África: uma voz unitária ao lado de Cuba

Carlos Lopes Pereira – ODIARIO.INFO

A Assembleia Geral da ONU voltou a aprovar por esmagadora maioria uma Resolução afirmando a necessidade de «pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba». A atual administração dos EUA elevou essa ação a um nível sem precedentes. A África, que tanto deve à solidariedade cubana, ergueu de novo a voz na condenação a este criminoso, ilegal e desumano bloqueio. Os EUA evocam o absurdo argumento de que Cuba constitui “uma ameaça”. Quem constitui efetivamente uma ameaça, não apenas para Cuba, mas para todos os povos do mundo, é o imperialismo estadunidense.

A Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) voltou a discutir a resolução sobre a «Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba». O órgão deliberativo máximo da ONU debateu e votou a resolução a partir do relatório apresentado por Cuba sobre a importância de pôr fim a essa política de asfixia que, desde o início do mandato da atual administração estadunidense, em janeiro de 2025, recrudesceu a níveis sem precedentes.

O representante permanente de Havana junto da ONU, em Nova Iorque, embaixador Ernesto Soberón, considerou que «Cuba chegou à AGNU com a legitimidade de uma exigência justa, fundamentada durante décadas e com um amplo respaldo internacional». O diplomata reiterou que a nação caribenha não é uma ameaça, mas o bloqueio sim; e que, perante a chantagem e a prepotência – realçou –, os Estados-Membros da ONU voltaram a eleger a verdade, a dignidade e a solidariedade internacional.

Este ano, a votação teve lugar num contexto especialmente grave, marcado pelo reforço por Washington da política de punição coletiva contra Cuba, incluindo um cerco energético e sanções secundárias a terceiros países. Além disso, os EUA, através da sua missão na ONU e das suas embaixadas mundo afora, desencadearam uma ofensiva diplomática sem precedentes para, com ingerências e pressões, tentar alterar a vontade soberana dos Estados-membros e enfraquecer o apoio internacional à posição cubana manifestado ao longo de mais de três décadas.

Do Zimbabwe, entretanto, fizeram-se ouvir apelos para que, na votação na AGNU, houvesse uma voz única da África contra o bloqueio dos EUA a Cuba. «Sejamos categóricos e diretos desde a primeira linha: uma posição única, sem sussurros nem abstenções, ao lado da ilha caribenha na Assembleia Geral», escreveu Fortune Madondo, professor universitário em Harare.

Ao longo de 33 anos, «o mundo ganhou a votação, os EUA perderam, mas mantêm o bloqueio», sublinhou, destacando recentes afirmações do chanceler cubano, Bruno Rodríguez, sobre o custo desta política hostil e desumana para a nação cubana – custo esse estimado em mais de oito bilhões de dólares no último ano. O catedrático zimbabweano denunciou as pressões e ameaças dos EUA junto a outros países para forçar a mudança de voto em relação a Cuba. Acrescentou que, para tal, de maneira aberta, o secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, e o seu embaixador na ONU, Mike Waltz, recorreram a métodos de chantagem com sanções e impostos, a suspensão de programas de cooperação, a recusa de vistos de entrada, o apoio a opositores em eleições. «A África conhece esse cenário teatral, essa dor. O apartheid fez o mesmo», enfatizou o acadêmico zimbabueano, lembrando que o Zimbabué ainda vive sob sanções e medidas coercivas unilaterais impostas pelo «Ocidente».

A África «deve recordar a solidariedade de Cuba, com o envio de médicos e professores, bolsas de estudo aos nossos jovens e apoio militar quando os tanques do apartheid avançavam, tudo isso sem pedir nada em troca», afirmou Fortune Madondo. E reiterou que «hoje é Cuba, amanhã pode ser qualquer dos 55 Estados africanos», pelo que a África deveria falar na ONU a uma só voz, ao lado de Cuba.

Fonte: https://www.avante.pt/pt/2761/internacional/185551/%C3%81frica-a-uma-voz-ao-lado-de-Cuba.htm?tpl=179