Colômbia: A paz continua distante e morro acima

imagemResumen Latinoamericano. Isaac Marín, Trochando Sin Fronteras. 22 de abril de 2017

Nos últimos anos, o debate nacional girou em torno da construção da paz, ou da pacificação da Colômbia, dependendo de quem tome a palavra. O país político discute a partir de diferentes margens sobre o que deveria ser a tão ansiada paz. As mesas de diálogo do governo nacional com as insurgências (FARC e ELN) ocuparam a agenda de diversos setores, vários governos e personalidades do mundo se envolveram de uma ou outra forma no desenvolvimento destas negociações.

Apesar do que os meios massivos de comunicação abundaram em manchetes e programas sobre paz ou pacificação e do que os analistas escreveram, debateram e especularam sobre o assunto, é evidente que a população colombiana ficou à margem do debate, não teve a oportunidade de participar ativamente, não lhe foi perguntado qual paz quer para seu território.

A paz está sendo construída conforme a vontade de uns poucos. O governo nacional fechou qualquer possibilidade de participação dos cidadãos comuns e está preocupado em terminar o conflito armado, buscando esforçadamente que as guerrilhas abandonem as armas e se desmobilizem porque são uma ameaça para os grupos financeiros, para o usufruto dos recursos por conta de uns poucos e para a acumulação de capital em territórios ainda inexplorados.

Os acordos e a desmobilização que pressionam governos estrangeiros, como o Reino Unido, os Estados Unidos e a Noruega, os organismos multilaterais como a Comunidade Econômica Europeia, Nações Unidas, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre outros, visam ganhar maior dinamismo em suas economias, obter mais lucros fundamentalmente nos setores agroindustriais, extrativistas e turísticos na Colômbia. Chamam isto de crescimento econômico e desenvolvimento para o país. Foi dessa maneira que Santos vendeu os pós-acordos aos demais países e até recebeu o Nobel da Paz.

Já na fase de implantação dos acordos assinados entre Governo e FARC, e entrada a fase pública de negociação entre Governo e ELN, uma série de acontecimentos colocam em dúvida a pomba branca da paz. O assassinato sistemático, nos últimos 15 meses, de 125 líderes sociais e defensores de direitos humanos, um pacote de leis e normas que limitam os direitos e afetam diretamente a renda dos trabalhadores, a reengenharia e o crescimento do paramilitarismo, a corrupção e a impunidade devastam as esperanças de alcançar a paz.

Se denunciar, exigir e exercer a oposição continua sendo causa de morte e desaparecimento para os líderes sociais, então é mentira que o Estado quer tirar a guerra da política. Aqui os que têm o poder não têm a menor disposição de reconhecer a grande maioria que exige a democracia. Não existe vontade nem compromisso de resolver o conflito social quando se legisla para colocar a mão no bolso de todo o mundo, como ocorreu com a recente reforma tributária.

Este governo fez um esforço grande para mudar tudo para não mudar nada! Tanto assim que os camponeses continuam sem terra, enquanto, sob a lei das zonas de interesse de desenvolvimento rural e econômico (ZIDRES), milhões de hectares são entregues a empresários, os paramilitares estão em pelo menos 30 departamentos e seguem despojando e deslocando milhares de famílias.

É evidente que o governo de Santos conseguiu que as FARC depusessem suas armas e o confronto bélico diminuísse significativamente, o que não significa que o país tenha superado a crise social que anos atrás deu origem a levantes armados. Isto quer dizer que a esperada paz continua distante e morro acima.

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2017/04/22/colombia-la-paz-sigue-lejos-y-cuesta-arriba-opinion/

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)