Grécia: Quarta greve em um mês!

As forças de orientação classista lutaram mais uma dura batalha que enriqueceu a experiência militante da classe trabalhadora contra a intimidação lançada pelos empregadores e seus partidos. Muitas pessoas conseguiram superar suas hesitações e entraram em greve pela primeira vez.

Mais uma vez, a greve liderada pela PAME foi muito maior do que as organizadas pelas lideranças das confederações de sindicatos amarelos da GSEEe e ADEDYf. Mais uma vez, os grevistas voltaram suas costas aos sindicalistas amarelos.

Tanto a preparação da greve, bem como o planejamento para o próximo período, consolidaram a necessidade de organização da classe trabalhadora. Além disso, restou claro para amplos segmentos das camadas populares que a repulsa do ataque não será realizado através de uma demonstração ou em um dia. Ademais, e aqui reside o medo da plutocracia: no fato de que os milhares de trabalhadores aguerridos, através das mobilizações variadas da PAME, constituem uma base importante, não só para a resistência, mas também para o contra-ataque da classe trabalhadora. E o motivo é que os trabalhadores) não se juntaram simplesmente a uma luta contra um governo ou uma mera lei, mas contra o próprio desenvolvimento capitalista que serve às empresas multinacionais, ou seja, contra o cerne do problema e não apenas contra alguns aspectos do problema.

Novamente, a PAME organizou piquetes de greve em grandes fábricas e usinas que paralisaram desde a madrugada. Some-se a isso, o fechamento de portos, aeroportos e estações de metrô, enquanto as ferrovias de Atenas operaram por poucas horas, suficientes para o transporte dos grevistas.

Vasilis Petropoulos, membro do Secretariado Executivo da PAME, que foi o principal orador do comício da greve, mencionou: “não há risco para o país; nenhum dever nacional conclama os trabalhadores para o sacrifício; há somente a ganância dos capitalistas pelo lucro”.

Aleka Papariga, Secretária-Geral do Comitê Central do Partido Comunista da Grécia disse aos meios de comunicação de massa: “Não acreditem nas declarações do governo.

Não confiem nas forças representativas dos patrões. Elas mentem; elas intimidam os trabalhadores, elas têm a expectativa de que a classe trabalhadora pare de lutar para promover medidas mais nefastas. O pior está por vir. Por isso, é preciso continuar e intensificar a luta.” As demonstrações grevistas foram muito poderosas. Quando a massa popular passou em frente ao edifício da Federação Helênica das Empresas, os trabalhadores jogaram tinta vermelha nas paredes, simbolizando que o lucro dos patrões goteja do sangue dos trabalhadores. No início da semana, o Presidente da Federação fez provocações, afirmando que na Grécia “os industriais são os únicos que fizeram sacrifícios”…

A mobilização dos trabalhadores em greve se reuniu com o bloco dos empregados demitidos da empresa aérea privatizada “Olympic Air” que não receberam qualquer indenização quando foram demitidos e que estão bloqueando a Rua Panepistimiou, a mais central de Atenas, durante os últimos 8 dias, reivindicando seus direitos ao trabalho.

A PAME permaneceu ao lado desses trabalhadores, apoiando-os desde o primeiro momento. O governo e o capital exigiram, mediante ameaças e intimidações, que eles parassem com o movimento, mobilizando, para isso, até procuradores (representantes autorizados do governo). Alexis Tsipras, líder da SYRIZAg e Presidente do SYNh, e que é membro do Partido da Esquerda Européia (ELP), afirmou que: ”Se 200 pessoas bloqueiam a rua Panepistimiou, elas mesmas têm de perceber que, dessa forma, não vão receber os direitos que afirmam possuir”.

Na mesma linha dessa declaração, ocorreu, também, o pronunciamento do parlamentar do SYRIZA, Papadimoulis, que disse: “Não concordo com essa forma de luta, porque prejudica a luta deles”. Essas declarações camuflaram a intervenção do Ministério Público com o objetivo de intimidar os trabalhadores demitidos que afirmaram, com sua luta, que “a lei é o que é justo para os trabalhadores” (no sentido de manutenção, de cumprimento dos direitos trabalhistas), um slogan que os oportunistas do SYN, que representa o Partido da Esquerda Européia, e as forças sindicais amarelas do GSEE e ADEDY, bem como CIS e CES, não somente não entenderam, como também a ele se opõem ativamente. As mobilizações multiformes dos trabalhadores vão continuar num próximo período, destacando que os trabalhadores não farão sacrifícios para garantir os lucros da plutocracia. A esse respeito, a greve de 11 de março enviou uma mensagem clara.

Fonte: http://inter.kke.gr/News/2010news/2010-03-12-4thstrike

Tradução:

Humberto Carvalho

Notas do tradutor:

a) sigla da Frente Militante dos Trabalhadores, central de trabalhadores sob a hegemonia do Partido Comunista da Grécia

b) sigla do Movimento Socialista Pan-Helênico, partido governista

c) sigla do Partido Alerta Ortodoxa Popular, partido da direita

d) sigla do partido Nova Democracia

e) sigla da Confederação Geral dos Trabalhadores, central sindical amarela de empregados na área privada

f) sigla da Federação dos Funcionários, central sindical amarela de empregados públicos

g) sigla da Coalizão da Esquerda Radical, criada nas eleições de 2004, da qual não faz parte o Partido Comunista da Grécia

h) sigla do Partido da Esquerda Radical