Por um programa para a nossa classe!

Notícias de uma roda de conversa
Por Lucas Corrêa, Secretário de Movimentos Populares do PCB-RJ
No dia 25 de setembro de 2026, o Movimento Nacional de Luta por Moradia do Rio de Janeiro (MNLM-RJ) convidou o camarada Edmilson Costa, secretário geral do PCB e candidato a Presidente da República para uma roda de conversa com Lurdinha Lopes, dirigente nacional do MNLM, com o deputado federal Glauber Braga e o companheiro Plínio de Arruda Sampaio Jr, sobre um Programa para a nossa classe!
A conversa aconteceu na Ocupação Manoel Congo, uma ocupação com 18 anos de luta, no centro do Rio de Janeiro, que desafia a mercantilização da moradia e a especulação imobiliária. Na Manoel Congo, o MNLM avança para a adoção da Concessão de Direito Real de Uso Coletiva (CDRU Coletiva) para que, dessa forma, o imóvel permaneça público, com seu uso destinado para a moradia popular gerida pelo movimento, impedindo que, após tantos anos de luta, o imóvel possa sair das mãos dos moradores e retornar ao mercado e à especulação imobiliária.
Com cerca de 120 pessoas reunidas para o debate, Lurdinha abriu a mesa afirmando a atualidade e centralidade da classe trabalhadora e das suas organizações: “Essa casa está cheia, para refletir, ouvir, debater e para registrar o sonho das organizações da classe trabalhadora, de que essa classe se coloque de novo em movimento. Nós vamos abrir essa noite com muita esperança e com a emoção de quem não desistiu”.
Lurdinha fez, também, uma importante recuperação da história da luta de classes e do recuo de muitas lideranças ao longo dos anos 1990 e 2000: “Então quando você fala ‘a centralidade da luta de classe’, quem deveria estar dirigindo a centralidade da luta de classe é o movimento popular e o movimento sindical. Movimento popular e movimento sindical autônomos, classistas, de luta, combativos, anticapitalistas, que defendem de fato o trabalho como construtor de toda a riqueza. Que é isso que a gente acreditava lá em 1983 e é por isso que a gente fundou a CUT, que a gente fundou o MST, que a gente fundou os movimentos urbanos de luta pela reforma urbana. Então a gente fica desnorteado, quando a gente, a partir de 2000… Nós começamos a voltar atrás nos nossos conceitos, começamos a introjetar aquilo que em 1992, 1993 falaram para nós: ‘caiu o Muro de Berlim lá na Alemanha’, olha no Google aí onde é a Alemanha, lá na ‘tonga da mironga’, e aí caiu o tal de muro e os nossos dirigentes aqui no Brasil ficaram zonzos com as pedras do muro que caíram e começaram a enterrar toda a nossa crença na luta que a gente construiu em 1980”.
Seguindo o debate, o companheiro Glauber Braga apresentou a importância da luta no parlamento, articulada com a luta dos movimentos populares, sindicatos e com o povo na rua, denunciou o orçamento secreto, defendeu as reestatizações e a revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária. Plínio defendeu a necessidade de um programa para classe trabalhadora que seja consequentemente anticapitalista, apontando para uma ruptura com esse sistema que coloca a própria humanidade em risco.
O camarada Edmilson Costa apresentou elementos do programa do PCB, o Programa Anticapitalista e Anti-imperialista para o Brasil, defendendo uma democracia participativa, com extinção do Senado e uma eleição que conjugue o voto universal com grandes Encontros Nacionais da Classe Trabalhadora, nos quais sejam eleitos representantes do movimento popular, do movimento sindical e do movimento de juventude, para que as maiorias sociais se tornem, finalmente, maiorias políticas no Brasil. Além disso, o programa apresentado pelo camarada Edmilson Costa defende o fim da escala 6X1, com adoção de 30h de trabalho semanal sem diminuição de salário e recomposição do poder de compra dos trabalhadores, com aumento do salário mínimo chegando ao salário do Dieese em 4 anos, isto é, de R$ 1621,00 para R$7999,44 nos valores de hoje.
Edmilson defendeu zerar o déficit de habitação – que hoje atinge cerca de 6 milhões de famílias, com pelo menos 300 mil pessoas em situação de rua – com expropriação dos imóveis ociosos para moradias populares e a proibição da venda dos imóveis públicos, que devem ser destinados à moradia popular, educação, saúde e cultura. Outro importante ponto do programa do PCB, apresentado pelo camarada Edmilson Costa, é a estatização de todo sistema de saúde e da educação. Com saúde e educação 100% públicos, gratuitos e de qualidade em todo território nacional.
Por fim, o camarada Edmilson compartilhou a sua experiência de ter estado presente no I Encontro Estadual da Organização Popular (OPA), no Ceará. Segundo o camarada: “Foi uma das coisas mais belas que eu já vi em termos de organização, em termos de consciência e combatividade do movimento popular. Vocês imaginem, 250 pessoas, a organização do congresso cuidou de alojamento, café da manhã, almoço, janta, tudo organizado pelo povo, não teve financiamento de nada e se tirou uma carta popular muito importante que aponta no sentido da necessidade de organizar um encontro nacional dos movimentos populares, o Encontro Nacional em Defesa da Casa Comum. E isso é uma perspectiva muito interessante, porque se o movimento popular conseguir fazer um encontro nacional em que todas as expressões do movimento possam colocar as suas posições e tirar uma posição unitária, o nosso movimento vai dar um salto de qualidade na sua luta, vai dar um salto de qualidade na sua organização. E eu voltei de lá profundamente emocionado e profundamente convicto de que o povo tem capacidade de se organizar, e o povo quando se organiza tem capacidade de lutar e quando ele luta ele tem capacidade de ganhar!”.
Essa fala mexeu profundamente com os presentes, mostrando que há articulação entre o programa e a ação do PCB na sua relação com os movimentos populares. Vimos como é a própria luta que abre os caminhos apontados pelo programa. A fala do camarada Edmilson apareceu como uma ponte entre movimentos que se colocam o desafio de retomar a radicalidade da luta, a autonomia da classe trabalhadora e o socialismo como horizonte para superar as mazelas do capitalismo. Essa é a diferença de uma candidatura que usa a campanha para fortalecer a luta, os movimentos populares e sindicatos, para criar e fortalecer laços e ampliar os horizontes da classe, enquanto outras buscam apenas a chance de se tornarem bons gestores do capital, talvez mitigando seus crimes temporariamente.
Saímos da roda de conversa mais preparados para os imensos desafios que a conjuntura nos apresenta. Sem ilusões, não acreditamos que estamos um tempo fácil, é um tempo de duras lutas contra o fascismo e o imperialismo cada vez mais violentos e ostensivos. Mas, saímos também animados, percebendo que nossa classe sempre cria as formas de resistir, lutar e avançar.
Descobriremos os caminhos coletivamente e criaremos, juntos, o Poder Popular!
Por um programa para a nossa classe! Todo apoio a um encontro nacional dos movimentos populares, todo apoio ao Encontro Nacional em Defesa da Casa Comum!
Viva a Organização Popular (OPA) e o MNLM-RJ! Suas experiências são sementes de um amanhã justo para a classe trabalhadora!
