Sobre o tombamento do prédio do DOPS/RJ

Foto: Tânia Rêgo – Agência Brasil
A notícia do tombamento do antigo prédio que serviu ao DOPS – Departamento de Ordem Política e Social, no Centro do Rio de Janeiro nos últimos dias de 2025, edifício inaugurado há mais de um século para funcionar como Central de Polícia da ex-capital federal, icônica construção de estilo afrancesado, é algo que se recebe com muita satisfação.
O ato da Ministra da Cultura, após todo o trâmite processual no âmbito do IPHAN – Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, coroa décadas de luta para que esse bem venha a se tornar em futuro próximo um centro de resgate da Memória, que sirva à Verdade, que seja um passo a mais na longa trajetória por Reparação e Justiça. Outros centros de tortura e assassinato da ditadura empresarial-militar de 64, como a sede do 1º Batalhão de Polícia do Exército no Rio de Janeiro (Rua Barão de Mesquita) e a Casa da Morte, em Petrópolis, também precisam ter o mesmo destino do antigo prédio do DOPS.
A memória–referência da opressão vinculada a esse prédio deriva desde sua inauguração quando, então, serviu como base para a repressão à capoeira, às religiões de matriz africana, tendo ainda servido de cárcere durante a ditadura getulista ao então Secretário Geral do PCB, Luiz Carlos Prestes, e à camarada Olga Benário, antes de esta ser deportada para a Alemanha Nazista. Do início dos anos 60 até meados dos 70 do século passado, sediou o antigo DOPS/RJ, onde foram encarcerados e torturados inúmeros opositores da ditadura empresarial–militar de 64.
O ato de tombamento, fruto da mobilização e das lutas de inúmeras organizações, como o Grupo Tortura Nunca Mais, e de manifestações como o Ocupa DOPS, contou desde sempre com a participação efetiva do PCB, Partido que, nas ditaduras do Estado Novo e de 1964-1985, sofreu intensa perseguição e teve centenas de militantes presos, torturados e assassinados. Embora a iniciativa seja um passo extremamente importante, não se tem como suficiente.
É fundamental que se avance incisivamente para que o prédio se torne um espaço que revele à toda a sociedade brasileira e ao mundo o que representaram suas décadas e décadas de serviço estatal à repressão e à opressão. Um símbolo que afirme e reafirme o que não mais se quer repetir e para que nunca mais aconteça.
Por Memória, Verdade, Justiça e Reparação!
Ditadura nunca mais!
Comissão Política Regional RJ
PCB – Partido Comunista Brasileiro
05/01/2026
