Cuba: 55 anos exportando saúde para o mundo

imagemO amor, a ética e os valores humanos compartilhados por Cuba em 55 anos de cooperação médica, foram comemorados em 23 de maio, ao ser lembrado o início destas missões humanitárias, desenvolvidas por mais de 400 mil profissionais da saúde em 164 nações do mundo.

Nuria Barbosa León

A história começa ao ficar exposta na alegação de defesa A História me Absolverá, escrita por Fidel Castro em 1953, que a política externa cubana seria de estreita solidariedade e depois do triunfo da Revolução (1959), um grupo de médicos e técnicos assistiu o povo chileno, vítima de um terremoto, em maio de 1960.

A primeira brigada institucionalizada partiu para a Argélia, três anos depois, composta por 56 membros: 28 médicos, 4 dentistas, 15 enfermeiros, 8 técnicos e o chefe, o doutor Gerald Simón Escalona. Do total, 12 eram mulheres. Foram situados em Argel (1); Blida (13); Side bel Abbes (22); Constantine (10); Setif (5); e Briska (4). Retornaram em 26 de junho de 1964, depois de 13 meses de intenso trabalho.

A ideia de oferecer ajuda internacionalista na Argélia, recém-liberada do colonialismo francês, foi exposta pelo Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, durante seu discurso na abertura do Instituto das Ciências Básicas e Pré-clínicas Victoria de Girón, em 17 de maio de 1962. Ali disse: «hoje podemos enviar 50 médicos para a Argélia; daqui a oito ou dez anos nem se sabe quantos e poderemos dar ajuda aos nossos povos irmãos».

O líder da Revolução esteve informado pessoalmente desse primeiro grupo e de quase todos os contingentes enviados posteriormente aos diferentes lugares do planeta, incluídos os doutores e técnicos que ofereceram assistência aos movimentos de libertação nacional na África e ajudaram à população desses territórios.

A partir daí, foi concebida uma ajuda internacionalista caracterizada por sua qualidade, diversidade e desinteresse, que contribuiu para o prestígio de Cuba no mundo. Isso se evidencia na experiência adquirida, a marca do trabalho realizado, o exemplo e o sacrifício realizado, os resultados no melhoramento dos indicadores de saúde e seu efeito na população assistida, segundo expôs ao Granma Internacional a diretora da Unidade Central de Cooperação Médica (UCCM), doutora Regla Angulo Pardo.

Para a funcionária, estas comemorações têm um marcado interesse em ressaltar as façanhas anônimas realizadas pelos cubanos àqueles que sofrem as calamidades geradas pela fúria da natureza e as más práticas nos sistemas de saúde pública dos países capitalistas.

«Dedicamos este 55º aniversário ao médico maior, ao nosso Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, criador da cooperação médica internacional. Estabelecemos um programa de comemorações que se desenvolve, também, em todas as brigadas médicas, principalmente na Argélia, onde também realizaremos um ato», indicou Angulo Pardo.

Igualmente, felicitou todos aqueles que em algum momento saíram nas missões médicas, os que com decisão e convicções revolucionárias esquivaram perigos e a distância da família para salvar vidas de meninos e meninas, idosos, mulheres e comunidades inteiras.

OS CAMINHOS DA COOPERAÇÃO

Esta cooperação é oferecida através de diversas modalidades estabelecidas há vários anos: Programa Integral de Saúde; Assistência técnica compensada; Operação Milagre (tratamentos oftalmológicos); Serviços Médicos Cubanos (turismo de saúde); Missão Especial na Venezuela; Pesquisas de Estudo psicossocial e clínico-genético e o Programa de formação médica.

É bom salientar o trabalho das brigadas que integram o Contingente Henry Reeve, especializado em situações de desastres e graves epidemias, criado por Fidel Castro em 19 de setembro de 2005 para socorrer as vítimas do furacão Katrina e que esteve presente em vinte países.

Exemplo disso é a Licenciada em Enfermagem Delmis Sánchez Castillo, chefa de Departamento da UCCM, que trabalhou no México de 29 de setembro a 15 de novembro de 2017, como membro da brigada Henry Reeve para ajudar as vítimas do terremoto de grande magnitude, ocorrido no estado de Oaxaca.

