Pelo fim da escala 6×1 e por 30 horas semanais

Ato de rua contra a escala 6×1. Foto Rafael Melo / Folha de Pernambuco.
Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista (UJC)
É hora de ir às ruas!
A luta pela redução da carga horária de trabalho sem redução salarial tem ganhado reverberação e apelo popular. Nacionalizada em 2022, durante um programa de TV da campanha eleitoral à presidência, a então candidata do PCB, Sofia Manzano, trouxe à tona o debate pelas 30 horas semanais como lei. Em 2023, essa campanha chega às massas com um debate simples e objetivo: “minha vida gira em torno do trabalho!”. Nessa lógica, cerca de 49 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, vivem essa realidade: trabalham, em média, 44 horas semanais, em regime de escala 6×1, com um salário mínimo de R$ 1.621,00 por mês.
Em contrapartida, de acordo com o DIEESE, o salário necessário para cobrir todas as despesas básicas — incluindo cultura e lazer — seria de aproximadamente R$ 7.000,00. Paralelamente a isso, cerca de 40 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, vivem em uma realidade de informalidade, na qual não há garantia de previdência, aposentadoria ou mesmo de uma renda fixa que assegure o pagamento das despesas mensais, como água, luz, alimentação, transporte, aluguel e gás. A ideia de ser o próprio “patrão” tem ocupado grande parte do imaginário da juventude, quando, na verdade, funciona como uma máscara para o desmonte do trabalho formal e dos direitos trabalhistas.
Nesse sentido, fica cada vez mais evidente que essa conta não fecha e relega a classe trabalhadora brasileira a uma lógica de viver para trabalhar. Essa situação é resultado de um ataque constante às conquistas históricas da classe trabalhadora, desmonte orquestrado pelo avanço do neoliberalismo no Brasil e pelo enfraquecimento de uma de suas formas mais importantes de organização: os sindicatos. A reforma trabalhista provocou maior instabilidade no emprego formal, enquanto a reforma da previdência aumentou em até cinco anos o tempo necessário para a aposentadoria.
Para a juventude, isso afeta diretamente sua construção profissional e individual, pois, mesmo quando trabalha com carteira assinada, muitas vezes precisa buscar rendas extras para conseguir pagar as contas. A moradia própria, por sua vez, tornou-se uma exceção entre os jovens. Já o concurso público, que na geração anterior representava uma garantia de estabilidade financeira, vem desaparecendo diante da escalada das privatizações e do desmonte do Estado. Os concursos tornam-se cada vez mais raros, enquanto os regimes temporários e precários de trabalho passam a se consolidar como regra.
Com isso, é necessário chamar a classe trabalhadora às ruas para que o debate sobre a redução da jornada para 30 horas semanais, sem redução salarial, se transforme em uma pauta de pressão popular. Trata-se de uma demanda urgente da classe trabalhadora para garantir condições dignas de vida. Nesse sentido, a UJC e o PCB fazem esse chamado à mobilização popular pelo fim da escala 6×1.
PELAS 30 HORAS SEMANAIS SEM REDUÇÃO DE SALÁRIO!
PELO PODER POPULAR!
Por que ainda lemos Karl Marx?
Em 5 de maio de 1818 nascia Karl Marx. Filósofo e economista revolucionário, Marx segue sendo um dos pensadores mais lidos, citados e debatidos do mundo, mesmo 143 anos depois de sua morte. Marx continua atual porque ainda não superamos o capitalismo. A luta de classes, cada vez mais acirrada, permanece como um antagonismo central em nossa sociedade, e sua superação segue sendo possível apenas com um horizonte revolucionário. Um exemplo da insistente relevância de Marx é o pioneirismo em debater a jornada de trabalho e como sua extensão revela, de maneira muito prática, a lógica de exploração do capitalista sobre o proletariado.
No primeiro volume da obra “O Capital”, Karl Marx dedica um capítulo inteiro à discussão sobre a jornada de trabalho. O filósofo explica-a como uma grandeza variável, determinada tanto pelo tempo de trabalho requerido para a reprodução social do trabalhador — sua regeneração física e intelectual — quanto pela duração do mais-trabalho. Isso significa que qualquer tempo do dia do trabalhador que não seja voltado para a produção fere os interesses do capitalista e, portanto, o aumento da jornada de trabalho é uma trincheira da qual os capitalistas não podem abrir mão: “Não é a manutenção normal da força de trabalho que determina os limites da jornada de trabalho, mas, ao contrário, o maior dispêndio diário possível de força de trabalho, não importando quão insalubre, compulsório e doloroso ele possa ser, é o que determina os limites do período de repouso do trabalhador” (MARX, 1867).
Assim, em 1867, Marx já nos alertava acerca da centralidade da regulamentação da jornada de trabalho para a luta de classes na história da produção capitalista. Quando pensamos no contexto brasileiro, os debates em torno da escala 6×1 são muito representativos dessa contradição explicitada por Marx. Ainda que em conjunturas diferentes, o revolucionário nos demonstra o caráter inconciliável de uma vida plena e digna para o trabalhador com a busca por mais-valia e, portanto, mais-trabalho por parte do capitalista. Ainda lemos Marx porque as contradições por ele elucidadas estão longe de ser superadas. Ainda lemos Marx porque sabemos que a única saída possível é a organização da classe trabalhadora em unidade pela sua emancipação: “Para ‘se proteger’ contra a serpente de suas aflições, os trabalhadores têm de se unir e, como classe, forçar a aprovação de uma lei, uma barreira social intransponível que os impeça, por meio de um contrato voluntário com o capital, de vender a si e a suas famílias à morte e à escravidão” (MARX, 1867).
Leia o Boletim Juventude – Edição nº 02/2026 – Pelo fim da escala 6×1
ACESSE: https://ujc.org.br/boletim-juventude-edicao-no-02-2026/
