As ameaças de Trump à Groenlândia

Nota Política do Partido Comunista do Canadá

A crise na Groenlândia atropela a soberania indígena e acarreta riscos de militarização, pilhagem de recursos e desastre ambiental.

A retórica renovada e cada vez mais agressiva de Donald Trump sobre a anexação da Groenlândia aos Estados Unidos está rapidamente se transformando em um perigoso confronto entre países do bloco imperialista EUA-OTAN. Tanto as ameaças de Trump quanto a resposta de muitos países da OTAN – o envio de tropas para a Groenlândia como parte de exercícios conjuntos – têm origem na ambição das economias capitalistas mais poderosas para dividir e redividir o território mundial em áreas de controle e influência. Essa rivalidade interimperialista atropela a soberania indígena e acarreta riscos de militarização em larga escala, pilhagem de recursos e desastre ecológico na Groenlândia e em todo o Ártico.

O Ártico é extremamente importante do ponto de vista geoestratégico, em parte devido à sua proximidade com a Rússia, razão pela qual Trump alega que a anexação da Groenlândia é necessária para o seu proposto escudo antimíssil “Domo Dourado”, que o governo canadense, vergonhosamente, demonstrou interesse em apoiar. Mas a região também se torna cada vez mais importante, pois as mudanças climáticas ameaçam abrir novas rotas comerciais e a extração de recursos de terras raras, petróleo e gás ali localizados. A atual crise política é resultado direto da intensificação da competição entre grandes monopólios, incluindo aqueles dentro do bloco EUA-OTAN, para garantir vantagens econômicas nesse contexto. Mas o Ártico também é uma região internacional: abriga centenas de milhares de povos indígenas em mais de 40 nações que vivem no território há milhares de anos, e oito Estados-membros da ONU compartilham fronteiras dentro da região.

A mais recente investida de Trump para anexar a Groenlândia coincide com seu ataque militar de 3 de janeiro à Venezuela, uma clara violação do direito internacional, conduzida com seu objetivo declarado de controlar o hemisfério das Américas para o benefício econômico dos Estados Unidos e de monopólios sediados nos EUA. Ironicamente, os mesmos líderes políticos do Canadá e da Europa com quem Trump está atualmente em conflito sobre a Groenlândia têm feito manobras diplomáticas para justificar o ataque ilegal dos EUA à Venezuela e o sequestro de seu chefe de Estado, Nicolás Maduro. A resposta é diferente, mas a questão fundamental é a mesma: o respeito e a defesa da soberania diante da agressão imperialista. Claramente, a soberania – incluindo a soberania canadense, que Trump também atacou especificamente – não será protegida por meio de blocos militares imperialistas como a OTAN, que exigem altos gastos militares e fomentam uma corrida armamentista global para expandir o alcance de seus estados capitalistas e monopólios. Em vez disso, a proteção da soberania exige respeito ao direito internacional e diplomacia genuína por meio da estrutura dos pactos, tratados e mecanismos das Nações Unidas.

O Partido Comunista do Canadá condena as medidas de Washington para anexar a Groenlândia, bem como os apelos dos países da OTAN para aumentar sua presença militar na região. O Partido reitera seu apelo de longa data para que o Canadá se retire da OTAN e de outros blocos militares, desvincule suas políticas externa e militar dos Estados Unidos e adote uma política externa independente baseada na paz, no desarmamento, na cooperação global e no respeito à soberania. Também apelamos para que o Canadá se retire de acordos comerciais corporativos como o USMCA e busque políticas comerciais mutuamente benéficas com o mundo, baseadas no pleno emprego, no respeito aos direitos dos povos indígenas e na proteção ambiental. Além disso, apelamos para novos e urgentes esforços na elaboração de um tratado internacional por meio da ONU, que crie uma zona de paz desmilitarizada no Ártico, que respeite e garanta os direitos sociais, econômicos e políticos dos povos indígenas que vivem no Ártico e que proteja o delicado e precioso ambiente natural da região.

Comitê Executivo Central Partido Comunista do Canadá

20 de janeiro de 2026