A luta da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

25 de Julho | Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

O 25 de Julho nasceu da luta coletiva das mulheres negras. A data foi instituída em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana. O encontro denunciou o racismo, o machismo e as diversas formas de exploração vividas pelas mulheres negras, fortalecendo a articulação política em toda a América Latina e Caribe.

No Brasil, a Lei nº 12.987/2014 também instituiu o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, homenageando a liderança quilombola que comandou o Quilombo do Quariterê, símbolo da resistência negra contra a escravidão, o colonialismo e todas as formas de opressão. As mulheres negras sempre estiveram na linha de frente da produção e da reprodução da vida.

Durante a escravidão, as mulheres negras eram vistas sobretudo como força de trabalho, submetidas ao racismo, ao sexismo e à exploração do trabalho. Após a abolição, continuaram concentradas nas ocupações mais precarizadas, especialmente no trabalho doméstico e de cuidados, sustentando a vida de outras famílias enquanto muitas vezes precisavam se afastar de seus próprios filhos e filhas. Mais de um século após a abolição, essa realidade permanece.

Enquanto o Brasil registrou redução dos homicídios em geral entre 2013 e 2023, a violência letal contra as mulheres continuou crescendo. Os dados revelam ainda que 62,6% das vítimas de feminicídio no país são mulheres negras, evidenciando que a violência tem classe, raça e gênero. Não se trata de uma coincidência, mas da expressão de uma sociedade estruturada sobre a exploração capitalista.

Para o Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, a luta das mulheres negras não pode ser reduzida à representatividade ou ao reconhecimento formal de direitos. A emancipação das mulheres exige enfrentar as bases materiais que sustentam a exploração da classe trabalhadora e aprofundam as desigualdades de classe, raça e gênero. As mulheres negras compõem uma parcela significativa da classe trabalhadora brasileira, ocupam os empregos mais precarizados e carregam, historicamente, o peso do trabalho produtivo e reprodutivo, logo precisam estar no centro das organizações políticas e dos movimentos sociais.

O Julho das Pretas é, portanto, um mês de memória, organização e luta. É tempo de reafirmar o legado de Luiza Mahin, Tereza de Benguela, Carolina Maria de Jesus, Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo, Elza Soares, Marielle Franco e de tantas outras mulheres negras que transformaram e seguem transformando a história com sua resistência. Defender a vida das mulheres negras é combater o racismo, o patriarcado e a exploração capitalista. Sem enfrentar o capitalismo, não haverá emancipação das mulheres nem superação do racismo.

Viva a luta das mulheres negras latino-americanas e caribenhas! Viva o Julho das Pretas!

Coordenação Nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro