Venezuela: é preciso festejar, sem baixar a guardar

imagemPor Carlos Aznárez

O chavismo volta a ganhar como em 30 de julho passado, e ganha por várias razões indiscutíveis. A primeira porque as eleições se deram em um marco de absoluta paz, sem nenhum tipo de incidente. Segundo porque o voto foi massivo, o povo saiu outra vez para votar com tudo, como em 30 de julho passado, para a Constituinte. Em um país onde o voto não é obrigatório, saíram para cumprir com seu mandato democrático 61,4% dos votantes. O resultado oficial é implacável para aqueles que apostaram no desaparecimento do chavismo: 17 governações sobre 22 ficaram com o PSUV. E pode somar-se uma a mais nas próximas horas, caso se consolide o triunfo no Estado Bolívar.

Além disso, para maior escárnio dos que até poucos dias apostavam na violência, o chavismo se impôs em Miranda, gerando ali uma vitória estratégica.

Isto não é um milagre, mas sim a melhor demonstração de consciência cívica e de ideologia revolucionária que possui o povo de Chávez e de Maduro, essas mulheres e homens que derrotaram a violência com sua mobilização nas ruas e através das urnas. A democracia participativa é para eles e elas uma arma invencível e a souberam usar da mesma maneira que nos momentos mais duros, continuaram construindo a Revolução.

A oposição ficou outra vez sem discurso e por mais que seus padrinhos Trump, Luis Almagro e a União Europeia reclamem e ameacem, a verdade é a única realidade. Não existe nada que possa quebrar a dignidade e a valentia do povo venezuelano que hoje, outra vez, atropelou o fascismo encoberto por trás da MUD e seus orientadores internacionais.

Festejar a vitória, porém não minimizar o inimigo

Derrotada novamente no âmbito local, agora só resta à oposição recostar-se na agressão internacional que se seguirá gestando, sem dúvidas, com os Estados Unidos como aríete fundamental. Por um lado, insistindo na ideia da intervenção direta, e para isso poderiam estar pensando em gestar o que Almagro colocou em prática dias atrás com a ideia do “governo paralelo”. Não é estranho que tentem o que em outro momento trataram de fazer na chamada “meia lua” boliviana e que Evo Morales soube derrotar. Nesta ocasião, não é de estranhar que o Império tente aproveitar a vitória da oposição nos estados fronteiriços, como Zulia, Táchira e Mérida, para imaginar ali uma base de aterrissagem intervencionista.

Nesse marco, os meios hegemônicos, que nos últimos dias invisibilizaram a eleição, agora já estão cantando “fraude” e certamente esquentarão o ambiente novamente com o distorcido argumento que “a ditadura de Maduro inventou” uma vitória que não é tal. O nível de infâmia que destilam estes meios não surpreende, porém, frente a cada uma destas manobras, voltará a se levantar, sem dúvidas, o muro inexpugnável do povo bolivariano. O mesmo que lançou seu grito de “não passarão” em 30 de julho e que neste 15 de outubro o reafirmou plenamente.

A festejar, então, na Venezuela e na Pátria Grande, porém, não baixando a guarda nem um tantinho assim, como diria Che. Já que o inimigo que se enfrenta é o mesmo que nos advertiram Martí, Bolívar, Fidel e Chávez.

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2017/10/15/venezuela-gana-el-chavismo-gana-la-paz-gana-la-democracia-participativa/

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)