Uma candidatura pelo Poder Popular

Editorial do Jornal O Poder Popular Nº 108 – Agosto 2026
Uma candidatura pelo Poder Popular
Para combater a exploração e as opressões
Entramos em agosto num capítulo importante e tenso da luta de classes no Brasil e na América Latina. A burguesia brasileira, dividida, coloca em choque seus dois principais projetos eleitorais: o liberalismo com “face humana” e preocupação social do governo Lula 3 contra o neofascismo de destruição em massa de Flávio “rachadinha” Bolsonaro.
O pano de fundo desse embate é uma grave crise capitalista, em que o grande capital imperialista alimenta os projetos mais reacionários e atrasados da política mundial para retirar direitos historicamente conquistados pela classe trabalhadora. No Brasil, o maior representante do atraso e esgoto político é Flávio Bolsonaro, com a sombra de outras candidaturas reacionárias que ficam ao redor esperando as migalhas da base bolsonarista: Zema, Caiado e Renan Santos.
Neste momento complexo da conjuntura, o PCB apresenta a candidatura presidencial dos camaradas Edmilson Costa e Cleusa Santos, como expressão eleitoral de uma alternativa política independente e comprometida até a raiz com a classe trabalhadora brasileira, por entender que os principais projetos eleitorais em disputa não representam os interesses históricos do proletariado.
O governo Lula 3, apesar de representar uma vitória tático-eleitoral importante sobre o golpismo e o neofascismo em 2022, é absolutamente incapaz de resolver os problemas das grandes massas brasileiras. Não foi capaz nem mesmo de reverter os principais ataques dos governos Temer-Bolsonaro. Não foi por correlação de forças desfavorável, mas porque essas pautas nunca estiveram no seu horizonte político. Coerente com seu projeto político liberal, o governo Lula não acredita no proletariado.
Já a candidatura de Tariflávio representa indiscutivelmente o que existe de pior na política burguesa, amparada num bloco de poder que congrega agronegócio, mineração, as frações fascistas do capital imperialista e os setores mais criminosos e lumpens da burguesia brasileira. Flávio Bolsonaro é a candidatura que vem para transformar o Brasil numa neocolônia dos Estados Unidos, prometendo destruir direitos sociais, acabar de vez com a aposentadoria, privatizar o que resta dos serviços públicos, mergulhar ainda mais o país nos piores escândalos de corrupção, tudo isso com a “cereja do bolo”: forte repressão e criminalização dos movimentos populares e organizações de esquerda. Daremos combate com todas as energias contra esse arco político da morte.
Nossa candidatura-movimento vem para dialogar com os movimentos populares e com as necessidades da nossa classe, abordando os temas que a candidatura Lula não terá condições de fazer.
O PCB apresenta para a população um projeto socialista de soberania popular, através da ampla reforma agrária popular com a nacionalização da grande propriedade, expropriação e estatização do sistema financeiro (inclusive como medida anticorrupção, pois o sistema financeiro é o coração do crime organizado), uma política voltada à segurança dos direitos, acabando de vez com a militarização da segurança pública e o genocídio da população negra, com a erradicação do feminicídio e autodefesa das mulheres trabalhadoras, além da revogação de todas as medidas neoliberais como o teto de gastos, a lei de responsabilidade fiscal e o tripé macroeconômico.
Nosso programa eleitoral estará a serviço de um amplo processo de conscientização e mobilização popular, para conquistarmos um SUS de qualidade e 100% público, valorização dos servidores públicos, tarifa zero em todo o território nacional com empresas públicas de transporte, uma política de pleno emprego com salário-mínimo do Dieese, educação pública, universal e gratuita para toda a classe trabalhadora. Políticas fundamentais visando não só melhorar a vida da classe trabalhadora, mas acumular forças para a construção de uma sociedade sem exploração, a base do poder popular e do socialismo.
