“A Europa vive um período de contra-revolução”

– Não se pergunta aos amigos por que é que nos vêm ver, mas qual o objectivo desta visita a Portugal?

– Esta viagem, com a minha mulher e a nossa filha, teve dois eixos de interesse: primeiro, visitar o país, aprofundar o conhecimento da história deste povo, orgulhoso enquanto nação e que reivindica com muita força a a sua história; e, depois, como comunista, rever Portugal, porque estive aqui em Julho de 1975, no auge da Revolução dos Cravos. Com o 25 de Abril, o 1.º de Maio de 1974, os cravos nas espingardas dos soldados, quis então vir perceber melhor a situação em Portugal. Eu era na época deputado na Assembleia Nacional de França e nós, comunistas franceses, tínhamos toda a simpatia pelo Partido Comunista Português e pelo movimento dos capitães, que foi o “pivot” central desse formidável avanço para a democracia. Nessa altura tive contactos com militantes do PCP e quis ver de perto a Reforma Agrária, que esteve também no centro do movimento de Abril, englobando militares, operários agrícolas, camponeses sem terra e intelectuais. Tive a oportunidade, nesse Verão de 75, de assistir a um comício em Évora com Álvaro Cunhal. Eis, pois, por que razão quis voltar agora a Portugal – continuo a ter a Revolução dos Cravos no coração…

– E quais foram as impressões da visita?

– No momento em que a nossa viagem chega ao fim, estou particularmente encantado. Há semelhanças entre a história do povo de Portugal e a história do povo de França – o apego à Nação, o apego aos valores republicanos, aos valores revolucionários, aos valores da paz e da amizade, que surgem agora com mais força. Quero saudar, muito sinceramente, a luta que levam a cabo os trabalhadores, o povo português, e igualmente a luta do Partido Comunista Português, que se bate com muita tenacidade contra a liquidação das conquistas da Revolução dos Cravos. Nós, franceses, conhecemos bem essa realidade, já que temos um governo de uma enorme ferocidade contra os trabalhadores. Encontramo-nos hoje confrontados não só em França mas em toda a União Europeia com um ressurgir do fascismo, com uma presença insolente dos herdeiros de Hitler e de Mussolini. Assistimos a propostas escandalosas, por exemplo em Itália com o governo de Berlusconi, onde há simpatizantes fascistas, e no quadro da União Europeia, assistimos a uma campanha de reabilitação do fascismo e de criminalização do comunismo. Nós, em França, em particular o Pôle de la Renaissance Communiste , promovemos uma campanha muito grande para demonstrar que o comunismo e o nazismo são absolutamente opostos, que não é possível qualquer comparação, que não é possível fazer uma amálgama. Por exemplo, os comunistas portugueses lutaram contra a mais longa ditadura fascista na Europa, a de Salazar, e dezenas de milhares de comunistas franceses derramaram o seu sangue no combate pela liberdade e para vencer o fascismo. Assim, nestes dias em Portugal, ouvimos, perguntámos, tentámos compreender melhor os problemas e vemos o futuro com muita confiança. Os comunistas que querem permanecer comunistas, que são revolucionários, devem trabalhar para reconstituir o movimento comunista internacional de modo a que, face à barbárie do imperialismo, sejamos portadores de uma verdadeira alternativa. O socialismo ou a barbárie – é também a nossa palavra de ordem.

“Cumpri o meu dever de patriota, de comunista”

– Voltaremos a abordar a actualidade, mas quero agora colocar-lhe algumas questões sobre acontecimentos históricos em que participou, em França, durante a II Guerra Mundial. A sua região, a Corrèze, desempenhou um papel muito importante na Resistência à ocupação alemã… Com que idade é que entrou na luta dos “maquisards”?

– Na Corrèze há uma longa história de luta pela liberdade. Nessa região, por exemplo no período da Comuna de Paris [1871], houve ali posições revolucionárias. Os camponeses são proprietários da terra, têm pequenas explorações agrícolas e havia ali muita simpatia revolucionária que se ampliou quando eles foram trabalhar para os estaleiros de construção de caminhos-de-ferro, para as grandes cidades, como Paris, regressando depois à província. Na Corrèze houve sempre uma grande representação desta força e no período da Frente Popular houve um enorme reforço do Partido Comunista. Contrariamente à Espanha, com a Frente Popular não estivemos no governo mas logo após a vitória eleitoral houve uma greve geral dos trabalhadores, apoiada pelo campesinato, greve que alcançou conquistas como férias pagas, 40 horas, aumentos de salários. O que foi decisivo depois – porque a Frente Popular não resistiu muito tempo à fragilidade dos radicais e do Partido Socialista – foi a constituição nas fábricas de poderosas organizações comunistas e sindicais. E a Corrèze, em seguida, conheceu um período de repressão: em 1939 a imprensa comunista foi proibida, militantes foram presos, o PCF foi ilegalizado. Conhecemos uma situação extraordinária, porque os que nos acusavam de sermos traidores à pátria foram os que assinaram os Acordos de Munique liquidando a Checoslováquia, recusaram a fazer a “entente” com a URSS em relação à Polónia, sacrificaram-na deliberadamente porque sabiam que sem o apoio da União Soviética a Polónia seria esmagada… Os que nos acusavam tornaram-se a seguir, no essencial, naqueles que traíram a República, traíram a França…