Ela explicou que quando um governo faz o pedido de uma brigada médica cubana para socorrer a população, vítima de um desastre ou epidemia, as autoridades da Ilha caribenha selecionam os profissionais, de acordo com a situação do território e isso é reforçado levando em conta o trabalho a ser realizado, se for do tipo epidemiológico ou para enfrentar catástrofes naturais.
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Eles recebem uma capacitação integral onde lhes explicam todo o relacionado com a missão a desempenhar e em uníssono é selecionado o equipamento a ser levado. «Uma vez que estamos no lugar, começamos a montagem do hospital, que conta com quatro áreas em várias barracas: uma, para as consultas clínicas, onde o médico faz a avaliação do paciente. Em segundo lugar, está a área de hospitalização dependendo da patologia com um acompanhamento especializado na cura, sinais vitais e recuperação da pessoa. A terceira área é para as cirurgias e a quarta para o laboratório de diagnóstico», argumentou a diretiva da UCCM.

O salão de operações conta com os equipamentos necessários e imprescindíveis para realizar uma cirurgia: o eletrofulgurador para solucionar problemas da coagulação, o monitor dos sinais vitais, a máquina de ventilação mecânica, um equipamento para drenagens, o instrumental para a intubação urotraqueal, a lâmpada que leva todo salão cirúrgico e as ferramentas necessitadas pelos médicos para assumir a cirurgia, atendendo a especialidade, se for ortopedia, ginecologia, otorrinolaringologia, cirurgia geral para as patologias do abdome ou outras.

Uma parte é destinada à higiene, vestes do pessoal e a esterilização dos panos e instrumental. A área dedicada aos testes de laboratório conta com equipamentos modernos para as provas clínicas e bacteriológicas. Aí se instalam as unidades de imagem para confirmar diagnósticos, principalmente o de ultrassom e os raios X.

A brigada também conta com profissionais de eletromedicina para a montagem e desmontagem do equipamento. Eles atendem o gerador elétrico do hospital e o abastecimento de água. Igualmente levam um dispensário de farmácia com os medicamentos imprescindíveis para as diferentes patologias. Cada elemento da brigada leva uma mochila com as coisas necessárias para uma emergência e para sobreviver em condições difíceis. Também se abastece a brigada com alimentos e água para os primeiros dias de abordagem. Depois, buscam fontes abastecedoras com os governos locais.
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De sua experiência no México relata: «Ao chegar, situaram-nos em tendas em um terreno de futebol do Poliesportivo Chemita. Recebemos as boas-vindas do embaixador cubano e dos funcionários da secretaria de Saúde desse país, que nos agradeceram a prontidão porque em apenas seis dias nos transladamos ao lugar. Atendemos as sequelas causadas pelo terremoto, assistimos pacientes com fraturas de ossos, feridas complexas, emergências de apendicites, crianças com objetos estranhos nas vias aéreas e outras patologias. Estivemos ao redor de 52 dias e realizamos, depois de mais de 20 anos, a primeira cirurgia neurológica. Impusemos um recorde quanto ao número de cirurgias ortopédicas».

Chamou a atenção dela os altos preços que devem pagar os mexicanos por receber serviços de saúde e por isso, a população padecia de doenças curáveis. Ao retirar-se a brigada cubana, tinham sido realizadas 13.392 consultas e salvas 196 vidas, o qual mereceu dois diplomas de reconhecimento por parte do Parlamento mexicano e da secretaria de Saúde do Estado de Oaxaca.

Com antecedência, Sánchez Castillo trabalhou na Venezuela, desde 2007 até 2011, na função de enfermeira do serviço de endoscopia, em um centro de alta tecnologia, situado no município de San Carlos, do estado de Zulia. Várias vezes ela teve que assumir a assistência a outros serviços como cardiologia, anestesia ou cuidados intensivos.

Para ela, fazer um trabalho deste tipo é difícil para qualquer pessoa, porque se afasta da família e do entorno social e de trabalho. É uma constante a preocupação pelos filhos ou o cuidado dos pais idosos, mas contam com seus colegas do local de trabalho que, caso ocorrer alguma eventualidade, vão prestar seu maior empenho para solucioná-la logo.

«Eu em cada um destes trabalhos internacionais cresci e ratifiquei meus conhecimentos adquiridos na universidade», resumiu em breves palavras Sánchez Castillo. Isto faz com que pensemos nas reflexões de Fidel, publicadas em 17 de outubro de 2014, que expressam: «…o pessoal médico que vai a qualquer ponto para salvar vidas, ainda em risco de perder a sua, é o maior exemplo de solidariedade que pode oferecer o ser humano, sobretudo quando não está movido por interesse material algum».

Ilustração: Médicos cubanos compartilham com seus pacientes da comunidade nomeada Fidel, em Moçambique, África. Foto: Yudi Castro

http://pt.granma.cu/cuba/2018-06-01/curar-sem-fronteiras