KKE: sobre os acontecimentos perigosos na Península Coreana

imagemBoletim do KKE – 19/09/2017

O Escritório de Imprensa do Comitê Central do KKE, em seu comunicado sobre os acontecimentos perigosos na Península Coreana, destaca:

O KKE expressa sua forte preocupação pela situação perigosa na Península Coreana. Os acontecimentos refletem a intensificação da disputa econômica e militar e das contradições interimperialistas em toda a região da Ásia e do Pacífico, entre fortes Estados capitalistas e os interesses de empresários a nível internacional e regional. Não é resultado das decisões dos líderes supostamente “loucos” dos EUA e da Coreia do Norte, como dizem deliberadamente os meios de comunicação para ocultar as causas do confronto.

Esta competição entre EUA, Japão, Rússia e etc. tem relação particular com a nova distribuição de mercados, a exploração dos grandes recursos energéticos que se encontram em regiões como a Península Coreana, no mar da China Oriental e no mar da China Meridional, no Ártico e outras, resultando na constante intensificação da corrida armamentista e a possibilidade inclusive de um conflito militar. Além disso, os EUA estão preparando o caminho para o aumento da venda de armas modernas ao Japão e à Coreia do Sul, enquanto mantém grandes forças militares (28.000 soldados) e equipamento militar em suas bases na Coreia do Sul, realiza continuamente grandes exercícios militares com cenários provocadores de invasão à Coreia do Norte.

Não é coincidência que, desde o primeiro momento, a nova administração dos EUA de Trump, junto com o objetivo da renegociação de acordos econômicos em grande escala, como é o Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP), levou ao centro das atenções a região no ponto débil da China e da Rússia, que é considerada pela China como uma região vital, assim como outras regiões na Ásia, que estão na “Rota da Seda”. Tudo isso junto com os grandes déficits comerciais dos EUA com a China, afetam a elaboração de uma política agressiva para a defesa dos monopólios dos EUA.

Os EUA estão em posição predominante entre os Estados capitalistas possuindo um arsenal nuclear, que já utilizou: cabe assinalar que recentemente os EUA junto com a Grã-Bretanha e a França se abstiveram das negociações pela assinatura do Tratado de Proibição das Armas Nucleares, com o pretexto de que ignora a realidade do entorno internacional de segurança.

Ao mesmo tempo, a OTAN em suas reuniões fala abertamente da capacidade de utilizar armas nucleares. Em consequência, o argumento dos EUA do perigo que supõe o programa nuclear da Coreia do Norte é uma grande hipocrisia e um álibi enquanto outros Estados capitalistas, como Grã-Bretanha, França, Paquistão, Índia, etc, têm à sua disposição armas nucleares.

Os EUA utilizam como argumento o perigo nuclear tanto da parte da Coreia do Norte como do Irã, para estabelecer na região do Pacífico e da Europa o chamado “escudo antimísseis”, enquanto em cooperação com a União Europeia seguem seus próprios interesses e impõem sanções às custas dos povos. Além disso, reforçam de novo sua presença militar no Afeganistão, tendo como alvo a China, assim como a Rússia. O mesmo ocorre com a concentração de tropas da OTAN nos países bálticos.

De sua parte, a Rússia se opõe a estes planos, que objetivamente estão dirigidos a impedir uma possível resposta da Rússia, no caso dos EUA e a aliança da OTAN tentarem levar a cabo o “primeiro ataque nuclear”.

Os EUA aproveitam o posicionamento da Coreia do Norte de desenvolver seu programa nuclear com a finalidade de promover seus interesses geoestratégicos na região e mais em geral. No entanto, o crime brutal que cometeram há 72 anos dos EUA, provocando a destruição nuclear de Hiroshima e Nagasaki, assim como consequência a longo prazo por causa deste crime, demonstram que a solução não se encontra no desenvolvimento de armas nucleares. Não é uma coincidência que a URSS, o primeiro estado operário do mundo, tenha se negado lançar o primeiro ataque nuclear (princípio de não primeiro uso) e desempenhou um papel destacado por um mundo sem armas nucleares.

O aprofundamento da situação na Península Coreana não mudará nem resolverá a situação no Mediterrâneo Oriental e no Oriente Médio. Não só porque as consequências de um possível conflito militar, e de fato com o uso de armas nucleares, serão mundiais, mas também porque em última instância se trata de balanças interimperialistas frágeis e de um “domínio” geopolítico que se desenvolve em escala internacional, desde o Báltico, o Mar Negro e o Mediterrâneo Oriental até a África, Ásia e o Pacífico.

Não é a primeira vez que os EUA focam em dita região. Desde 1950 até 1953 desempenharam um papel dirigente na guerra da Coreia, que gerou mais de meio milhão de mortos e levou a sua desintegração. Além disso, não podemos esquecer que a Grécia tomou parte com suas tropas na intervenção militar imperialista na Coreia, após uma decisão da burguesia e seus representantes políticos, resultando em mais de 180 gregos mortos e 600 feridos.

O governo grego, com o apoio do principal partido da oposição e dos demais partidos burgueses, assume grandes responsabilidades posto que participa e respalda as decisões e os planos perigosos da OTAN, que servem aos interesses da burguesia local, tal como fizeram todos os governos burgueses até hoje. Tenta fortalecer o papel da Grécia dentro da OTAN em nome do “fortalecimento geoestratégico” do país. Recentemente acordou de amplia a base de Suda e de outras bases militares e a infraestrutura para as operações dos EUA, da OTAN e da UE. Além disso, este governo continua a contribuição da Grécia ao enorme orçamento da OTAN e envolve ainda mais profundamente as Forças Armadas nos planos imperialistas, intensificando o antagonismo com a Turquia.

Vários meios de comunicação assim como políticos aproveitam da situação em torno da questão nuclear da Coreia do Norte não só para caluniar a todas as lutas dos povos por um mundo sem exploração do homem pelo homem, mas também para preparar o terreno para que o povo aceite uma intervenção militar dos EUA e da OTAN na Coreia do Norte, sob o pretexto de “restaurar a democracia” e “combater as armas de destruição massiva”, utilizada em outras intervenções imperialistas, como por exemplo no Iraque. O KKE crê que o povo de cada país é exclusivamente responsável para decidir e escolher o regime econômico, social e político do país, assim como para muda-lo com sua organização e luta.

Os acontecimentos requerem vigilância, intensificação da solidariedade internacionalista e fortalecimento da luta contra as intervenções e as guerras imperialistas, contra as armas nucleares. Esta luta está intrinsecamente ligada à luta pela comida e pelos salários, contra o capital e seus governos, de qualquer matiz burguês que sejam.

Está ligada à luta contra as uniões imperialistas, como são a OTAN, a UE, contra uniões na Ásia e em outros lugares, contra o próprio sistema capitalista de exploração e o poder do capital que, como demonstrou a história, não titubeia em cometer qualquer crime contra os povos com a finalidade de superar as contradições intensas e os grandes problemas, alcançar seus objetivos e garantir sua dominação”.

Fonte: http://es.kke.gr/es/articles/Comunicado-sobre-los-acontecimientos-peligrosos-en-la-Peninsula-Coreana/

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)