– Foi então organizada a Resistência contra os alemães…

– Sim, surgiu na Corrèze a resistência, que se apoiava no Partido Comunista. Havia, é certo, homens e mulheres que seguiam o general De Gaulle, mas foi uma batalha, no fundamental, desde o início, travada pelos comunistas. O meu pai era da Resistência e eu aos 15 anos aderi ao Partido Comunista clandestino, aos 16 estava com o pessoal das ligações e do reabastecimento, num grupo do “maquis” gaulista que veio implantar-se na nossa aldeia (sou de origem camponesa, embora o meu pai fosse ferroviário). O contexto era tal que a mobilização na Corrèze foi considerável, atingindo proporções dificilmente imagináveis: tivemos como “franc-tireurs et partisants” (FTP), que foram criados pelo Partido Comunista, cerca de 11 mil combatentes – em 240 mil habitantes! Havia lá uma força extraordinária, homens e mulheres que estavam na Resistência, de tal ordem que, por exemplo, no período de 1943/44, os alemães estacionados na Corrèze, que não era unidades de elite – estavam nessa altura praticamente todas na frente russa –, diziam da Corrèze que era a “Pequena Rússia”…

– Foram tempos difíceis mas, ao mesmo tempo, para os “maquisards”, heróicos…

– Em 1940 havia a pena de morte por actividades comunistas mas os responsáveis do Partido Comunista tornaram-se os comandantes, os oficiais, os que treinaram esse formidável exército popular. Houve a insurreição e na Corrèze a palavra de ordem de insurreição nacional – que aliás não era só dos comunistas, porque havia também as forças gaulistas – traduziu-se numa directiva de liquidar os destacamentos militares alemães. Era uma palavra de ordem ambiciosa mas que correspondia à guerrilha na Corrèze – as unidades de franco-atiradores fustigavam sem cessar os alemães, que dificilmente conseguiam movimentar-se no terreno. Em 44, os “franc-tireurs” atacaram o quartel alemão de Tulle e, depois de dois dias de combate difícil, mortífero, a guarnição alemã foi no essencial aniquilada, tendo os sobreviventes sido também liquidados. É preciso dizer que neste combate os franco-atiradores foram admiráveis e que os alemães tiveram perdas consideráveis, foram obrigados a render-se.

– E os nazis retaliaram?

– No contexto do Maciço Central, o estado-maior alemão não dispunha de forças necessárias para manter o controlo da situação. Este ataque ao aquartelamento de Tulle fez mudar a correlação de forças em favor da Resistência e os alemães foram forçados a recorrer a uma divisão SS (a 2.ª Divisão Das Reich, que tinha sido derrotada na batalha de Kursk) e a despachá-la para o departamento da Corrèze. Essa divisão SS, de grande ferocidade, não tentou combater os “franc-tireurs”, porque não estava apta para a luta de guerrilha, e atirou-se à população civil, enforcando 99 pessoas em Tulle, deportando centenas de trabalhadores, martirizando um sem número de jovens. Chegou-se ao auge do horror, porque não escaparam nem as crianças, nem os bebés, nem as mulheres – foi um massacre pavoroso de mais de 600 pessoas.

– Que memória guarda desses momentos históricos?

– É uma parte indissociável da minha vida. No que me diz respeito, entrei na Resistência sabendo bem o que ia encontrar – o meu pai era também comunista e resistente. Participei em acções de sabotagem, em acções ofensivas, cumpri o meu dever de patriota, de comunista.

De Gaulle ameaçou deixar Londres e ir para Moscovo

– Ainda sobre II Guerra Mundial, há opiniões contraditórias de historiadores sobre as relações entre o general De Gaulle e Roosevelt e Churchill. É verdade que, para a França do pós-guerra, Roosevelt preferia um governo com ex-ministros de Pétain em vez do general De Gaulle?

