Terreiro do Povo, Portugal do Povo

A manifestação nacional convocada pela CGTP para hoje, 11 de Fevereiro, trouxe a Lisboa mais de 300 mil manifestantes. Mas o seu significado excede em muito essa impressionante dimensão quantitativa.

Em primeiro lugar pela invulgar participação: pode dizer-se que nela estiveram representadas, no fundamental, todas as classes e camadas que a política da troika estrangeira, servilmente subscrita e executada pela troika nacional, atinge e agride. Trabalhadores de todos os sectores de actividade, de todas as regiões do continente, de todas as idades. Trabalhadores manuais e trabalhadores intelectuais. Homens, mulheres, jovens. Com um traço relativamente invulgar: enquanto a enorme massa humana se deslocava pelas ruas da Baixa o número de espectadores nos passeios era bastante reduzido, ao contrário do que é habitual em acções semelhantes. Nesta grandiosa manifestação ninguém quis ficar de fora: todos foram participantes.

O discurso do novo Secretário-Geral da CGTP foi escutado com intensa participação e aprovação. Foi o porta-voz das justas reivindicações populares. Foi calorosamente apoiado nomeadamente quando manifestou a determinação da Central Sindical em prosseguir e ampliar a luta até à derrota da política antinacional que o governo e o patronato conduzem; quando denunciou o “acordo de concertação social” – subscrito pelo patronato, pelo governo do patronato e pela central “sindical” amarela do patronato – como o mais violento ataque contra os direitos sociais e laborais empreendido desde o tempo do fascismo; quando reafirmou que, em poucas circunstâncias históricas como a actual é tão nítida a coincidência entre os interesses dos trabalhadores e do povo e o interesse nacional. O grito “A Luta Continua!” ecoou com inabalável determinação.

Poderá o governo (vigorosamente vaiado) imaginar que será capaz de ignorar esta imensa força popular. Poderá imaginar que o apoio popular que não tem poderá ser compensado pelo apoio do grande capital. Que a vergonhosa obediência às ordens da troika estrangeira lhe assegurará a permanência no poder.

Mas convém que guarde na memória o dia 11 de Fevereiro de 2012. É o dia em ganhou uma nova energia o movimento do povo que, tarde ou cedo, o conduzirá à derrota.

Os Editores do ODiario.info

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