100 anos de Fidel: uma vida revolucionária

Jornal O Poder Popular nº 108 (agosto de 2026)

Fidel Alejandro Castro Ruz, nascido a 13 de agosto de 1926, em Havana, governou a República de Cuba como primeiro-ministro de 1959 a 1976 e como presidente de 1976 a 2008. Sob sua administração, Cuba tornou-se um Estado socialista, tendo a indústria, as grandes propriedades e os bancos nacionalizados. Reformas sociais profundas foram implementadas, como a Reforma Agrária, a Campanha Nacional de Alfabetização e as grandes conquistas no campo da Saúde e da Educação públicas e totalmente gratuitas, com acesso universal de qualidade em todos os níveis.

Castro começou a militância política anti-imperialista de esquerda enquanto estudava Direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra os governos de direita na República Dominicana e na Colômbia, planejou a derrubada do ditador cubano Fulgêncio Batista, subserviente ao imperialismo dos EUA, liderando o ataque ao Quartel Moncada em 1953. Depois de um ano de prisão, viajou para o México, onde organizou o grupo revolucionário Movimento 26 de Julho, com seu irmão Raúl Castro e o internacionalista Ernesto “Che” Guevara.

O retorno a Cuba se deu em condições extremamente difíceis e desfavoráveis, por meio da expedição no Iate Granma. Fidel assumiu papel fundamental na Revolução Cubana, comandando a guerrilha contra as forças de Batista a partir de Sierra Maestra e desenvolvendo articulações com os partidos de oposição e movimentos de massa nas cidades. Após a derrota de Batista em 1959, Castro assumiu a direção do processo revolucionário juntamente com os camaradas guerrilheiros, promovendo a construção do Socialismo em Cuba.

O TRIUNFO DA REVOLUÇÃO

Em janeiro de 1959, o Movimento 26 de Julho derrotou, em Cuba, a ditadura de Fulgêncio Batista, que fugiu para a República Dominicana.

No primeiro dia do ano de 1959, Fidel Castro proclamou o triunfo da Revolução em Santiago de Cuba e dirigiu-se a Havana, percorrendo toda a Ilha. O novo governo passou a executar o programa do Movimento 26 de Julho, promovendo aumento de salários e redução das tarifas de energia elétrica e telefone. A reforma agrária, proclamada em maio de 1959, expropriou os latifúndios e inúmeras propriedades de empresas estadunidenses para beneficiar os trabalhadores rurais sem-terra.

A Revolução trouxe enormes conquistas para a maioria da população. O investimento constante na educação garantiu que a média da população tivesse um grau elevado de escolaridade e praticamente não há analfabetos em Cuba. Na saúde, desenvolveu-se o atendimento público universal de qualidade, com a implantação do sistema de saúde familiar e comunitária.

(Texto do Livro Agenda 2019 da Fundação Dinarco Reis/PCB em homenagem à Revolução Cubana)

Fidel: o troiano que venceu

Por Lucas Silva, membro do Comitê Central do PCB

No dia 13 de agosto de 2026 celebramos os 100 anos de nascimento do grande revolucionário e internacionalista cubano Fidel Castro Ruz. Fidel foi um dos líderes políticos mais influentes e o maior estadista do século XX. Suas palavras e ações serviram de exemplo a povos e organizações revolucionárias de todo mundo, especialmente nos países periféricos. Fidel sempre teve papel de destaque como estadista, defendendo as causas mais avançadas de seu tempo.

É impossível falar da importância de Fidel para o terceiro mundo sem lembrar do seu combate tenaz contra a política imperialista de endividamento dos países pobres, o seu firme apoio à emancipação do povo palestino contra a ocupação sionista, a aliança militar contra as tropas do apartheid sul-africano, o envio de dezenas de milhares de médicos e professores para os países mais necessitados, entre várias outras ações.

Em Cuba, como bem destaca um artigo publicado na Prensa Latina: tornou-se uma lenda viva desde a sua chegada triunfante a Havana, em 8 de janeiro de 1959, liderando a guerrilha que derrotou o regime de Fulgêncio Batista (1952-1958). Com o seu pensamento e obra, este processo revolucionário transcendeu as fronteiras da nação cubana.

O mundo reconhece o estrategista militar cubano contra os bandidos nas montanhas Escambray (centro), os agressores mercenários em Playa Girón (Baía dos Porcos, 1961) e durante a Crise dos Mísseis, em 1962.

Enfrentou a brutal política de asfixia econômica decorrente do embargo estadunidense (mesmo Cuba conseguindo a façanha de aprovar na Assembleia Geral da ONU, por dezenas de vezes ao longo das décadas, o fim dos embargos com amplíssima maioria), grandes pressões políticas internacionais e venceu de maneira espetacular as 638 tentativas de assassinato por parte da CIA.

O jornalista português Miguel Urbano Rodrigues escreveu aquele que considero o mais belo texto sobre o exemplo inspirador de Fidel: “Fidel, um Aquiles comunista”. Cometerei a ousadia de discordar do camarada Miguel Urbano.

Fidel na verdade está mais próximo do herói troiano Heitor, personagem com grande firmeza de espírito, capaz de morrer pelo seu povo, mesmo não tendo provocado a guerra, com capacidade excepcional de liderar e inspirar suas tropas. Foi um herói devoto a sua pátria e responsável com seu povo, sabendo respeitar os oponentes e demonstrando compaixão com os caídos em batalha, entrando em combate somente quando necessário.

No século XX, Fidel, produto da combatividade incansável do povo trabalhador cubano aliado à ciência do marxismo-leninismo, venceu. Venceu, inspirou e continua a inspirar gerações de revolucionários, militantes e trabalhadores de todo mundo, como a liderança que ousou enfrentar o maior império e a maior máquina de guerra do século XX. Assim como Heitor, Fidel foi um patriota profundamente comprometido com a emancipação de sua nação, mergulhado e ao mesmo tempo fruto das lutas históricas do povo cubano, usando da força do exemplo, o exemplo que mobilizava multidões.

Trecho do Discurso no encontro com a União Nacional de Estudantes em Belo Horizonte, 1999, que sintetiza a força internacionalista de Fidel:

“Ouvi falar do Brasil e da união dos brasileiros para conseguir a pátria brasileira com a qual sonham, e digo que estes não são tempos de pensar na própria pátria; há que pensar em termos da pátria latino-americana e caribenha[…] Estão a chegar os tempos de pensar na pátria mundial; estão a chegar os tempos de pensar no mundo, porque este mundo, inexoravelmente , está globalizado, comandado por uma superpotência única e em prol dum mundo unipolar, não para salvá-lo, mas sim para destruí-lo…”

Fidel foi o Heitor que venceu, liderando a Tróia socialista que repeliu diversos cavalos invasores, exportando médicos e professores em vez de armas.

Fidel Vive!

Fidel Por Siempre!

Lançamento do Livro Fidel Agora e Sempre

Fidel Agora e Sempre é uma fotobiografia que homenageia um dos revolucionários mais importantes do século XX. Com fotos que remontam desde a infância, passando pela juventude e chegando ao chefe de Estado, Fidel Castro é lembrado por textos de Raúl Castro, Frei Betto, Claudia Furiati, Katiuska Blanco e Edmilson Costa. É uma obra que convida o leitor a viajar a uma parte pouco conhecida da história desse homem que marcou a política mundial no período da Guerra Fria.

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