– Sim, sim. Em Junho de 1940, depois do ataque da Alemanha nazi, De Gaulle – um representante da burguesia francesa mas um democrata – partiu para Londres, de acordo com Churchill. O Partido Comunista lançou um apelo a 10 de Julho de 1940, no dia em que Pétain assassinou a República com as baionetas alemãs. Esse apelo do PCF dizia que nunca um grande povo como o nosso seria um povo de escravos, e perspectivava, com base na política de unidade no partido, quais seriam as etapas seguintes. Mais tarde, quando os dirigentes norte-americano e inglês, Roosevelt e Churchill, tentaram afastar De Gaulle – que lhes parecia não estar a jogar o jogo deles –, houve uma aproximação entre De Gaulle e o Partido Comunista. Essa aproximação foi decisiva para a Resistência. Fez-se no momento do desembarque americano e inglês na África do Norte, em Novembro de 1942, quando Roosevelt e Churchill afastaram De Gaulle e a França combatente, que não foi autorizada a participar na acção, e preferiram aliar-se aos generais franceses que continuavam a depender do general Pétain, do regime de Vichy. Nesse período, De Gaulle teve um apoio capital da posição adoptada pela URSS, porque a União Soviética tinha beneficiado da solidariedade do general De Gaulle desde o ataque alemão: a União Soviética reconheceu a França combatente e negociou com De Gaulle a possibilidade de cooperação. De Gaulle propôs que uma esquadrilha francesa combatesse na frente russa, como os aviadores franceses combatiam na Royal Air Force britânica, e em Novembro de 1942, contornando a batalha de Stalinegrado, pilotos franceses chegaram a uma base próxima de Moscovo e iniciaram a formação dessa esquadrilha. Ao mesmo tempo, um encontro entre emissários do general De Gaulle e a direcção do Partido Comunista alcançava um acordo. Mais tarde, em 10 de Fevereiro de 1943, De Gaulle escrevia uma notável carta ao comité central do Partido Comunista – foi o único partido ao qual ele se dirigiu desta forma –, em que reconheceu a importância do Partido Comunista na Resistência, na formação dos franco-atiradores, e em que fez referência à vitória de Stalinegrad, afirmando que “eu sei que a França combatente pode contar com o Partido Comunista Francês”. Este entendimento entre gaulistas e comunistas foi a espinha dorsal do acordo que se conseguiu mais tarde, em Maio, no Conselho Nacional da Resistência, depois de Jean Moulin ter unificado a Resistência. Isto foi decisivo, pois Roosevelt e Churchill tinham já fixado a data em que iam afastar De Gaulle. Foram então obrigados a aceitar a ida de De Gaulle a Argel, mas os arquivos mostram que até 1944 continuaram a procurar afastar De Gaulle e que em Julho/Agosto houve uma última tentativa de reunir em Paris o antigo parlamento – com os deputados que votaram por Pétain em Vichy! –, para designar um governo para a França libertada…

– Sabe-se hoje que De Gaulle esteve para mudar-se de Londres para Moscovo…

– O filho do general De Gaulle, o almirante Phillipe De Gaulle, publicou as suas memórias, De Gaulle, mon père , e ali conta coisas extraordinárias. Diz que quando De Gaulle percebeu a animosidade de Roosevelt e Churchill, pediu ao embaixador da União Soviética em Londres que informasse Stalin de que, se os norte-americanos e ingleses concretizassem as suas intenções, ele pediria para se instalar na União Soviética! Isto faz parte da nossa História e hoje os governantes franceses, como o Sr. Sarkozy, querem fazer esquecer esse compromisso histórico realizado entre gaulistas e comunistas. E querem apagá-lo porque a sua política vai contra tudo o que fez a grandeza de França, porque depois da libertação houve um governo com ministros comunistas, entre eles Maurice Thorez, que realizaram as maiores transformações ao serviço dos trabalhadores e da nação.

“Stalingrado mudou o destino da II Guerra Mundial”

– Ainda sobre a II Guerra: Hollywood apresenta os norte-americanos como os grandes vencedores da batalha da Normandia. Qual foi o papel da Resistência nessa fase da guerra?

– Quando o desembarque da Normandia estava em preparação, havia uma crescente exigência popular nesse sentido, já que os americanos e os ingleses não avançavam, estavam atolados na campanha de Itália. E os factos apoiavam essa exigência: em Stalinegrado o destino da guerra mudou. Stalinegrado foi a vitória da inteligência, a vitória da União Soviética que conseguiu produzir nessa altura armamento de uma qualidade extraordinária, como os carros de assalto T-34 e os lança-foguetes múltiplos “Katiousha”. Stalinegrado marcou o ponto de viragem da guerra. Aliás, De Gaulle foi à União Soviética em Dezembro de 1944 e deslocou-se a Stalinegrado, onde afirmou: “Que grande povo!”. Mais tarde, em 1966, considerou “decisivo” o papel da Rússia – ele não falava da União Soviética… – na derrota da Alemanha nazi. Depois da batalha de Moscovo, da batalha de Kursk, o Exército Vermelho retomou a iniciativa estratégica e só parou em Berlim em finais de Abril de 1945. E quando Hitler se suicidou, os soldados soviéticos estavam a 80 metros do seu “bunker” – ele não teve outra solução para não cair prisioneiro do Exército Vermelho.

