Declaração do Partido Comunista da Bolívia

Resumen Latinoamericano
A classe trabalhadora urbana e rural da Bolívia vem realizando protestos há mais de um mês. Não faltam motivos para a mobilização dos trabalhadores. O governo de Rodrigo Paz tem se mostrado, desde que assumiu o poder, subserviente aos interesses de monopólios estrangeiros e da ínfima minoria de proprietários do capital e de terras em nosso país.
Em apenas alguns meses, o governo de Rodrigo Paz revelou suas verdadeiras intenções: uma coalizão que chegou ao poder no vácuo deixado pelo colapso dos governos do MAS e que governa a serviço da burguesia agroindustrial de Santa Cruz e dos interesses geopolíticos do imperialismo estadunidense.
Desde os primeiros dias, demonstrou sua lealdade aos ricos deste país ao eliminar o Imposto sobre Grandes Fortunas, permitir o retorno da DEA, promulgar o Decreto Supremo 5503, que eliminou os subsídios aos hidrocarbonetos e congelou os salários do setor público, entre outras medidas. Em abril de 2026, promulgou a Lei 1720, que visava desmantelar a proteção constitucional das pequenas propriedades rurais e entregá-las a grandes latifúndios e ao capital financeiro.
Desde então, o país testemunhou até 100 bloqueios de estradas, uma marcha indígena que começou no departamento de Pando e chegou a La Paz após 28 dias de caminhada, um piquete de greve de fome de mulheres e assembleias populares contínuas convocadas pela Central Operária Boliviana (COB), organizações camponesas e indígenas e a Federação dos Conselhos de Bairro de El Alto. Esta última assembleia, que reuniu organizações sociais camponesas, conselhos de bairro, a COB, mineiros assalariados, professores rurais, transportadores, sindicalistas, operários e pais, decidiu não dialogar com o Executivo e submeter-se apenas às demandas populares, exigindo a renúncia de Rodrigo Paz.
A resposta do governo não foi o diálogo, mas sim a repressão e a prisão de líderes de organizações populares e de base. No mesmo dia da assembleia aberta, Justino Apaza, líder comunitário de El Alto, foi detido arbitrariamente. Em 4 de junho, o Senado aprovou um projeto de lei sobre o Estado de Emergência que suspende as garantias constitucionais. O presidente chegou ao ponto de publicar um vídeo convocando civis (na realidade, convocando organizações paramilitares de direita e extrema-direita) a se juntarem aos contingentes militares e policiais para atacar os manifestantes.
Rodrigo Paz já havia realizado encontros com grupos paramilitares criminosos armados, como a Resistência Juvenil de Cochabamba (RJC) e a União da Juventude de Santa Cruz (UJC), cujo papel no golpe de 2019 foi nefasto, atacando violentamente civis desarmados. Um dos líderes da RJC, que cumpria pena, foi recentemente libertado. No dia 6 de junho, em San Julián, Santa Cruz, uma operação policial e militar, acompanhada por paramilitares da Unión Juvenil Cruceñista, deixou cerca de 33 feridos, incluindo um manifestante civil que passou por cirurgia devido a um ferimento a bala e um policial em terapia intensiva com um traumatismo craniano.
A este respeito, a Central Operária Boliviana (COB) denunciou operações clandestinas realizadas por agentes encapuzados em veículos civis sem placas ou identificação institucional, efetuando prisões sem mandado. Em 7 de junho, cinco líderes da COB foram detidos ilegalmente e submetidos a tortura pela polícia. O que o governo está fazendo é uma caça às bruxas contra a liderança sindical e uma campanha midiática para rotular líderes populares como “terroristas” e “criminosos comuns”. Esta é a verdadeira face da democracia que o imperialismo estadunidense defende.
Um governo que não consegue se manter sem suspender as garantias que invoca para se legitimar confessou publicamente seu fracasso.
Nós, do comitê de reorganização do Partido Comunista da Bolívia (PCB), repudiamos a violenta repressão desencadeada pelo governo de Rodrigo Paz, manifestamos nossa solidariedade à liderança da COB, CSUTCB, FEJUVE El Alto e a todas as organizações sociais e pessoas mobilizadas que resistem bravamente ao aparato repressivo do governo.
No dia 8 de junho, Rodrigo Paz promulgou a Lei 1740, que “regulamenta” o estado de emergência na Bolívia. Essa lei busca proteger as forças repressivas do Estado a fim de seguirem cometendo atos que violem os direitos humanos dos bolivianos. Em seu discurso, Paz classificou as mobilizações sociais como atos de terrorismo, tentando justificar o uso do direito penal e das leis de emergência contra toda mobilização social, justificando, assim, a repressão policial e militar.
Diante dessa situação, alertamos a classe trabalhadora de que o governo pretende manchar o povo boliviano de sangue, silenciar todo o direito de protesto e, dessa forma, implementar seus planos econômicos e sociais contra os trabalhadores. Esses planos consistem em entregar recursos naturais a países estrangeiros e privatizar empresas estatais estratégicas em benefício de monopólios estrangeiros e da burguesia nacional, gerando novos aumentos nos preços de bens e serviços básicos.
Da mesma forma, conforme reivindicado pela maioria da classe trabalhadora que sofre com os impactos das políticas pró-mercado do governo, EXIGIMOS A RENÚNCIA DE RODRIGO PAZ da presidência. Somente um povo organizado garante a democracia em nosso país. Conclamamos a união total para derrubar este governo fantoche que só trouxe miséria e pobreza para a classe trabalhadora.
Partido Comunista da Bolívia (Comitê de Reorganização)
Juventude Comunista da Bolívia
FORA GOVERNO DE RODRIGO PAZ!
LIBERDADE PARA OS LÍDERES PRESOS!
ABAIXO A LEI 1740!
VIVA A UNIDADE DA CLASSE TRABALHADORA E CAMPONESA!
