais, violentas e destrutivas. Mas a firmeza como tem se comportado o Irã torna-se um exemplo para todos os povos do mundo porque demonstrou que os Estados Unidos e o governo de Israel não são invencíveis, ao passo que suas ações contribuíram para o isolamento internacional dessas duas nações belicistas.

Até agora não se pode ainda prever um desfecho da guerra no Oriente Médio porque o imperialismo em decadência se comporta como um animal ferido e, por isso, se torna ainda mais perigoso. Os recentes ataques israelenses ao Líbano, resultando inclusive na morte de membros de uma família brasileira (à qual externamos nossa total solidariedade), demonstra a intenção do sionismo de estender o conflito a toda a região, visando ampliar os seus domínios, com apoio dos EUA. Dessa forma, os desdobramentos da guerra permanecem incertos, mas uma eventual derrota imperialista e sionista na região, aliada à derrota da OTAN na Ucrânia, pode influir no sentido da mudança na correlação de forças no mundo, abrindo espaço para a emergência dos povos que resistem aos ataques imperialistas.

Diante dessas dificuldades, o imperialismo estadunidense deve concentrar suas forças para reforçar a dominação sobre a América Latina, buscando aplicar sua doutrina de segurança nacional. Não por acaso intensificam-se as ameaças de intervenção militar em Cuba e cresce a pressão sobre toda a região, particularmente porque o governo Trump vem interferindo nas eleições de vários países. Não se pode esquecer que o Brasil, por sua dimensão econômica, política e pelos imensos recursos naturais, está no radar do imperialismo dos EUA, apesar de muitos se iludirem com uma suposta química entre Trump e Lula.

Vale lembrar que a história nos ensina que o imperialismo não tem amigos, tem apenas interesses. Parte da ofensiva contra nosso país pode ser constatada nas pressões pelo fim do pix, nas críticas a uma possível regulação das big techs e agora com a negociata dos recursos estratégicos, mediante a aquisição por parte de uma empresa dos Estados Unidos da única firma brasileira que opera terras raras. Trata-se de um verdadeiro saque aos recursos naturais, realizado com a conivência dos setores entreguistas e a omissão do governo.

Portanto, cada vez mais está na ordem do dia a luta anti-imperialista no Brasil, porque essa ofensiva vai se intensificar à medida que os Estados Unidos vão perdendo terreno em outras partes do mundo. Mas é fundamental entender que a luta anti-imperialista deve ser realizada colocando na ordem do dia a pauta dos trabalhadores e das trabalhadoras, porque nenhum movimento com essa dimensão poderá ser vitorioso se não incorporar as reivindicações da classe trabalhadora nesse processo.

A ganância dos Estados Unidos em relação ao Brasil não pode ser subestimada porque o imperialismo possui forte base social no país, cuja principal expressão é o bolsonarismo, que está presente tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, em vários governos estaduais, no interior das Forças Armadas, nas camadas médias urbanas e até em setores do proletariado. Tais grupos se tornarão mais ativos com as eleições deste ano, principalmente se ocorrer alguma interferência externa.

Não se pode esquecer ainda que o bolsonarismo é a expressão dos setores mais reacionários das classes dominantes e representa uma ameaça concreta para os/as trabalhadores/as e o povo brasileiro, porque faz parte de um projeto que aposta na destruição de direitos sociais, na política do ódio, no racismo, no machismo e na misoginia, na LGBTfobia, em toda forma de opressão, no irracionalismo e no ataque às liberdades democráticas. Além disso, o bolsonarismo é o principal defensor dos interesses dos Estados Unidos e funciona como quinta coluna em nosso país.

Por isso, a nossa luta deve ser realizada em duas frentes: de um lado, combater permanentemente o bolsonarismo e a extrema direita tanto nesse processo eleitoral quanto em todas as lutas cotidianas e nas instituições, em função do perigo que representa para o Brasil e a classe trabalhadora. A história mostra que projetos autoritários só podem ser derrotados com mobilização popular nas ruas, nos locais de trabalho, nos bairros, nas escolas, nas universidades. A extrema-direita só recua diante da força organizada das massas.

Por outro lado, é importante também denunciar a política de conciliação de classes do atual governo. Embora Lula tenha derrotado eleitoralmente o bolsonarismo, o que nos livrou do genocida agora preso, o governo realiza uma política nos limites dos interesses dos grandes grupos econômicos e do agronegócio, mantém o tripé macroeconômico neoliberal, além de não cumprir a promessa de revogar a reforma trabalhista e rever a reforma previdenciária. Realiza uma política de compensação social que não altera a estrutura da exploração e ainda serve como vitrine para justificar o social-liberalismo.

Há forte insatisfação da população com a violência urbana, as desigualdades, a superexploração do trabalho, a precariedade dos serviços públicos, a falta de moradia, o endividamento das famílias (acentuada pela propagação das bets), situação que, de modo geral, acaba pesando mais contra o governo Lula do que contra os donos dos capital. Além disso, a pressão do PT para evitar candidaturas do campo da esquerda no primeiro turno, para forçar apoio exclusivo a Lula, pode ser um tiro no pé, já que a direita lançará vários candidatos e vão disparar em uníssono suas baterias contra o governo.

É nesse contexto que o PCB apresenta a pré-candidatura do camarada Edmilson Costa. Uma pré-candidatura que não se curva aos interesses dominantes, que não silencia diante dos poderosos e que vai qualificar o debate, colocando na ordem do dia um conjunto de temas que as outras candidaturas não querem ou não podem colocar em função de suas identidades de classes e alianças políticas, como a luta contra o imperialismo, a defesa da soberania nacional e popular, a revogação das contrarreformas, a recomposição do poder de compra dos salários e a necessidade de profundas transformações sociais.

Propomos também profundas transformações estruturais no sistema político, na economia, nas relações sociais e trabalhistas, na saúde e educação e nas relações internacionais, como forma de fomentar o debate político visando a construção do poder popular e do socialismo em nosso país. Esta pré-candidatura não é apenas eleitoral, mas um instrumento de luta, uma trincheira para elevar a consciência, organizar o povo e construir uma alternativa real de poder. É uma pré-candidatura que vai colocar a política no posto de comando porque acreditamos que a população está cansada desse sistema que privilegia apenas os ricos e poderosos. Chegou a vez de devolver o Brasil ao seu verdadeiro dono: o povo brasileiro.

Toda solidariedade a Cuba, Venezuela, Palestina, Irã e a todos os povos que lutam contra o imperialismo.

Fora o imperialismo da América Latina e do Brasil!

Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)