– Voltando ao desembarque anglo-americano da Normandia…

– Os americanos e ingleses prepararam o desembarque, segundo os historiadores e especialistas militares, com a ideia de enganar os nazis, fazendo-lhes crer que o desembarque seria noutra zona, em Dunquerque. Por isso não bombardearam a costa da Normandia para destruir as fortificações ali existentes. A batalha foi terrível, porque as tropas alemãs estavam entrincheiradas, armadas com canhões e metralhadoras, e dizimaram regimentos ingleses e americanos inteiros. A certa altura, o general americano Bradley achou que era necessário retirar, face às elevadas perdas das forças atacantes… O que se seguiu mostrou se não tivesse havido a intervenção da Resistência francesa teria sido possível o contra-ataque alemão – Rommel estava de licença em Berlim mas regressou rapidamente ao terreno. As forças anglo-americanas lançaram nessa altura, de pára-quedas, armas para resistência, na Bretanha e na Normandia – até essa altura, estávamos mal armados e passámos a ter então espingardas, metralhadoras, bazucas, armas para combater. Mais tarde, altos comandos militares americanos reconheceram que sem as acções de sabotagem da Resistência, na retaguarda das tropas alemãs, o êxito do desembarque estaria comprometido. A Resistência foi um elemento muito importante, se não decisivo, da libertação tão rápida da França.

“A União Europeia é o inimigo mortal dos povos europeus”

– Finda a II Guerra, foi deputado à Assembleia Nacional de França em 1956-58 e 1973-78 e ao Parlamento Europeu, entre 1979 e 1989. Que recordações tem dessa fase da sua vida política?

– Fui eleito deputado muito jovem, com 29 anos, em 1956, e a minha candidatura foi apresentada pelo Partido Comunista na Corrèze, pelos seus militantes, operários, camponeses, pelos antigos combatentes da Resistência. A guerra colonial tinha prosseguido depois do afastamento dos comunistas do governo pelos socialistas, radicais e democratas-cristãos. Tivemos um grande êxito eleitoral, elegemos mais de 150 deputados comunistas e na Corrèze tínhamos dois em quatro deputados. (Aliás, tínhamos dois deputados desde 1945: na Corrèze, o Partido Comunista obteve, depois da libertação, 40 por cento dos votos, era uma força considerável).

Houve depois a guerra colonial (Indochina, Argélia), o golpe de força dos generais em Argel, a emergência da V República, foi um período extremamente difícil para o nosso povo, o general De Gaulle chegou ao poder, já não como durante a Resistência mas com o apoio da extrema-direita e da direita. Mais tarde, quando voltei à Assembleia Nacional, houve um entendimento entre o Partido Comunista e o Partido Socialista com base num programa comum, aliás elaborado pelo PCF e discutido com as bases. Hoje, o meu julgamento sobre essa aliança, contrariamente à da Frente Popular – quando houve uma unidade das bases e não um acordo de cúpula – é muito crítico. Miterrand, cinicamente, abandonou a orientação que tinha sido acordada… Foi também um período complicado, de luta e combate.

– Quanto ao Parlamento Europeu…

– Já no Parlamento Europeu, as coisas foram muito claras desde o início e até ao final dos 10 anos que ali passei: era a Europa do grande capital, a Europa das multinacionais, a Europa onde o combate dos povos devia ter uma força que não existe para travar um período de contra-revolução. De contra-revolução que prossegue hoje. Esta Europa do grande capital pode conduzir a Europa e o Mundo a um período de aventura, período que começou com a liquidação dos países socialistas. Estamos numa fase de atomização dos estados, das nações, há uma tentativa de reduzir os estados – vejam-se o Montenegro, o Kosovo, etc. –, de colocar os povos em inferioridade face aos países imperialistas como a Alemanha, a França, a Grã-Bretanha. E há a participação da União Europeia nas guerras do Iraque e do Afeganistão. O Afeganistão é um verdadeiro barril de pólvora, e não só local, porque é uma ameaça contra o Irão, a China, a Rússia – é essa a verdadeira razão de o imperialismo querer ter o Afeganistão à sua mercê. Por tudo isto, a União Europeia é hoje o inimigo mortal dos povos da Europa. E nós, no Pôle de la Renaissance Communiste, defendemos a saída da França da União Europeia, para não dar cobertura a estas políticas inaceitáveis. Pode e deve-se fazer a ruptura. Uma ruptura que não significa ruptura de relações económicas e outras, mas que permita a reconquista da independência e da soberania e a negociação de vantagens recíprocas entre os povos.

[*] http://fr.wikipedia.org/wiki/Pierre_Pranchère

O original encontra-se em http://www.alentejopopular.pt/noticias.asp?id=3465

Este artigo encontra-se em http://www.resistir.info/franca/pranchere_18dez09.html