Uma Introdução ao Pensamento de Lukács

A FUNDAÇÃO DINARCO REIS APRESENTA:
MINI CURSO COM JOSÉ PAULO NETTO
UMA INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO DE LUKÁCS
AULAS EM FEVEREIRO ÀS QUARTAS, DAS 19:00 ÀS 21:30 PELA PLATAFORMA EVEN3
DIA 04/02 – AULA 1: A recusa do mundo burguês (1902 a 1918)
DIA 11/02 – AULA 2: A prova da política (1918 a 1930)
DIA 18/02 – AULA 3: Os tempos difíceis (1930 a 1958)
DIA 25/02 – AULA 4: O guerreiro sem repouso (1958 a 1971)
VALOR: R$ 80,00
AS AULAS FICARÃO GRAVADAS
SERÁ ENVIADO CERTIFICADO PARA OS PARTICIPANTES
Inscrições no link: https://www.even3.com.br/curso-uma-introducao-ao-pensamento-de-lukacs-686302?even3_orig=events_eventlist
LUKÁCS E A ATUALIDADE DO MARXISMO
Georg Lukács nasceu em Budapeste, Hungria, no dia 13 de abril de 1885. Tornou-se doutor em Filosofia pela Universidade de Budapeste em 1909. Após a Revolução de Outubro de 1917, ingressou no Partido Comunista da Hungria. Em 1919, com a eclosão da Revolução Húngara, foi designado vice-comissário do Povo para a Cultura e a Educação Pública, realizando profunda reforma educacional, socialização das editoras e abertura dos museus e teatros aos trabalhadores. O fascismo destruiu a experiência socialista na Hungria e, no exílio em Viena, Lukács elaborou os originais de uma de suas mais importantes obras teóricas: História e Consciência de Classe, publicada em 1923.
O livro foi condenado pela Internacional Comunista em seu V Congresso (1924), atacado por um suposto “revisionismo teórico”. Lukács afastou-se da política partidária ao ser ameaçado de expulsão do PC húngaro após a divulgação de suas Teses de Blum (pseudônimo usado na clandestinidade), derrotadas no II Congresso do Partido (1929), por defender a “ditadura democrática do proletariado e do campesinato” e retratar a classe trabalhadora como herdeira da melhor tradição da humanidade – incluindo aí a tradição revolucionária burguesa – e não apenas a criadora da nova cultura operária.
Com o fim da guerra e a derrota do fascismo, Lukács retornaria a Budapeste, tendo sido eleito membro do parlamento húngaro. Voltou a participar ativamente da vida cultural europeia, mas, entre 1949 e 1953, sofreu perseguição dos seguidores de Stálin. Escreve A Destruição da Razão, na qual investigava as raízes históricas da tragédia alemã (do caminho prussiano ao nazismo) e criticava a postura da intelectualidade moderna (com destaque para Nietzsche), representante da decadência ideológica da burguesia na etapa imperialista, cujas características principais seriam o ataque ao materialismo dialético e a apologia ao capitalismo.
Na década de 1960, após a publicação de sua Estética, ambiciosa tentativa de constituir uma teoria marxista das manifestações artísticas, dedicou-se à elaboração de uma Ética marxista, resultando, após estudos iniciais sobre os fundamentos dos valores inscritos na práxis humana, na redação da Ontologia do Ser Social, obra somente publicada na íntegra postumamente.
Segundo José Paulo Netto, uma das grandes contribuições teóricas de Lukács foi denunciar o processo de manipulação social inerente ao capitalismo tardio e as novas formas de alienação daí decorrentes. Por mais críticas que tivesse aos Estados socialistas de seu tempo, fortemente marcados por práticas antidemocráticas e burocratizantes, em entrevista do início de 1970, Lukács não deixava dúvidas a respeito de seu posicionamento político e ideológico, ao qual foi fiel em toda a vida: “O pior socialismo é preferível ao melhor capitalismo”.
Na melhor tradição do marxismo clássico, José Paulo Netto associa sua produção teórica a um intenso engajamento na luta das ideias de seu tempo. Professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem vínculos com outras instituições de ensino do país e exterior e atuação destacada junto à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de estudos e debates vinculado ao MST. Incansável divulgador do marxismo crítico no Brasil e autor de uma vasta obra política e teórica, é também responsável por traduções de textos de autores clássicos, tais como Marx, Engels, Lênin e Lukács.
