Partidos Comunistas mobilizam apoio a Cuba

Partidos comunistas mobilizam apoio internacional a Cuba sobre votação crucial na ONU

O Partido Comunista de Cuba (PCC) está intensificando sua campanha diplomática e pública antes da votação, na Assembleia Geral das Nações Unidas, de uma resolução que pede o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos à Ilha. É a 34ª vez que a questão é levada à Assembleia Geral. A campanha ocorre em um momento de endurecimento das medidas dos EUA contra Cuba — incluindo restrições ao fornecimento de combustível — e de alegações, por parte de Havana, de que Washington estaria pressionando outros países a mudarem seus votos. Partidos comunistas ao redor do mundo emitiram declarações pressionando seus governos a se oporem ao bloqueio e a defenderem a soberania de Cuba.

O Partido Comunista de Cuba colocou a votação na ONU no centro de sua campanha para defender a soberania de seu país e expor as consequências econômicas e humanitárias do bloqueio. A posição do governo cubano tem sido defendida pelo presidente Miguel Díaz-Canel e pelo ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, que apelaram aos governos para que respeitem o direito internacional e resistam a pressões externas. No dia 21 de outubro, Rodríguez acusou o governo dos EUA de conduzir uma campanha sem precedentes para influenciar a votação. Segundo o chanceler cubano, Washington teria ameaçado outros países com restrições de vistos, tarifas, sanções e a suspensão de cooperações, caso mantivessem o apoio à resolução cubana. Ele afirmou ainda que autoridades estadunidenses teriam ameaçado apoiar forças de oposição e interferir nos assuntos políticos de outros países.

Cuba apresenta a votação como uma questão que diz respeito à igualdade soberana entre os Estados e ao direito de cada país de estabelecer relações econômicas e diplomáticas sem sofrer coerção por parte de uma grande potência. A campanha também tem destacado as consequências dessas restrições para o cotidiano em Cuba, incluindo dificuldades na obtenção de combustíveis, medicamentos e equipamentos médicos. No dia 23 de outubro, uma audiência pública parlamentar, realizada no Instituto Nacional de Oncologia e Radiobiologia, em Havana, analisou os efeitos do bloqueio sobre o sistema de saúde, a produção de medicamentos e as famílias cubanas. A audiência, intitulada “Cuba não é uma ameaça — o bloqueio é”, clamou por solidariedade internacional às vésperas da votação. Em seu pronunciamento público, Rodríguez expressou confiança de que a Assembleia Geral apoiaria, mais uma vez, a resolução. Ele também agradeceu a governos, sindicatos, movimentos sociais, organizações de mulheres e de jovens, intelectuais e grupos de solidariedade por sua atuação contra o bloqueio.

Partidos comunistas ao redor do mundo aderem à campanha

Em uma declaração divulgada no dia 23 de outubro, o Partido Comunista da África do Sul condenou o bloqueio e conclamou o governo sul-africano, os sindicatos e a sociedade civil a garantirem uma rejeição contundente à medida na ONU. O partido defendeu que a solidariedade internacional deve perdurar para além da votação, clamando por apoio prático ao povo cubano diante da intensificação da pressão dos EUA. O PCAS também relembrou a solidariedade histórica de Cuba com os movimentos de libertação africanos, argumentando que, agora, a África deve apoiar Cuba.

Em sua declaração de 23 de outubro, intitulada “Não à cumplicidade com o bloqueio!”, o Partido Comunista da Turquia (TKP) solicitou ao governo turco que mantivesse seu apoio de longa data ao fim do bloqueio. O partido argumentou que Washington busca forçar outros países à cumplicidade por meio de ameaças e pressão diplomática. O TKP vinculou a solidariedade a Cuba à relação entre os povos turco e cubano, recordando a assistência prestada por Cuba a nações necessitadas. A organização pediu que a Turquia defendesse sua posição na ONU de forma inequívoca, encerrando o comunicado com os slogans “Viva Cuba!” e “Abaixo o bloqueio!”.

No dia 26 de outubro, a Frente Comunista da Itália e a Frente da Juventude Comunista instaram o governo italiano a resistir à pressão dos EUA e a manter seu voto a favor do fim do bloqueio. As organizações realizaram um ato de solidariedade na Piazza Montecitorio, em Roma, no dia 27 de outubro. O comunicado destacou as consequências das restrições ao fornecimento de combustível e o papel dos profissionais de saúde cubanos na Itália, incluindo sua contribuição para os serviços de saúde na Calábria. As organizações apresentaram a solidariedade a Cuba como uma defesa do direito do povo cubano de determinar seu próprio sistema político e econômico.

Uma votação de relevância internacional

A resolução submetida à Assembleia Geral pede o fim do embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA a Cuba. O documento não é vinculativo, o que significa que a votação, por si só, não obriga Washington a suspender as restrições. No entanto, ela possui significado diplomático e político como uma medida da oposição internacional à ação imperialista dos EUA. Na votação anterior, em 2025, a resolução obteve 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções. Este resultado representou uma mudança significativa em relação ao de 2024, quando 187 países apoiaram a resolução, dois votaram contra e um se absteve. A queda no apoio em 2025 intensificou a atenção sobre os atuais esforços de Washington para influenciar o resultado.

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Fonte: https://icp.org.tr/news/communist-parties-mobilise-international-support-cuba-ahead-crucial-un-vote