Todos às ruas no dia 23 de março!

Democracia de verdade é o Poder Popular!

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

O governo Lula-Alckmin trouxe algum respiro depois da desgraça vivida durante os anos de desgoverno de Temer e Bolsonaro. O respiro foi sentido com a lenta queda da taxa de juros, a renegociação de algumas dívidas, a redução da inflação, a reposição de parte das perdas salariais, a reabertura de concursos públicos, a redução do desemprego, da informalidade e do desmatamento, o combate ao garimpo ilegal, a condução de uma política de relações exteriores com preocupações humanísticas, reforçada com a declaração de Lula contra o genocídio do povo palestino promovido pelo Estado terrorista de Israel.

No entanto, o abandono das mobilizações nas ruas deu margem à aprovação do Marco Temporal, e Arthur Lira ameaça retornar com a “reforma” administrativa elaborada por Bolsonaro, que destrói direitos dos servidores públicos e a qualidade dos serviços. Governos estaduais também intensificaram seus ataques contra o povo trabalhador, por meio do aumento das passagens no transporte público e da violência policial com prisões e assassinatos, principalmente contra a população pobre e negra da periferia das grandes e médias cidades, fazendo avançar a privatização de empresas públicas estratégicas.

Além disso, foram cometidos diversos crimes contra os lutadores da cidade e do campo, com o auxílio de jagunços a mando dos grileiros. Vimos, inclusive, a volta das manifestações da extrema-direita, demonstrando que o neofascismo no Brasil não está morto, a exemplo do que tem ocorrido em outros países, como na Argentina, em Portugal, na Itália, na Polônia, na Alemanha, entre outros, onde fascistas, nazifascistas e sionistas disputam territórios, as ruas e os espaços institucionais.

O governo de Lula-Alckmin, em vez de revogar o teto de gastos, aprovou novo pacote que restringe os investimentos públicos, liberou a farra dos especuladores, decretou uma reforma tributária cosmética e propôs reajuste zero aos servidores federais, medidas que mantêm a política neoliberal. Até hoje nada falou sobre a revogação da “reforma” trabalhista e da previdência e insiste em manter a matriz curricular do “Novo Ensino Médio”, mesmo com as manifestações contrárias da Conferência Nacional da Educação (CONAE), além de fortalecer o poder das fundações empresariais no MEC.

O movimento sindical e popular não pode mais continuar apostando todas as suas fichas na institucionalidade, aguardando que o governo resolva tudo por meio de negociações no Congresso, onde a banca dos donos do capital, agronegócio, capitães de indústria e latifundiários sempre saem ganhando.

Somente com a mobilização e muita luta da classe trabalhadora será possível reconquistar direitos obtidos com muito suor e sangue na nossa história, destruídos pela sanha da classe parasitária que tutela o estado brasileiro, que, através das contrarreformas, nos tirou direitos trabalhistas, previdenciários, além de privatizar serviços públicos e empresas estatais, visando dar mais lucros aos capitalistas. Neste último período os ricos ficaram mais ricos e a classe trabalhadora mais pobre.

A fome vai corroendo uma boa parte da população que, mesmo com uma jornada de trabalho cansativa, não ganha o suficiente para sobreviver. Faltam empregos, moradias e terra para agricultura familiar. Tudo isso em meio a milhões de casas vazias e terras improdutivas reservadas para a especulação. Nossa classe paga todos os impostos embutidos nos custos do preço de tudo que consumimos, mas a arrecadação vem servindo para alimentar, com pagamento de amortizações de juros da dívida pública, a ganância da agiotagem oficial praticada pelos bancos.

A classe dominante aumenta a violência contra os pobres no campo e nas periferias das grandes cidades. O desemprego, a fome, o encarceramento e a morte estão presentes no nosso dia a dia. BASTA!

É necessário, portanto, mobilizar os trabalhadores e as trabalhadoras por todo o país, nos locais de trabalho, moradia e estudo, apoiar as campanhas salariais e as ocupações no campo e na cidade. Vamos engrossar as lutas por reajustes salariais com ganho real, por direitos e pelos serviços públicos de qualidade, construindo manifestações, paralisações, greves, marchas, abaixo-assinados, plebiscitos populares.

O PCB defende a preservação e ampliação das liberdades democráticas existentes, duramente conquistadas na luta contra a ditadura empresarial-militar instalada pelo golpe de 1° de abril de 1964 e recentemente ameaçadas pelos fascistas golpistas, saudosos da ditadura. A democracia burguesa, por mais limitada que seja, é mil vezes mais favorável ao desenvolvimento da luta do povo trabalhador do que o terror do regime ditatorial. No entanto, temos também a certeza de que a verdadeira democracia só será implantada no Brasil com a construção do Poder Popular, que assuma o poder sob o comando da classe trabalhadora, no rumo do Socialismo.

SEM ANISTIA: PRISÃO PARA BOLSONARO E PUNIÇÃO PARA TODOS OS GOLPISTAS!

DITADURA NUNCA MAIS!

REVOGAÇÃO DAS CONTRARREFORMAS! EM DEFESA DOS DIREITOS DO POVO TRABALHADOR!

SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO! BASTA DE GENOCÍDIO POR PARTE DO ESTADO TERRORISTA DE ISRAEL!

LUTAR, CRIAR, PODER POPULAR!